Não é novidade que a novela Pantanal é um fenômeno! Afinal, além de ser líder de audiência, a trama global conseguiu expandir os limites da televisão e invadiu a vida real. Uma das provas disso é o sucesso do berrante, instrumento muito utilizado por peões pantaneiros para conduzir o rebanho nas comitivas, e que tem tido aumento na procura por interessados em comprá-los.
Sucesso de Pantanal impulsiona venda de berrantes feitos no ES
Aqui no Espírito Santo, o artesão Geraldo Agrizzi se destaca como um dos poucos fabricantes de berrantes do Brasil, sendo o único em terras capixabas que produz o instrumento. Conhecido como o “Rei do Berrante”, há décadas ele se dedica à fabricação do material em Venda Nova do Imigrante, na região serrana do estado.
Os berrantes da família Agrizzi são tão famosos que já foram parar nas mãos de vários artistas. Sérgio Reis, Almir Sater, Renato Teixeira, Daniel, Zé Neto & Cristiano, e Bruno & Barreto fazem parte de uma lista de famosos que possuem um berrante produzido po "Seu Geraldo". Alguns, inclusive, fizeram questão de vir até o Espírito Santo para buscar o instrumento pessoalmente.
Além disso, a qualidade dos berrantes é conhecida internacionalmente. As peças, que não custam menos que R$ 2 mil, já foram vendidos para países como Estados Unidos, Canadá, Portugal, Suécia e Bélgica.
Com o sucesso de Pantanal, o trabalho de Geraldo Agrizzi tem dado ainda mais resultados. Segundo Dinho Agrizzi, filho de Geraldo e responsável pela parte burocrática do negócio, no período da novela, a busca pelos berrantes capixabas aumentou significativamente.
"Nossas vendas subiram mais de 100%. Além disso, devido à alta procura, hoje trabalhamos praticamente por encomendas, o que fez com que o valor do berrante aumentasse. Nós também estamos enviando peças para fora todo mês, para países como Estados Unidos, Portugal, Bélgica e Suécia
"
A fabricação do berrante é totalmente artesanal e depende de muita habilidade e paciência. O processo começa com a captação dos chifres no frigorífico e, logo depois, é necessário descobrir qual chifre se encaixa no outro, já que cada um possui um formato diferente. Feito isso, é preciso polir o material com lixa, além de realizar o acabamento, geralmente em couro e costura.
50 anos
Os berrantes são produzidos em Venda Nova desde 1972
De acordo com Dinho Agrizzi, grande parte dos chifres recolhidos nos frigoríficos não são capazes de formar um berrante. Ele comenta que, na maioria das vezes, apenas 20% do material é utilizado para a fabricação do instrumento, já que nem todos se encaixam. Sendo assim, os chifres que não são utilizados para a fabricação de um berrante viram copos, jarras e outros tipos de artesanato.
DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO
A tradição da família Agrizzi no mundo dos berrantes começou há 50 anos e tem raízes pantaneiras. Tudo começou em 1972, quando, em uma viagem ao pantanal, Benedito Agrizzi, pai de Geraldo, se encantou ao ver os ponteiros da boiada tocando o berrante para guiar o gado pelas fazendas alagadas.
"Os peões de boiadeiro iam tocando aqueles berrantes e os bois iam acompanhando. Meu pai viu aquilo e trouxe essa ideia para o Espírito Santo. Logo, ele começou a bater uns martelinhos, sem ter nenhuma noção de como se fazia um berrante. Mas ele persistiu e hoje estamos aí"
Anos depois, em 1998, devido a idade avançada do pai, Seu Geraldo começou a dar segmento ao negócio. De pouco em pouco ele foi se aprimorando e aperfeiçoando ainda mais os berrantes, deixando mais leves e macios de tocar.
Hoje, Geraldo se orgulha em ter o seu trabalho reconhecido internacionalmente. Para ele, o berrante significa tudo.
"O berrante, para mim, significa tudo, pois tudo que tenho eu tirei em cima dos berrantes: bens, cultura, tradição, conhecimento, amizade pelo Brasil inteiro, tudo que a gente pode imaginar na vida"