Correção
01/10/2021 - 7:40
A versão anterior da reportagem informava de forma incorreta que o Espírito Santo é o 3º estado que mais mata no Brasil. No entanto, o Estado ocupa a 17ª colocação no indicador de segurança pessoal, que mede as mortes violentas como homicídios. O texto foi corrigido.
O Espírito Santo manteve em 2021 a quinta colocação no Ranking de Competitividade dos Estados, levantamento realizado anualmente pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O governo capixaba se destacou em indicadores importantes, nos pilares temáticos de Solidez Fiscal e Eficiência da Máquina Pública.
O Estado é o que teve melhor desempenho na regra de ouro – que consiste nos limites de endividamento para o pagamento de despesas – e no índice de transparência, além de ser o segundo melhor do país nas categorias Cuidado Com o Gasto com Pessoal, Índice de Liquidez e Equilíbrio de Gênero no Emprego Público.
O calcanhar de Aquiles do Espírito Santo, no entanto, continua sendo a Segurança Pública. O Estado ficou em 14º lugar, ocupando a metade de baixo do ranking, com uma leve melhora em relação ao ano passado, quando ficou em 15º. No quesito Mortes a Esclarecer, a polícia capixaba ocupa a 20ª colocação do país.
De acordo com o coordenador de Competitividade do CLP, Lucas Cepeda, um dos responsáveis pelo levantamento, os capixabas ainda enfrentam dados considerados elevados de homicídios e roubos em comparação com o restante do país. O Estado é, proporcionalmente, o 5º com mais roubos e ficou na 17ª colocação no indicador de segurança pessoal, que mede a taxa de mortes violentas, como o crime de homicídio.
“O Espírito Santo se destacou em um pilar muito importante para a competitividade, que é a solidez fiscal. É um Estado que tem um histórico de cuidado com as contas públicas, que vem sendo mantido, e isso é essencial para atrair os investidores", afirma Cepeda.
"Atualmente, são 6,5 mortes a esclarecer por 100 mil habitantes e 791 roubos por 100 mil habitantes. No Sudeste, só fica atrás do Rio de Janeiro, que tem uma situação ainda mais crítica no quesito da segurança"
Cepeda continua: "O Estado ocupa a 17º colocação no indicador de segurança pessoal, mantendo sua colocação do ano de 2020. Entretanto, no indicador de mortes a esclarecer, ocorreu uma melhora, na qual o Estado saiu da 22º colocação para a 20º. De modo geral, o Espírito Santo conseguiu avançar uma colocação no pilar de segurança pública, atingindo a 14º colocação."
ES TEVE O MAIOR ENCOLHIMENTO DE PIB DO PAÍS EM 2020
A pior colocação para os capixabas ficou no pilar Potencial de Mercado, em que o Estado é o último colocado no ranking, com uma queda de quatro posições em relação ao resultado de 2020, quando ficou em 23º.
O índice ruim se dá, principalmente, pelo Espírito Santo ser a unidade da federação com o maior encolhimento do PIB no ano passado, segundo o IBGE, com um recuo de 1,68% na comparação com 2019.
O coordenador do ranking também pontuou como fator que deixou o Estado em boa colocação na classificação geral, o fato de todos os Poderes estarem dentro dos limites de responsabilidade fiscal e pelo Espírito Santo ter nota máxima em transparência pública, de acordo com a avaliação da Controladoria-Geral da União (CGU).
O Ranking de Competitividade da CLP tem como objetivo, segundo Cepeda, mostrar a evolução dos governos estaduais a longo prazo e apontar os Estados que mais atraem investidores.
“Um terceiro elemento, e talvez o mais importante, é jogar luz na gestão pública, para que eles possam ver onde estão suas maiores dificuldades e como podem ter políticas públicas mais assertivas", explica o coordenador do levantamento.
ESTADO SOBE POSIÇÕES NA CATEGORIA CUSTO DE COMBUSTÍVEIS
A melhora mais significativa que o Estado teve entre as edições de 2020 e 2021 do Ranking foi no quesito Custo de Combustíveis, que observa o preço do etanol, da gasolina e do diesel e o compara com os outros entes estaduais.
Segundo a CLP, o Espírito Santo registrou, na média anual dos três combustíveis, o valor de R$ 3,64 por litro, sendo o 4º Estado com o preço mais competitivo, nove lugares acima da posição que havia ficado no levantamento anterior.
Por outro lado, o Estado piorou no quesito Resultado Primário, que analisa a relação entre despesas e receitas, ficando em 19º lugar neste aspecto, 14 posições abaixo do 5º lugar em que havia ficado em 2020.
“Provavelmente, como estamos no fim de um mandato, o governo local deve estar investindo mais. Por isso, a despesa ficou maior em relação às receitas que o Estado está recebendo”, contou Lucas Cepeda.