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Aparente ação de grupo de extermínio

Prisão de PMs por crime: vídeo mostra momento de execução de jovem no ES

Assassinato ocorreu em fevereiro deste ano em uma quadra do bairro Itararé, em Vitória. Cinco pessoas foram presas suspeitas pelo crime, sendo três policiais militares. Imagens mostram que eles usavam colete da PM durante a ação

Publicado em 18 de Maio de 2022 às 17:43

Vilmara Fernandes

Publicado em 

18 mai 2022 às 17:43
Um vídeo mostra o momento em que um jovem foi assassinado no bairro Itararé, em Vitória, em fevereiro deste ano. Seis pessoas aparecem nas imagens e estão sendo investigadas por suposta participação no crime, no que seria uma aparente atividade de grupo de extermínio, segundo documento do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) encaminhado para a Justiça estadual, onde é solicitada a prisão dos envolvidos e a busca e apreensão na residência deles. Cinco deles foram detidos na última sexta-feira (13), sendo três policiais militares.
A investigação criminal está sendo conduzida pela 14ª Promotoria Criminal de Vitória, com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPES. O documento a que A Gazeta teve acesso e que tramita na Justiça estadual mostra que a investigação utilizou imagens de videomonitoramento do cerco eletrônico de Vitória.
No texto é informado ainda que, por intermédio do infravermelho da câmera de videomonitoramento, por exemplo, foi possível constatar que o carona da motocicleta, um dos veículos utilizados no dia do crime, utilizava um colete balístico da Polícia Militar.

COMO FOI A AÇÃO DOS SUPOSTOS CRIMINOSOS

Uma das imagens utilizadas na investigação mostra o momento em que o grupo chega ao bairro Itararé, em Vitória, onde ocorreu o crime. Era madrugada do dia 22 de fevereiro.
Na rua próximo a quadra do bairro, é possível avistar uma motocicleta - uma Honda XRE-300 - que chega com dois passageiros. No mesmo momento também chega um Honda Civic com quatro passageiros.
A motocicleta é utilizada para bloquear o tráfego da rua que dava acesso a quadra, e o piloto e o carona permanecem no local. Do carro, o Honda, saem quatro pessoas que seguem para a quadra. No caminho encontram transeuntes que logo deixam a rua.
Pessoa acusada de participar de crime em Itararé usava colete da PMES. A suspeita é de participação de três policiais em atuação aparente de grupo de extermínio
Um dos acusados de participar do crime utilizava colete balístico da PMES por baixo da camisa Crédito: Processo criminal do TJES
Durante a ação criminosa, os envolvidos usavam touca ninja ou máscara para dificultar a identificação, é relatado na decisão judicial que autorizou a prisão de cinco pessoas e a busca e apreensão:
“Moto e carro e ocupantes executores usavam touca ninja ou máscara de proteção contra Covid e que chegaram ao local enquadrando as pessoas que estavam no campo de futebol. O comentário no bairro é que os autores do crime são policiais, pois foi bem planejado”, relata o texto da decisão judicial.
Na sequência, no canto esquerdo do vídeo, é visto o brilho de diversos disparos. Na ocasião, a Polícia Civil informou que ele tinha sido atingido por pelo menos 15 tiros. No dia seguinte, foram encontradas cápsulas de calibre 9 mm e 380 no local do crime.
Logo depois, o vídeo mostra quatro pessoas retornando para o local onde estava a motocicleta bloqueando a rua. As seis pessoas embarcam nos veículos - carro e moto - e deixam o local do crime.
O assassinato aconteceu numa praça do bairro Itararé, em Vitória. Felypy Antônio Alves Chaves foi morto ao lado da arquibancada do campo de futebol, por volta das 2h.

OS SUPOSTOS ENVOLVIDOS NO CRIME

De acordo com o MPES, as investigações apontaram a participação de três policiais no crime. São eles:
  • Cabo José Moreno Valle da Silva, Moreno - apontado como executor, estava na garupa da moto. Atua no 1º Batalhão da PMES
  • Cabo Ronniery Vieira Peruggia - apontado como  executor, estava no carro. Atua na 1ª Companhia do 1º Batalhão da PMES 
  • Cabo Welquerson Cunha de Moraes - apontado como executor, estava no carro. Atua no Batalhão de Missões Especiais (BME)
Eles contaram com o apoio de dois civis:
  • Glaydson Alvarenga Soares, mais conhecido como Pajé - apontado como executor, identificado na cena do crime 
  • Walace Luiz dos Santos Souza - Pilotava a moto e portava uma arma de fogo. Em interrogatório, confirmou que estava na cena do crime.
Uma sexta pessoa teria participado da ação criminosa, mas ainda não foi identificada pelas investigações.
De acordo com o MPES, Walace informou em depoimento que no dia dos fatos saiu com o Cabo José Moreno Valle da Silva para “fazer uma incursão”, ambos na motocicleta, “juntamente com outros quatro policiais militares a bordo do Honda”. Mas negou que sabia do “objetivo homicida do grupo”.
Walace, segundo o relato do documento encaminhado à Justiça, após bloquear a rua, estava “portando uma arma de fogo em sua mão esquerda, em característica de contenção e patrulhamento”, diz o texto.
O mesmo Walace foi flagrado ainda trafegando com sua motocicleta transportando um passageiro que utiliza o colete balístico da PM. Já no carro, segundo o MPES, estavam os três policiais que foram presos e uma quarta pessoa ainda não identificada.

O OUTRO LADO

A Associação de Cabos e Soldados (ACS), por intermédio do seu vice-presidente, Ted Candeias, informa que discorda das investigações do MPES ao apontar atuação de grupo de extermínio. “É um tipo de serviço que pressupõe uma ação continuada e só apontaram um crime. Teriam que haver outros casos, numa atuação reiterada. Não procede esta afirmação”, pondera.
Ele informou ainda que os policiais presos não estão sendo representados pela ACS e que optaram por contratar um advogado particular. A reportagem não conseguiu localizar a pessoa que assumiu a defesa dos militares. Quando isto acontecer, este texto será atualizado.
Um advogado que preferiu não ter seu nome identificado está fazendo a defesa de Walace. Disse que o investigado é comerciante, morador de Vila Velha e estudante de Direito. Explicou que na tramitação do processo irá mostrar a inocência de seu cliente.
Em relação a Glaydson, o advogado informou que só fez a sua defesa no momento em que houve a sua apresentação na delegacia, e que ele contratou um novo advogado. A reportagem não conseguiu localizar quem assumiu a defesa dele.

PMES: "Fato está sob sigilo judicial"

A Polícia Militar do Espírito Santo informa que prestou apoio em uma operação policial decorrente de investigação conduzida pela 14ª Promotoria de Justiça Criminal de Vitória, com apoio do Gaeco-MPES, no cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão. O fato está sob sigilo judicial decretado. Não há detalhes que possam ser divulgados.

O que diz a Polícia Militar

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