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A distância

MPES usa vídeo de festa para provar como facção criminosa é perigosa

Imagens foram incluídas em mais uma denúncia da "Operação Caça Fantasma", apresentada pelo Ministério Público, contra membros de organização criminosa

Publicado em 16 de Novembro de 2023 às 07:23

Vilmara Fernandes

Publicado em 

16 nov 2023 às 07:23
Um vídeo de uma festa de aniversário, com queima de fogos e vários disparos de armas de fogo, foi encaminhado à Justiça estadual como evidências de que, mesmo a distância, em presídio federal no Norte do país, as principais lideranças da facção criminosa que domina o tráfico na Grande Vitória ainda exercem influência na região. Paralelamente, há uma disputa nos tribunais para mantê-los detidos em Rondônia, para onde foram transferidos em 2021.
As imagens presentes em uma denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) — já aceita pela Justiça —, foram realizadas no alto do Bairro da Penha, na Capital, onde se instalou a sede da organização criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV).
A festa foi realizada em 1º de julho deste ano. "Representa uma queima de fogos e vários disparos feitos em via pública em comemoração ao aniversário de um dos principais líderes do grupo criminoso, Carlos Alberto Furtado da Silva, vulgo Nego Beto, com clara demonstração de força no meio criminoso. A queima de fogos é um dos recursos de comunicação mais utilizados pelos traficantes, por comemoração ou comando para recuar", relata o texto da denúncia.
Nas imagens, além dos disparos, membros da organização apresentam armas de fogo e comentam: "Liberdade para o paizão", ao se referirem à outra liderança, João de Andrade, que em 19 de julho de 2021, junto a outros quatro detentos, foi transferido para Porto Velho, em Rondônia. São eles:
  • João de Andrade, o Joãozinho da 12
  • Carlos Alberto Furtado da Silva, vulgo Beto ou Nego Beto
  • Geovane de Andrade Bento, o Vaninho
  • Giovani Otacílio de Souza, o Paraíba
  • Pablo Bernardes, o Geleia
Entre agosto e outubro deste ano, a Justiça estadual concedeu duas decisões que garantiram a permanência de quatro das cinco lideranças no Norte do país. Para o último deles, João de Andrade, já há decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmando que o retorno dele, ou não, ao Espírito Santo deve ficar a cargo do juízo da 10ª Vara Criminal de Vitória.
A interferência do STJ decorre dos chamados conflitos de competência, considerando que, além dos recursos apresentados pelas defesas das lideranças, há ainda pedidos da própria Justiça de Rondônia querendo remanejar os presos para solo capixaba.
Este ano, novamente, segundo informações obtidas pela reportagem de A Gazeta, chegou a ser comprada passagem em voo doméstico para o retorno de um deles, transferência que acabou suspensa.
Detentos foram transferidos para presídio federal
Detentos integrantes de facção foram transferidos para presídio federal Crédito: Divulgação/MPES

Riscos para o Estado

No início de outubro, o juiz Gustavo Grillo, da 10ª Vara Criminal de Vitória, afirmou que a manutenção das lideranças em unidades federais são justificadas "face aos indicativos do interesse da segurança pública". No texto, em que ele pede a renovação da permanência de João de Andrade em Rondônia, informou sobre a necessidade de mantê-lo fora do Espírito Santo: "Para desarticular a facção criminosa, face à posição de liderança que ocupa na organização criminosa".
O magistrado disse ainda que o retorno de qualquer uma dessas lideranças "poderia ainda gerar instabilidade nas áreas onde exercem influência, comprometendo a segurança pública". E observou que a facção criminosa "continua em atuação na Grande Vitória, mantendo os mesmos atos anteriormente praticados de dentro dos presídios estaduais, recrutando advogados para servirem de mensageiros para a prática do tráfico de drogas".
Em outro ponto, ele disse que a organização criminosa continua em atuação no Estado e que possui "enorme poder para criar situações que deturpem a ordem pública, gerando caos, desordem, violência e prejuízos financeiros".
E citou que uma das lideranças da facção, Fernando Moraes Moreira Pimenta, o "Marujo", que também foi denunciado à Justiça estadual, se encontra foragido e é um dos dez criminosos mais procurados do Estado.
A volta dos presos para o Espírito Santo, apontou o juiz, fortaleceria o grupo criminoso, permitindo o retorno da troca de informações entre eles e os demais líderes soltos.
"Por outro lado, a permanência em presídio federal de segurança máxima, distante de criminosos pertencentes à sua organização criminosa e de seus locais de atuação, faz-se necessária em prol da segurança pública, especialmente com o fim de se dificultar/impedir o fluxo de comunicações entre presos e aliados e de se evitar possíveis articulações criminosas que possam fortalecer as atividades da facção criminosa", assinalou.

Denúncia aceita

A denúncia do Gaeco encaminhada à Justiça estadual, e já aceita, faz parte de mais uma fase da Operação Caça Fantasma, desta vez alcançando Alan Tiago de Souza, conhecido como Neguinho São Pedro, que se tornou réu em uma ação penal.
Ele já é condenado em outras ações penais por associação ao tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, além de responder por crimes de homicídio e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Atualmente, ele está preso no Centro de Triagem de Viana.
Como provas, foram anexados vídeos e fotos de Alan portando armas de fogo, dinheiro e drogas. E ainda mensagens e áudios que comprovariam a sua participação nas atividades da organização criminosa.
A investigação aponta que Alan "é a pessoa de confiança de diversos faccionados para a realização de ataques a grupo rivais, cometidos em razão de disputas pelo controle do tráfico de drogas na região, identificado como 'Faixa Preta', com atuação mais direta no Bairro da Penha".

Quem são os detentos em Rondônia

Os detentos enviados ao presídio federal são lideranças da organização criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV) "Tudo 12/ Trem Bala" (TB). Estavam em uma unidade de segurança máxima no Espírito Santo, mas as investigações apontaram que eles conseguiam contratar advogados para repassar recados a comparsas em liberdade, que fariam a gestão do tráfico de drogas.
Em decisão do juízo da 10ª Vara Criminal de Vitória foi dito: "Eles expediam ordens e eram comunicados de todos os atos externos da facção, mesmo estando encarcerados em presídios de segurança máxima do Estado do Espírito Santo. Tais comunicações eram realizadas através dos atendimentos jurídicos realizados por advogados aos acusados".

01

Carlos Alberto Furtado da Silva

Também é conhecido como “Nego Beto”, “NB”, “Beto” ou “Murunga”. Condenado a 54 anos e 8 meses de reclusão, em cumprimento de pena desde 20/02/2008, além de responder a outras ações penais. Antes de seguir para Rondônia, estava detido na Penitenciária de Segurança Máxima II (PSMA II) de Viana. No período de 09/10/2015 a 09/12/2016, ficou na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Beto lidera a organização criminosa que domina o Complexo da Penha, o Primeiro Comando de Vitória (PCV), e o seu braço armado, o Trem Bala.

02

Geovani de Andrade Bento

É conhecido ainda como Vaninho”, “Vanin”, “Magrelo”, “Grilo” ou “MG”. É irmão de João de Andrade, o “Joãozinho da 12”. Vaninho estava custodiado na Penitenciária de Segurança Máxima II (PSMA II), em Viana. É considerado uma das lideranças do PCV. Quando estava em liberdade, “não só articulava as ações de gerência em torno do tráfico, como também atuava no lado mais operacional das investidas desse grupo, assumindo papel de liderança e papel de destaque”, relata denúncia do MPES. Foi detido pela PRF em fevereiro de 2020 em Guarapari, na BR 101, quando retornava do Rio de Janeiro.

03

João de Andrade

É o “Joãozinho da 12” ou “Paizão”. Cumpria pena em regime fechado na Penitenciária de Segurança Máxima II (PSMA II), em Viana. Irmão do denunciado Geovani de Andrade Bento, “exercia posição de comando na estrutura do PCV, controlando questões do tráfico de drogas e armamentos da organização criminosa de dentro do presídio”, relata o MPES.

04

Giovani Otacílio de Souza

Conhecido como “Paraíba” ou “Bob Esponja”, estava custodiado em regime fechado na Penitenciária de Segurança Máxima II (PSMA II), em Viana. O MPES aponta que, antes de ser preso, exercia função de liderança na facção. Mas continuava “comandando suas ações por meio de comunicações com seus comparsas, recebendo e/ou orientando-os diretamente acerca do tráfico de entorpecentes”, segundo é relatado em denúncia do MPES.

05

Pablo Bernardes

Vulgo “Geleia”, estava detido em regime fechado na Penitenciária de Segurança Máxima II (PSMA II), em Viana. Segundo o MPES, atuava na aquisição de entorpecentes para a organização criminosa, além de comandar o tráfico no bairro Jesus de Nazareth, em Vitória, possuindo em seus registros criminais condenações transitadas em julgado pelos crimes de roubo majorado e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

O que diz a defesa dos presos

A reportagem demandou a defesa dos presos em Rondônia e também do réu Alan, e aguarda a manifestação deles. Quando isto ocorrer, este texto será atualizado.

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