Em Vitória, mesmo em bairros onde os preços já costumavam ser altos, as casas e apartamentos estão ainda mais caros. O preço do metro quadrado na Capital do Espírito Santo subiu 22% nos últimos 12 meses, segundo a pesquisa Fipe-Zap. É a maior alta da série histórica, que começa em 2013.
A questão é que essa alta valorização, muito comemorada pelo mercado, tem um lado preocupante: impacta na diminuição da possibilidade da pessoa de baixa renda ter acesso a uma moradia digna e de qualidade, ou pressiona moradores e comerciantes antigos a deixarem o bairro.
Desde o início da pandemia, o metro quadrado da cidade ficou 32% mais caro e hoje tem o preço médio de R$ 8.843. No bairro Praia do Canto ele custa R$ 10.697.
"Essa valorização que a gente está sofrendo no valor dos imóveis e, consequentemente, também nos aluguéis, isso limita a possibilidade da população poder morar numa cidade com boa infraestrutura como Vitória, ou pelo menos em boa parte dela", explica Giovanilton Ferreira, doutor em Arquitetura e Urbanismo e professor da Universidade de Vila Velha (UVV).
O Estatuto das Cidades prevê alguns mecanismos para que construtoras e incorporadoras paguem ao município pelo direito de construir, e lucrar, sobre os terrenos e toda a infraestrutura pública que há no entorno.
Segundo o diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, os instrumentos da política urbana contribuem para possibilizar uma verticalização, e valorização imobiliária, mas que respeite as desigualdades por meio de medidas compensatórias.
"Parte dessa recuperação da valorização imobiliária pode ser reinvestida nas áreas com menor infraestrutura, as áreas mais precárias da cidade, de forma a tentar começar a igualar as condições em todas as áreas da cidade, gerando a valorização para investimentos nas áreas de menor infraestrutura e, consequentemente, ampliando as possibilidades do próprio mercado imobiliário futuramente", explica o arquiteto e urbanista Giovanilton Ferreira.