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Em meio à pandemia

Itapemirim muda forma de pagar credores e demite para driblar crise

Com a receita afetada devido à baixa circulação de pessoas, a companhia que nasceu no Espírito Santo conseguiu ganhar sobrevida em meio à turbulência

Publicado em 11 de Maio de 2020 às 19:32

Publicado em 

11 mai 2020 às 19:32
Ônibus na garagem da Viação Itapemirim, grupo que está em recuperação judicial desde março de 2016
Ônibus na garagem da Viação Itapemirim, grupo que está em recuperação judicial desde março de 2016 Crédito: Bernardo Coutinho/Arquivo
Em meio a um cenário de incertezas, um negócio que já vinha há anos fragilizado, a Viação Itapemirim, agora tenta sobreviver à nova crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Com a receita afetada devido à baixa circulação de pessoas, a companhia que nasceu no Espírito Santo conseguiu aval na Justiça para mudar os percentuais pagos aos credores. 
Além disso, em março, a empresa fez uma série de demissões para tentar restabelecer seu caixa, o número não foi divulgado pela companhia ou pelo sindicato da categoria. Na época, em nota, à reportagem de A Gazeta, a Viação Itapemirim afirmou que a demanda por transporte interestadual, segmento em que o grupo atua, foi seriamente prejudicada. E admitiu uma queda de 90% do seu faturamento.
Um documento interno da empresa ao qual a reportagem teve acesso fala de demissões em todo o Brasil, podendo chegar a 700 trabalhadores desligados.
De acordo com uma reportagem do jornal Folha de São Paulo, a 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais em São Paulo decidiu que os valores levantados em leilões de imóveis, que são definidos no âmbito da recuperação judicial, fossem invertidos em caráter excepcional. Dessa foma, 80% serão utilizados para o custeio da operação da empresa e os 20% restantes para o pagamento de credores.
Com isso, a companhia conseguiu ganhar fôlego e sobrevida em meio ao caos amplificado pela pandemia da Covid-19. É importante lembrar que a empresa vem de uma longa novela de recuperação judicial e briga entre proprietários e interventores. A Itapemirim tem dívidas com quase 1,5 mil pessoas físicas e jurídicas.
Por nota, a empresa afirmou que a decisão da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo reconheceu o momento de crise que o país vive devido à pandemia da Covid-19. "Ao analisar a queda de 90% de faturamento do Grupo Itapemirim, a decisão inédita e extraordinária permitiu a flexibilização legal do procedimento, sem promover qualquer alteração no plano de recuperação judicial". 
"O objetivo é a adequação das atividades da empresa e a manutenção de mais de 1.100 postos de trabalho diretos em todo o país. O Grupo Itapemirim reforça o seu compromisso com seus colaboradores, credores e parceiros", complementou na nota.
A viação entrou em recuperação judicial em março de 2016 junto com outras empresas que pertenciam à família Cola, alegando possuir dívidas trabalhistas e com fornecedores da ordem R$ 336,49 milhões, além de um passivo tributário de R$ 1 bilhão. Em novembro do mesmo ano, os então controladores capixabas venderam as empresas recuperadas para Camila de Souza Valdívia e Sidnei Piva, empresários de São Paulo.
Após quase três anos de negociações, em abril de 2019,  credores aprovaram o plano de recuperação judicial da Viação Itapemirim. O acordo foi aprovado por 98,6% dos credores em assembleia geral realizada em maio do ano passado, em São Paulo, e que durou mais de oito horas. 
A viação entrou em recuperação judicial em março de 2016, junto com outras empresas que pertenciam à família Cola alegando possuir dívidas trabalhistas e com fornecedores da ordem R$ 336,49 milhões, além de um passivo tributário de R$ 1 bilhão. Em novembro do mesmo ano, os então controladores capixabas venderam as empresas recuperadas para Camila de Souza Valdívia e Sidnei Piva, empresários de São Paulo.

ITAPEMIRIM QUERIA INVESTIR NO SETOR DE AVIAÇÃO

O cenário de queda na receita e redução de demanda também faz a empresa rever seus planos, já que no início do ano pretendia ter uma companhia aérea, um dos setores mais impactados pela crise do coronavírus. Em fevereiro, o presidente do grupo, Sidnei Piva, disse ter fechado um acordo para receber um aporte de R$ 2,1 bilhões de um fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos que permitiria a criação da aérea.
As informações do jornal Folha de S. Paulo afirmavam que ele viajou a Dubai a convite do governo paulista, que organizou uma missão para atrair investidores para negócios diversos, entre eles o de logística. À reportagem, Piva afirmou que a nova empresa receberia a primeira aeronave comercial de passageiros para operação em 2021.
Se o negócio saísse do papel, seria a terceira tentativa do Grupo Itapemirim de ter uma companhia aérea. Na gestão de Camilo Cola, na década de 1990, a empresa fundada em Cachoeiro de Itapemirim chegou a criar a Itapemirim Cargo, que operou em várias cidades do país, até perder o registro em 2000.

A NOVELA ITAPEMIRIM

Recuperação judicial

Pedido: Uma das maiores empresas de transporte rodoviário do país, a Viação Itapemirim entrou em recuperação judicial em março de 2016, junto com outras empresas que pertenciam à família de Camilo Cola.
Dívidas: A empresa alegou ter R$ 336,49 milhões em dívidas trabalhistas e com fornecedores, além de um passivo tributário de cerca de R$ 1 bilhão.

Venda da Itapemirim

Novos donos: Cerca de sete meses depois de ter a recuperação deferida, a família Cola vendeu as empresas recuperadas para Camila Valdívia e Sidnei Piva de Jesus, empresários de São Paulo.
Briga: Cerca de nove meses após o negócio, Camilo Cola e Camilo Cola Filho afirmaram ter sofrido um “golpe”, alegando que os empresários que compraram a empresa não honraram com o acordo. A família tenta, desde então, anular o negócio.
Dentro da lei: Os sócios da Itapemirim, Camila e Sidnei, refutaram as acusações e afirmaram que tudo foi feito dentro da lei.

Plano de recuperação

Aprovação: Mais de três anos após o início da reorganização, o plano de recuperação judicial foi aprovado ontem pelos credores do grupo, em São Paulo.
Divisão: Os credores aprovaram que a empresa seja dividida em cinco Unidades Produtivas Isoladas (UPIs), que vão absorver os principais ativos da companhia, como imóveis e linhas de ônibus.
Leilões: Essas unidades serão leiloadas em até um ano após a homologação do acordo na Justiça. Quatro delas são de linhas de ônibus e uma de imóveis.
Pagamento: Em 2020, a empresa inicia o pagamento das dívidas
(Com informações de Geraldo Campos Jr, Giordany Bozzato e Agência Folha Press)

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