Em meio a um cenário de incertezas, um negócio que já vinha há anos fragilizado, a Viação Itapemirim, agora tenta sobreviver à nova crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Com a receita afetada devido à baixa circulação de pessoas, a companhia que nasceu no Espírito Santo conseguiu aval na Justiça para mudar os percentuais pagos aos credores.
Além disso, em março, a empresa fez uma série de demissões para tentar restabelecer seu caixa, o número não foi divulgado pela companhia ou pelo sindicato da categoria. Na época, em nota, à reportagem de A Gazeta, a Viação Itapemirim afirmou que a demanda por transporte interestadual, segmento em que o grupo atua, foi seriamente prejudicada. E admitiu uma queda de 90% do seu faturamento.
Um documento interno da empresa ao qual a reportagem teve acesso fala de demissões em todo o Brasil, podendo chegar a 700 trabalhadores desligados.
De acordo com uma reportagem do jornal Folha de São Paulo, a 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais em São Paulo decidiu que os valores levantados em leilões de imóveis, que são definidos no âmbito da recuperação judicial, fossem invertidos em caráter excepcional. Dessa foma, 80% serão utilizados para o custeio da operação da empresa e os 20% restantes para o pagamento de credores.
Com isso, a companhia conseguiu ganhar fôlego e sobrevida em meio ao caos amplificado pela pandemia da Covid-19. É importante lembrar que a empresa vem de uma longa novela de recuperação judicial e briga entre proprietários e interventores. A Itapemirim tem dívidas com quase 1,5 mil pessoas físicas e jurídicas.
Por nota, a empresa afirmou que a decisão da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo reconheceu o momento de crise que o país vive devido à pandemia da Covid-19. "Ao analisar a queda de 90% de faturamento do Grupo Itapemirim, a decisão inédita e extraordinária permitiu a flexibilização legal do procedimento, sem promover qualquer alteração no plano de recuperação judicial".
"O objetivo é a adequação das atividades da empresa e a manutenção de mais de 1.100 postos de trabalho diretos em todo o país. O Grupo Itapemirim reforça o seu compromisso com seus colaboradores, credores e parceiros", complementou na nota.
A viação entrou em recuperação judicial em março de 2016 junto com outras empresas que pertenciam à família Cola, alegando possuir dívidas trabalhistas e com fornecedores da ordem R$ 336,49 milhões, além de um passivo tributário de R$ 1 bilhão. Em novembro do mesmo ano, os então controladores capixabas venderam as empresas recuperadas para Camila de Souza Valdívia e Sidnei Piva, empresários de São Paulo.
Após quase três anos de negociações, em abril de 2019, credores aprovaram o plano de recuperação judicial da Viação Itapemirim. O acordo foi aprovado por 98,6% dos credores em assembleia geral realizada em maio do ano passado, em São Paulo, e que durou mais de oito horas.
A viação entrou em recuperação judicial em março de 2016, junto com outras empresas que pertenciam à família Cola alegando possuir dívidas trabalhistas e com fornecedores da ordem R$ 336,49 milhões, além de um passivo tributário de R$ 1 bilhão. Em novembro do mesmo ano, os então controladores capixabas venderam as empresas recuperadas para Camila de Souza Valdívia e Sidnei Piva, empresários de São Paulo.
ITAPEMIRIM QUERIA INVESTIR NO SETOR DE AVIAÇÃO
O cenário de queda na receita e redução de demanda também faz a empresa rever seus planos, já que no início do ano pretendia ter uma companhia aérea, um dos setores mais impactados pela crise do coronavírus. Em fevereiro, o presidente do grupo, Sidnei Piva, disse ter fechado um acordo para receber um aporte de R$ 2,1 bilhões de um fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos que permitiria a criação da aérea.
As informações do jornal Folha de S. Paulo afirmavam que ele viajou a Dubai a convite do governo paulista, que organizou uma missão para atrair investidores para negócios diversos, entre eles o de logística. À reportagem, Piva afirmou que a nova empresa receberia a primeira aeronave comercial de passageiros para operação em 2021.
Se o negócio saísse do papel, seria a terceira tentativa do Grupo Itapemirim de ter uma companhia aérea. Na gestão de Camilo Cola, na década de 1990, a empresa fundada em Cachoeiro de Itapemirim chegou a criar a Itapemirim Cargo, que operou em várias cidades do país, até perder o registro em 2000.
A NOVELA ITAPEMIRIM
Recuperação judicial
Pedido: Uma das maiores empresas de transporte rodoviário do país, a Viação Itapemirim entrou em recuperação judicial em março de 2016, junto com outras empresas que pertenciam à família de Camilo Cola.
Dívidas: A empresa alegou ter R$ 336,49 milhões em dívidas trabalhistas e com fornecedores, além de um passivo tributário de cerca de R$ 1 bilhão.
Venda da Itapemirim
Novos donos: Cerca de sete meses depois de ter a recuperação deferida, a família Cola vendeu as empresas recuperadas para Camila Valdívia e Sidnei Piva de Jesus, empresários de São Paulo.
Briga: Cerca de nove meses após o negócio, Camilo Cola e Camilo Cola Filho afirmaram ter sofrido um “golpe”, alegando que os empresários que compraram a empresa não honraram com o acordo. A família tenta, desde então, anular o negócio.
Dentro da lei: Os sócios da Itapemirim, Camila e Sidnei, refutaram as acusações e afirmaram que tudo foi feito dentro da lei.
Plano de recuperação
Aprovação: Mais de três anos após o início da reorganização, o plano de recuperação judicial foi aprovado ontem pelos credores do grupo, em São Paulo.
Divisão: Os credores aprovaram que a empresa seja dividida em cinco Unidades Produtivas Isoladas (UPIs), que vão absorver os principais ativos da companhia, como imóveis e linhas de ônibus.
Leilões: Essas unidades serão leiloadas em até um ano após a homologação do acordo na Justiça. Quatro delas são de linhas de ônibus e uma de imóveis.
Pagamento: Em 2020, a empresa inicia o pagamento das dívidas
(Com informações de Geraldo Campos Jr, Giordany Bozzato e Agência Folha Press)