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Entenda em 5 pontos

Preço do gás deve subir e encarecer comida, transporte e conta de luz no ES

Com o aumento do preço do gás, toda a economia poderá ser afetada, já que a commodity é usada por indústria, casas e até por veículos automotores

Publicado em 15 de Novembro de 2021 às 07:59

Isabella Arruda

Publicado em 

15 nov 2021 às 07:59
Não é de hoje que escutamos que o preço do gás de cozinha, feito por meio do petróleo, está nas alturas. Mas, muito além dele, outro combustível presente no dia a dia das pessoas, o gás natural também deve entrar numa trajetória de alta. 
Esse item, que abastece indústrias, algumas casas, termoelétricas e até veículos automotores está subindo no mundo inteiro e o Espírito Santo não está imune às consequências. Sobre o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), este sim utilizado nas cozinhas por meio das botijas também deve continuar com o preço em alta.
Preço do gás deve subir e encarecer comida, transporte e conta de luz no ES
Nesta semana, a Petrobras propôs aumentos que significam dobrar ou até quadruplicar o preço da molécula a partir de 1º de janeiro de 2022 para novos contratos com as distribuidoras de gás. A situação pode representar sufoco aos condutores que fugiam também do aumento da gasolina.
E a primeira pergunta que se faz é: por que o gás teve aumento de preço em nível internacional? E a resposta engloba uma série de fatores, como explicou o presidente do ES Gás, Heber Resende. Inicialmente, é possível dizer que houve escassez na oferta da commodity e muita procura.
ES Gás assumiu a concessão da distribuição de gás natural canalizado no dia 1º de agosto
ES Gás assumiu a concessão da distribuição de gás natural canalizado Crédito: ES Gás
"O mundo está demandando mais gás e estão sendo exigidos preços maiores pelo produtor. Países como Japão e outros asiáticos, bem como países europeus, estão comprando e aceitando os preços praticados. No passado, já houve excesso de oferta, mas não há mais", disse. Entenda os fatores para a escassez:

Efeito Rússia

Segundo o presidente da ES Gás, um primeiro fator a ser elencado para o aumento dos preços, é o aumento da demanda de gás em razão da proximidade da chegada do inverno nos países do Hemisfério Norte. Com isso, cresce o consumo para aquecimento da população. Mesmo com uma grande capacidade de armazenamento de gás pela Europa, há que se considerar que as reservas no continente diminuíram com aumento da demanda.
Durante a pandemia do coronavírus, a atividade econômica se viu prejudicada. Mas com a retomada dela, alavancada também pela chegada da vacina, houve aumento da demanda por combustíveis. "Em especial a retomada das atividades na China, que é o grande vetor do crescimento econômico mundial. Com isso os preços foram para as nuvens. É preciso reconhecer que já tivemos preços muito baixos do gás em um passado recente, o que mostra que não há uma consistência na oferta, mas um desbalanço e preços flutuantes", explicou o especialista. Segundo ele, alguns produtores de gás chegam a fechar as jazidas em momento de baixa demanda e agora não têm a oferecer.
Outro fator que explica a alta dos preços do gás é a pressão internacional pela utilização de matrizes energéticas menos poluentes. "O gás tem servido como combustível de transição para uma economia de baixo carbono. Países que usavam energéticos mais poluentes, como o diesel, têm feito a substituição pelo gás, contribuindo para o aumento da demanda", disse Resende.
Outro fator que tem ocorrido no mundo é a alta no preço do petróleo e isso afeta também o gás natural. As duas commodities são produzidas de forma associada. Num mesmo poço onde é extraído o óleo é também retirado o gás. Por isso, que um acaba afetando o outro. Sem contar que parte do gás, acaba sendo injetado nos poços para produzir mais petróleo. Então, com esse desperdício e com a alta demanda por gás, os preços sobem.
O país é um dos maiores produtores de gás em todo o mundo. E as queixas do crescimento da demanda por gás pela Europa fez os preços dispararem. O medo era uma possível limitação de vendas à Europa. 

IMPACTO NO BRASIL

O Brasil não foge à regra e o preço do gás também tende a subir. Isso porque a Petrobras ainda domina o mercado no setor, mesmo diante do acordo realizado no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 2019, o qual prevê que a estatal se comprometeria a vender toda a participação em empresas de transporte e distribuição de gás no país.
Segundo Heber Resende, a questão da troca dos atores do fornecimento de gás no Brasil leva tempo. "Não é só retirar a Petrobras da cena e deixar vir outra empresa. Existem questões de infraestrutura essencial para fazer com que o gás saia de um ponto a outro. Os novos produtores precisam ter acesso às unidades de processamento e também de transporte e isso ainda não está resolvido no Brasil. O legislador pode ter esquecido de pensar nessa transição", afirmou.
Assim, diante da pressão para a venda de gás pela Petrobras, já que é a detentora atual da capacidade de atendimento às distribuidoras, a estatal alega não ter a commodity em quantidade suficiente para suprir toda a demanda das distribuidoras e terminais.
"Ela diz então que precisa comprar do mercado externo e o preço está caro. Acaba que vivenciamos então um preço parecido com o do resto do mundo. Somado a isso, a Petrobras está adotando uma precificação que leva em conta o valor pago por ela à última molécula adquirida, ou seja, que tem sido do mercado internacional", acrescentou.

PROJEÇÕES PARA O ESPÍRITO SANTO

Com a tendência generalizada de aumento no preço do gás, a preocupação já é uma realidade no Estado. Segundo o presidente da ES Gás, foi inclusive realizada uma chamada pública para aquisição de gás para os consumidores cativos, que pedem ajuda à instituição. "Estamos terminando de processar as propostas, esses consumidores pedem preços diferenciados que os atendam", disse.
"Temos gás contratado somente até 31 de dezembro, já que os contratos são anuais. Estamos buscando alternativas fora da Petrobras, a preços menores. Se não, compraremos da estatal mesmo, porque não podemos ficar sem gás, seria uma tragédia ainda maior"
Heber Resende - Presidente da ES Gás
Hoje, segundo Resende, há associações brasileiras que buscam no Cade defender uma transição na forma como o gás é distribuído - fora do monopólio estatal - e na precificação adotada pela Petrobras, passando a deixar de cobrar o preço da última molécula adquirida.
"O legislador brasileiro esqueceu do preço de transição, talvez por não terem esperado essa crise. Há algum tempo, o governo cogitava queda de 30% nos preços. Mas percebemos um aumento de 300% em relação ao preço contratado anteriormente. A transição não se preocupou na forma de contabilizar o preço, então não está sendo de fato a melhor forma para o país", ressaltou.

GÁS DE COZINHA

Sobre o GLP, usado nas botijas, por consequência também poderá ter os preços afetados. "Ele é um gás mais pesado que o natural, com maior eficiência energética. São substitutos e competem um com o outro. Pelo andar da carruagem, terá preços maiores sim. O Brasil sempre foi importador de GLP, os preços são internacionais. E mesmo antes de subir o preço do gás natural, o do gás de cozinha já havia aumentado e a população tem reclamado muito, com botijas custando até mais de R$ 100. Ou seja, quase dobrou nos últimos meses e não sei se vai parar", finalizou.

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