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Malha ferroviária

Espírito Santo pode ganhar três novas ferrovias privadas

Projetos, que estão sendo analisados pelo Ministério da Infraestrutura, somam cerca de R$ 23 bilhões em investimentos. Obras vão conectar o Estado a outros pontos do país, como o Distrito Federal e sul de Minas Gerais

Publicado em 05 de Outubro de 2021 às 08:59

Caroline Freitas

Publicado em 

05 out 2021 às 08:59
Ferrovia será construída no Sul do Espírito Santo. Expectativa do governo federal é que o trecho ligando Cariacica a Vitória seja concluído em 2023
Ferrovia: empresas querem construir três novas linhas férreas no ES Crédito: Manfred Richter/Pixabay
Com uma posição geográfica propícia para o escoamento de mercadorias de todo o país, o Espírito Santo pode passar a contar com  três ferrovias privadas, segundo informação do Ministério da Infraestrutura. Somados, os investimentos previstos são da ordem de R$ 23 bilhões. Contudo, os projetos podem demorar até uma década para sair do papel.
O pedido mais recente foi protocolado no dia 16 de setembro. Trata-se de uma nova proposta formulada pela Petrocity, que quer conectar a capital federal aos portos capixaba. Para tanto, propôs construir e operar a Estrada de Ferro Juscelino Kubitschek (EFJK), trecho com 1.108 quilômetros de extensão.
“O projeto passa por DF, Goiás e Minas Gerais até chegar a Barra de São Francisco (ES). O investimento é de R$ 13,5 bilhões apenas no segmento ferroviário. A empresa se comprometeu ainda a injetar mais R$ 700 milhões em seis Unidades de Transbordo e Armazenamento de Cargas (UTACs) localizadas ao longo dos trilhos”, esclareceu o ministério nesta quinta-feira (23).
Essa não é a primeira vez que a empresa, que atua no setor de portos, manifesta interesse em investir em ferrovias. A Petrocity também pediu autorização para construir um trecho de estrada de ferro de 420 km entre São Mateus, na Região Norte capixaba, e Ipatinga, em Minhas Gerais.
Trata-se de uma conexão ferroviária entre o Vale do Aço mineiro e o Terminal de Uso Privativo da Petrocity, previsto para o litoral de São Mateus, mas que ainda não começou a ser construído. Com um investimento de R$ 5 bilhões, a empresa pretende ampliar a gama de produtos transportados pelo complexo portuário para incluir grãos e cargas gerais.
Mapa de ferrovias do ES
As ferrovias privadas que o Espírito Santo pode ganhar Crédito: Felipe Damasceno

RAMAL ENTRE MINAS GERAIS E PRESIDENTE KENNEDY

O terceiro projeto, anunciado pelo governo federal no início deste mês, consiste na construção de uma nova linha férrea, com 610 quilômetros de extensão, ligando os municípios de Presidente Kennedy, no Sul Espírito Santo, a Conceição do Mato Dentro, com um ramal até Sete Lagoas, ambos em Minas Gerais.
O investimento, da ordem de R$ 14,5 bilhões, foi proposto pela Macro Desenvolvimento, sediada em Vitória. Conforme explicou o diretor da empresa, Roberto Baptista, o plano une a vocação natural do Espírito Santo para a exportação e alguns gargalos de infraestrutura na região de Minas que a empresa espera alcançar.
Em Presidente Kennedy há um porto em processo de instalação, o Porto Central. O foco principal dele é em empresas que atuam na produção de energia, de petróleo e gás e que trabalham como apoio offshore. Contudo, caso haja de fato um ramal ferroviário, essa vocação poderá ser expandida.
“O grande objetivo dessa ferrovia é o escoamento de minério da região de Conceição de Mato Dentro, Morro do Pilar, entre outras localidades próximas. É uma região minerária muito forte em Minas Gerais, mas que necessita de uma solução de escoamento. E aproveitaríamos não apenas para transporte de minério, mas também do ferro-gusa da área.”
Na prática, a produção seria escoada de Minas Gerais pela ferrovia até Presidente Kennedy, para poder ser exportada a partir dali. Baptista explica que o projeto é uma demanda do setor industrial mineiro, mas reforça que a nova ferrovia pode levar até dez anos para sair do papel.
As três propostas ainda estão sendo analisadas pelo Ministério da Infraestrutura, e, mesmo se aprovadas, ainda precisarão passar por fase de licenciamento e implantação.
O presidente do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Gustavo Barbosa, observou que o Estado conta ainda com alguns gargalos de infraestrutura logística que carecem de uma resolução breve, e que novas ferrovias podem fazer com que o desenvolvimento da economia capixaba tenha um ritmo mais constante.
As estradas de ferro podem contribuir com uma expansão da indústria, criação de empregos e renda, e, também, maior fluxo de turistas.
“E esse é um problema não apenas do Estado, como do Brasil como um todo. O modal ferroviário ficou esquecido e vem se tentando resgatar isso. Para um país quase continental, é um caminho duro a ser percorrido, mas esse interesse das empresas já é um bom sinal.”
Barbosa observa que, caso essas propostas saiam do papel, permitirão um salto de infraestrutura para o Estado. Hoje, o Espírito Santo já conta com a Estrada de Ferro Vitória a Minas, operada pela Vale, e batalha por novas linhas férreas, entre elas a construção de um trecho entre Cariacica e Anchieta, e a melhoria do Corredor Centro Leste.

OS PLANOS DE FERROVIAS PRIVADAS NO ES

  • A Macro Desenvolvimento Ltda quer construir e operar uma nova linha férrea com 610 quilômetros de extensão, ligando os municípios de Presidente Kennedy, no Espírito Santo, a Conceição do Mato Dentro e Sete Lagoas, em Minas Gerais. O investimento é de R$ 14 bilhões.
  • A  Petrocity Portos S.A. idealizou trecho de 420 km entre São Mateus (ES) e Ipatinga (MG), no qual pretende investir R$ 5 bilhões. Trata-se de uma conexão da ferrovia até o futuro Terminal de Uso Privativo, a ser instalado pela Petrocity na cidade capixaba, permitindo o transporte de grãos e cargas gerais.
  • A Petrocity também quer ligar o Distrito Federal aos portos do Espírito Santo. Para tanto, propôs construir e operar a Estrada de Ferro Juscelino Kubitschek (EFJK), trecho com 1.108 quilômetros de extensão. O projeto passa também por Goiás e Minas Gerais até chegar a Barra de São Francisco (ES). O investimento é de R$ 13,5 bilhões apenas no segmento ferroviário. A empresa se comprometeu ainda a injetar mais R$ 700 milhões em seis Unidades de Transbordo e Armazenamento de Cargas (UTACs) localizadas ao longo dos trilhos.

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