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Deficiência mental

Polícia investiga morte de jovem em piscina de casa-abrigo no ES

Afogamento do jovem de 29 anos ocorreu quando ele estava na piscina, com dois outros internos. Apuração avalia responsabilidade do acidente

Publicado em 27 de Maio de 2022 às 10:34

Vilmara Fernandes

Publicado em 

27 mai 2022 às 10:34
Residência Inclusiva Masculina de Jardim Camburi, onde morreu Luciano da Mata Meirelles (em destaque)
Residência Inclusiva Masculina de Jardim Camburi, onde morreu Luciano da Mata Meirelles (em destaque) Crédito: Iges/Setades e Reprodução
Um jovem de 29 anos, portador de doença mental, morreu afogado na piscina de uma casa de acolhimento administrada pelo governo do Estado, localizada no bairro Jardim Camburi, em Vitória. A morte aconteceu no dia 12 de março deste ano, quando a vítima e outros dois internos tomavam banho, na presença do cuidador.
O fato é investigado pela Polícia Civil através da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória. Por nota, a PC disse que, por se tratar de uma investigação em andamento, não há informações que possam ser repassadas.
A casa onde a morte ocorreu é chamada de Residência Inclusiva Masculina de Jardim Camburi. Abriga dez jovens e adultos com deficiência, com idades entre 18 a 59 anos completos, que estejam em situação de dependência.
É uma das oito residências administradas pelo Instituto de Gestão Social do Terceiro Setor (Iges), em contrato assinado com a Secretaria de Estado do Trabalho, Assistência Social e Desenvolvimento (Setades) para abrigamento institucional.
Luciano da Mata Meirelles, 29 anos, morador da  Residência Inclusiva Masculina de Jardim Camburi- Setades/Iges, morreu afogado em 12/03/2022
Luciano da Mata Meirelles, 29 anos, morreu afogado na piscina da Residência Inclusiva Crédito: Divulgação

​MORTE NA PRESENÇA DO CUIDADOR

Vídeo obtido pela reportagem mostra Luciano da Mata Meirelles com outros dois internos, dentro da piscina, acompanhados por um cuidador. O jovem se movimenta pela piscina com a cabeça dentro da água e chega a segurar a borda.
Ele aparenta estar em uma parte mais funda e tenta se manter na superfície. Faz algumas tentativas de segurar a borda, novamente, sem sucesso. Em um determinado momento ele para de se debater, mantendo a cabeça dentro da água. O cuidador se aproxima e o retira da piscina, com a ajuda de um segundo cuidador.
As informações recebidas pela reportagem são de que, após ser retirado da piscina, Luciano da Mata chegou a ser socorrido pelo Samu, mas quando a ambulância chegou ele já tinha morrido. No mesmo dia a Polícia Civil visitou a casa.

OUTROS PROBLEMAS NA CASA

Funcionários que trabalhavam na casa informaram que esta é a segunda morte de um interno ocorrida na mesma casa. Em janeiro faleceu um homem que apresentava dificuldades para falar e se comunicava por sinais. O relato é de que há meses ele apresentava dores, mas só quando passou mal foi levado ao hospital, onde morreu após cirurgia.
Há reclamações sobre a presença de alimentos estragados e dificuldades para se garantir a medicação para todos os internos. E ainda de que cuidadores que registram os problemas diários foram  demitidos.

O QUE DIZ A SETADES

Por nota, a Setades informou que após a morte por afogamento do interno, “adotou todas as providências administrativas cabíveis de responsabilidade desta Secretaria”, sem informar quais medidas.
Acrescentou que a morte está sendo investiga pela Polícia Civil, em inquérito que corre sob sigilo. Informou que solicitou ao Iges o desligamento do cuidador e o afastamento da equipe presente na data do ocorrido, disse em nota.
Sobre o interno que morreu, disse que Luciano da Mata Meirelles encontrava-se acolhido desde 2015, a partir da instituição das residências inclusivas. “Esses espaços são indicados para o acolhimento de jovens e adultos com deficiência, em situação de dependência, que não disponham de condições de autossustentabilidade ou de retaguarda familiar. A residência inclusiva gerida pelo Iges possui dez vagas para o atendimento de pessoas dentro deste perfil”, relata em nota.
A Setades informa ainda que possui uma comissão de gestão que faz o monitoramento dos contratos junto às instituições que são responsáveis pelas residências inclusivas. E que nos contratos estão determinadas todas as condições que precisam ser cumpridas para que o atendimento aos acolhidos se dê de forma adequada.
“Em caso de comprovação de uma denúncia, a secretaria notifica o contratado para o cumprimento do acordado. Quando é averiguado o não cumprimento da notificação, a Setades pode acionar outras medidas administrativas junto à instituição contratada. Dessa forma, todas as denúncias que chegam ao conhecimento da secretaria, são devidamente apuradas e, caso confirmadas, os procedimentos cabíveis são adotados para solucionar a questão”, disse a Setades, por nota.
Por fim informa que, em relação ao interno que morreu em janeiro, ainda no hospital, após uma cirurgia, que não foi comprovada, por meio dos relatórios e do monitoramento, “negligência deliberada no contexto que antecede sua internação hospitalar”.
Diz ainda que a gestão da residência inclusiva ainda permanece com o Iges. “Uma auditoria ou quaisquer medidas que possam ser futuramente tomadas, necessitam da conclusão do inquérito policial. Cabe lembrar que o cuidador e a equipe que estava presente no dia do falecimento do acolhido Luciano já não estão operando no local”, diz a nota.
Polícia investiga morte de jovem em piscina de casa-abrigo no ES

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