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O fim de uma era

Petrobras investe US$ 35 milhões para desmontar plataforma de 43 anos no ES

Trata-se da estrutura de petróleo mais antiga do Estado, localizada no litoral de São Mateus, e que não produz desde 2010. Os poços já foram fechados e a sucata vai ser  reciclada

Publicado em 05 de Maio de 2021 às 02:00

Geraldo Campos Jr

Publicado em 

05 mai 2021 às 02:00
Plataforma de Cação, no litoral de São Mateus, começou a ser desmontada pela Petrobras
Estrutura de apoio foi instalada ao lado da plataforma de Cação, no litoral de São Mateus, para operação de desmontagem Crédito: Agência Petrobras/Divulgação
Petrobras iniciou a desmontagem das três plataformas fixas do campo de Cação, localizado no litoral de São Mateus, na Bacia do Espírito Santo. O trabalho está sendo feito pelo consórcio liderado pela Triunfo Logística e conta com um investimento de aproximadamente US$ 35 milhões, o que equivale a cerca de R$ 190 milhões no câmbio atual.
A operação faz parte do processo de descomissionamento, que marca o fim do ciclo produtivo de um campo de petróleo, e acontece após a produção ser encerrada. O processo consiste no fechamento dos poços seguindo uma série de normas para evitar impactos ambientais. Após essa etapa, acontecem o desmonte, remoção e as vendas das sucatas.
No caso de Cação, não há mais nenhuma atividade de produção sendo feita na unidade desde 2010, quando foi desativada, uma vez que trata-se da plataforma de petróleo mais antiga do Estado. 
Foi no campo de Cação onde se deu a primeira descoberta petróleo nos mares capixabas em 1977, a uma distância de 7 quilômetros da costa e com apenas 19 metros de profundidade. Um ano depois, em 1978, a produção teve início com a instalação da plataforma. Até então, só havia extração de petróleo no Estado em terra.
O fim da estrutura de 43 anos marca o encerramento total das atividades do campo, que, no início dos anos 2000, chegou a produzir em média 430 barris de óleo equivalente (boe) por dia, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já em 2010, último ano de atividade, o poço produzia menos de 50 barris por dia na média.
De acordo com a Petrobras, para o projeto de descomissionamento do campo de Cação foram avaliadas as melhores práticas da indústria de petróleo no mundo e levadas em consideração as características locais.
O gerente geral de Projetos de Desenvolvimento da Produção da Petrobras, Eduardo Hebert Zacaron, destacou que, pela complexidade do processo, inúmeras oportunidades são geradas para profissionais e empresas locais. 
"O processo de descomissionamento de campos de petróleo envolve diversas atividades como inspeções, tamponamento dos poços, limpeza, descontaminação e destinação dos componentes. Muitas dessas atividades são similares às desenvolvidas durante a produção dos campos."
"Uma grande cadeia de prestação de serviços e logística é envolvida e diversas empresas locais possuem capacidade técnica para atuação. Além disso, parcerias com empresas com experiência internacional podem acelerar a capacitação local em atividades específicas"
Eduardo Hebert Zacaron - Gerente geral de Projetos de Desenvolvimento da Produção da Petrobras
A Gazeta questionou a Petrobras se indústrias capixabas podem ser o destino final das sucatas, mas a empresa informou que "a destinação dos materiais será dada pela empresa contratada, obedecendo a todos os requisitos legais, de segurança e meio ambiente, comprovados por meio de emissão de certificado comprovando a disposição final adequada".
A estatal destacou ainda que todas as atividades do Programa de Descomissionamento de Instalações são aprovadas e acompanhadas pela ANP, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e Marinha do Brasil, mantendo os requisitos de segurança e a integridade das instalações durante todo o processo.

SEM VIABILIDADE PARA PRODUZIR

O descomissionamento acontece quando o campo não apresenta mais viabilidade técnica ou econômica para continuar produzindo.
Nesse contexto, o processo abrange geralmente cinco etapas: a limpeza e descontaminação dos equipamentos, o tratamento e destinação de resíduos atendendo à legislação ambiental, o fechamento dos poços, a desconexão e destinação dos sistemas submarinos, e a destinação da plataforma em si.

MONITORAMENTO AMBIENTAL E SOCIAL

O processo de retirada das plataformas tem o término previsto para o final deste semestre. Durante um ano após a remoção das estruturas e conclusão das atividades na área, a companhia vai realizar monitoramento socioeconômico e ambiental da região.
Em 2019, a colunista Beatriz Seixas mostrou que um grupo formado por pescadores pleiteava que as unidades da Petrobras permanecessem na região e fossem afundadas, mantendo assim o recife artificial desenvolvido ao longo das últimas décadas, ideia que não foi acatada pela empresa.
A petroleira informou que o objetivo desde o início do processo era fazer a remoção total das estruturas, com a garantia de encaminhamento para reciclagem e correta destinação dos resíduos.
Plataforma de Cação, no litoral Norte do ES
Plataforma de Cação, no litoral Norte do ES Crédito: Carlos Jaques Mazei Ferreira
A Petrobras também afirmou que durante o projeto foi mantido o contato com moradores da região, "tendo realizado reunião pública em 2016 e reunião com representantes da comunidade em 2018, ocasiões em que o projeto foi apresentado e os esclarecimentos às dúvidas da comunidade foram devidamente prestados".
"As comunidades próximas à área de Cação foram beneficiadas pelo projeto nacional Rede de Parceiros Multiplicadores, que realizou a formação de gestores, coordenadores pedagógicos e professores de escolas municipais e ONGs, para qualificar as aulas de educação física e esporte. As comunidades também estão sendo beneficiadas pelo projeto Territorialização e Aceleração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), executado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que promove a formação cidadã e a ampliação das capacitações locais para o desenvolvimento territorial sustentável."

ES TEM 19 PROJETOS PARA DESMONTAR PLATAFORMAS E INSTALAÇÕES EM TERRA

Dados da ANP apontam que o Espírito Santo tem 19 planos de descomissionamento aprovados ou em análise. São estimados R$ 597,13 milhões de investimentos das empresas operadoras, até 2024, para abandonar os poços, retirar equipamentos e recuperar as áreas.
Com isso, segundo estimativa do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás (FCP&G), devem ser gerados 2 mil empregos diretos e indiretos com os projetos nos próximos anos, o que vai movimentar a cadeia de fornecedores do setor trazendo novas oportunidades de negócio.
O maior dos projetos é o desmonte da plataforma de Cação, pelo fato da estrutura ficar no mar. Os outros 18 são campos terrestres, nas cidades de São Mateus, Linhares e Conceição da Barra.
Pelo país, a expectativa é que a indústria do descomissionamento dê um salto nos próximos anos. Só o plano estratégico da Petrobras para o período de 2021-2025 prevê que 18 plataformas de produção no mar serão desmontadas.

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