Um grupo de pesquisadoras visitou a Ilha dos Franceses, que está localizada a quatro quilômetros da Praia de Itaipava, em Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. Estima-se que existam cerca de 1,2 mil cobras no local e uma delas é de uma espécie exclusiva, que só existe na ilha.
Ao todo, seis pesquisadoras embarcaram para a ilha – que poderia se chamar "Ilha das Cobras" – onde pretendem estudar a espécie única e que já está ameaçada de extinção: a Bothrops sazimai. Contudo, para encontrar este réptil raro, é preciso esperar anoitecer.
O repórter Roger Santana, da TV Gazeta, acompanhou a equipe no local para uma matéria especial no Fantástico, da Rede Globo. Segundo ele, procurar uma serpente na escuridão exige um olhar atento e treinado, uma vez que as cobras costumam se esconder em meio à vegetação, árvores, pedras e no chão.
A pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Ligia Amorim, explicou como é feita a avaliação das serpentes após serem capturadas para análise. “A gente contém o animal no tubo, tira as medidas, logo depois verificamos se é macho ou fêmea”, contou.
O estudo está no começo e empolga a bióloga e coordenadora do Programa Conservação da Jararaca da Ilha dos Franceses, Jane de Oliveira. É importante destacar que, se a projeção de 1.200 cobras se confirmar, essa seria a ilha com maior densidade de cobras do Brasil.
"Nada melhor que uma ilha para a gente encontrar desafios, né? Quando eu cheguei pela primeira vez, eu encontrei a Jararaca pela primeira vez. Já sabia que não ia sair daqui tão cedo"
Há milhares de anos, no continente, existia apenas a Jararaca. No entanto, com a subida dos oceanos, algumas ficaram isoladas na pequena ilha que se formou. “Ela foi sofrendo essas modificações até se tornar tão diferente da outra, a ponto de ser outra espécie”, informou Jane.
Cobras tem "ilha própria" no litoral do Espírito Santo
Outras diferenças ainda precisam ser descobertas. As pesquisadoras querem tatuar todas as serpentes com uma tinta que brilha no escuro e acompanhar melhor a vida delas na ilha. “Nos vamos levar para o Instituto Butantan (em São Paulo) e lá eles vão fazer outros estudos que não são possíveis aqui no campo”, apontou a bióloga.
Com informações do repórter Roger Santana, da TV Gazeta, e do G1.