O governo federal deve formalizar nos próximos dias o acordo com a Vale para a construção de uma estrada de ferro conectando a Grande Vitória ao Sul do Espírito Santo. O trajeto será o primeiro trecho da futura Ferrovia Vitória-Rio (EF 118), que vai chegar à capital fluminense conectando portos dos dois Estados.
Segundo o Ministério da Infraestrutura, o ramal vai de Cariacica à Anchieta e será viabilizado pela modalidade de investimento cruzado previsto na concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), da Vale.
A Gazeta apurou junto ao ministério que, ainda neste mês de setembro, o início do projeto e a inclusão dele no rol dos investimentos obrigatórios por parte da mineradora serão formalizados em um evento. Até então, consta no contrato apenas a obrigatoriedade da construção da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), entre Goiás e Mato Grosso. Esta última já está em andamento.
O contrato de renovação da concessão da EFVM foi assinado em dezembro do ano passado. Por enquanto, a obra da linha férrea até o Sul do Estado e o projeto executivo da totalidade da ferrovia, chegando até o Rio, estão previstas apenas como investimento adicional. Contudo, os governos federal e estadual têm interesse em transformá-los em obrigatórios.
Segundo a subsecretária de Inovação e Desenvolvimento do Estado, Rachel Freixo, desde a assinatura da renovação antecipada da concessão com a Vale, foi formado um grupo de trabalho com o Ministério da Infraestrutura e a mineradora para viabilizar o investimento no ramal até Anchieta. Segundo ela, a Agência Nacional de Transportes Terrestres é favorável a concretização do empreendimento.
"O MInfra também já orientou a ANTT, que sejam adotadas as providências cabíveis no sentido de determinar à concessionária da EFVM a realização do investimento adicional de expansão da ferrovia", disse.
Freixo destaca ainda que essa ramal adicional da EF-118 é primordial na ampliação da infraestrutura do Estado e reflete em ganho de investimento, de competitividade e consequentemente na geração de emprego e renda para os capixabas.
A ferrovia deve alcançar o porto de Ubu, de propriedade da Samarco, e pode ajudar a alavancar a retomada das atividades da mineradora, que será feita de forma gradual até 2030. Também permitirá que o porto opere com cargas gerais e não só com minério.
Em nota, a Vale afirmou que a ANTT está avaliando técnica e economicamente, por indicação do Ministério da Infraestrutura, a construção de um ramal ferroviário como extensão da EFVM.
A empresa cita a cidade de Santa Leopoldina como local de início do trecho, diferente do governo federal, que afirma ser Cariacica o ponto de partida.
A ANTT foi demandada sobre a data de assinatura do investimento e sobre o ponto de partida da ferrovia, mas não respondeu aos questionamentos de A Gazeta até o momento. Esse conteúdo será atualizado caso haja resposta.
A Vale obteve a prorrogação antecipada conjunta da Vitória a Minas e da Estrada de Ferro de Carajás, no Pará.
As novas concessões valem por mais 30 anos, a contar de 2027, quando vencem os atuais contratos. Estão previstos compromissos de R$ 24,7 bilhões, que já começaram a ser aplicados.