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Emissão de carbono

ES pode se tornar ‘cemitério’ para enterrar gases de efeito estufa

Governo e Petrobras estudam áreas subterrâneas no Espírito Santo para armazenar dióxido de carbono (CO2). No mundo, já existem 35 instalações desse tipo

Publicado em 13 de Maio de 2023 às 08:11

Geraldo Campos Jr

Publicado em 

13 mai 2023 às 08:11
Governo federal planeja mapear áreas subterrâneas que poderão servir de locais de armazenamento de dióxido de carbono (CO2), o principal gás de efeito estufa emitido por atividades humanas
Governo federal planeja mapear áreas subterrâneas que poderão servir de locais de armazenamento de dióxido de carbono (CO2), o principal gás de efeito estufa emitido por atividades humanas Crédito: Geraldo Neto
O Espírito Santo pode se tornar uma espécie de "cemitério" para depositar o principal gás de efeito estufa emitido por atividades humanas. Áreas subterrâneas no Estado estão na mira da Petrobras e do governo federal para armazenagem de dióxido de carbono (CO2), conhecido como gás carbônico.
Os estudos de avaliação já estão em andamento. A ideia com a iniciativa é reduzir o impacto ambiental dos lançamentos de CO2 na atmosfera por grandes atividades industriais, como o setor de petróleo e gás, que, por sua natureza, tem mais dificuldade em reduzir as emissões.
Essa alternativa também é estudada em outros Estados brasileiros, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Alagoas. No mundo, já existem cerca de 35 instalações do tipo, como na Austrália, no Canadá, no Japão e na Noruega, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
O modelo consiste em captar e armazenar o carbono (CCS, na sigla em inglês), enterrando o gás debaixo da terra. No setor público, os estudos iniciais foram conduzidos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal federal, que agora está contratando um aprofundamento desses estudos para avaliar a viabilidade de armazenamento de CO2.

Entenda como funciona o "cemitério" de gás

A diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, Heloisa Borges Bastos Esteves, explica que o processo de armazenamento de CO2 requer estudos detalhados de vários parâmetros que definem a adequação ou não do local para a estocagem.
"A literatura e prática internacional indica que é possível o armazenamento de CO2 em diferentes estruturas: reservatórios de petróleo e gás depletado, depósitos de carvão e formações de água salgada", diz Heloisa, que destaca que o levantamento inicial da EPE analisou preliminarmente apenas campos de petróleo e gás exauridos onshore (em terra) e offshore (no mar).
No caso do Espírito Santo, a possibilidade levantada seria para armazenar o carbono em campos desativados de gás natural. Um documento de 2020 mostrava potencial de estocagem nesses locais. Agora, a EPE vai analisar a viabilidade para também armazenar CO2 nessas formações.
Heloisa destaca alguns pontos buscados nessas áreas para que seja viável usá-las como depósito de CO2. Um deles é guardar certa distância de manancial ou aquífero de água potável. A quantidade que pode ser armazenada em cada espaço depende das características geológicas específicas de cada sítio.
"A área precisa ter uma camada de reservatório íntegra, com porosidade reduzida. Reservatórios acima de 800m de profundidade, com salinidade preferencialmente inferior a 100 mg/L, presença de rocha selante contínua sobreposta e localizado em locais de baixa sismicidade (movimentos da terra) são procurados", explica.
A seleção das áreas também depende de informações de dados de poços e levantamentos geofísicos realizados na região, além da existência de uma malha de infraestrutura mínima nas proximidades.
Ainda não há prazo para construção desses estruturas ou mesmo para conclusão dos estudos. Segundo a EPE, os projetos de armazenamento de CO2 ainda estão tendo sua viabilidade econômica avaliada pelos potenciais investidores.

Estudo da Petrobras

Estudos-piloto estão sendo planejados pelos principais agentes do setor de óleo e gás no Brasil. A Petrobras estuda áreas nos três Estados em que estão compreendidos campos do pré-sal, onde se concentra sua produção atual: São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A ideia seria firmar parcerias com outras indústrias para os projetos.
De acordo com a Petrobras, ainda está sendo analisado qual é o melhor reservatório para esse armazenamento no Espírito Santo, que, segundo a petroleira, "possui um parque industrial que o qualifica para este tipo de tecnologia, especialmente devido ao setor de metalurgia".
"Vamos avaliar projetos de captura e armazenamento de CO2 produzido em outros processos industriais. No Espírito Santo ainda não existem projetos em operação, mas já estamos começando a conversar com o setor industrial do Estado para avaliar a viabilidade e o interesse"
Petrobras - Em nota
Um dos pontos avaliados pela estatal é se será possível utilizar infraestruturas já existentes da Petrobras para projetos de CCS, tais como malhas de dutos e poços. "Os reservatórios para armazenamento geológico de CO2 precisam ter características específicas que o qualificam para esta finalidade. Estamos realizando esse levantamento no momento", informa.
A empresa disse ainda que já opera um projeto do tipo no pré-sal, injetando em um reservatório o próprio gás que é produzido no pré-sal. Em termos de quantidade de CO2 injetado, o projeto já é considerado o maior do mundo.

Entraves

Alguns pontos precisam ser superados para que os projetos de CCS andem no Brasil. O primeiro é a conclusão de estudos mais robustos e que deem maior dimensão da viabilidade e sustentabilidade desses modelos.
Outro desafio é a adesão de grandes indústrias, sobretudo as mais poluidoras, até diante do alto investimento demandado.
A Petrobras lembra que o Brasil ainda não possui uma regulação específica para projetos de CCS, assim como nenhuma linha de incentivo público para essas iniciativas.
"Nos países onde os projetos de CCS estão avançando em ritmo acelerado, existem fortes atuações governamentais para regular e incentivar os projetos", argumenta.

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