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Leilão a caminho

União quer conceder Terminal Pesqueiro de Vitória até dezembro

Atualmente, o local é usado por cerca de 300 barcos e 2,5 mil pescadores capixabas. Edital deve ser lançado no terceiro trimestre deste ano

Publicado em 27 de Janeiro de 2021 às 20:13

Siumara Gonçalves

Publicado em 

27 jan 2021 às 20:13
Terminal Pesqueiro de Vitória
Terminal Pesqueiro de Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva
governo federal quer conceder o Terminal Pesqueiro Público (TPP) de Vitória até o fim deste ano. O projeto faz parte do plano de desestatização de diversos ativos da União. A estimativa inicial, de acordo com o Ministério da Agricultura Pesca e Abastecimento (Mapa), é que a realização do leilão aconteça no terceiro trimestre de 2021 e a assinatura do contrato no trimestre seguinte. 
O TPP de Vitória é atualmente administrado pela União e abriga a sede do Ministério da Pesca no Espírito Santo. Ele é um ponto de desembarque de pescado na capital capixaba e agrega, no mesmo espaço, a cadeia de apoio da pesca.
Atualmente, o local é usado por cerca de 300 barcos e 2,5 mil pescadores capixabas. Além deles, embarcações de outros Estados também utilizam o espaço. Os dados são da Colônia de Pescadores de Vitória (Z-5), da Praia do Suá.
Ainda de acordo com a colônia, em tempos normais, fora da época de defeso, são descarregadas até duas toneladas de camarão e mil quilos de peixe ao dia.
Terminal Pesqueiro de Vitória
Terminal Pesqueiro de Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva
A concessão do Terminal Pesqueiro de Vitória foi autorizada no dia 27 de julho do ano passado. No mesmo decreto, também foram qualificados para o Programa de Parcerias e Investimentos da Presidência da República (PPI) os Terminais Pesqueiros Públicos de Natal (RN), Aracaju (SE), Santos (SP) e Cananéia (SP).
O TPP de Vitória fica no Bairro Jesus de Nazaré em um terreno de 3.190 m², com área construída de 1.815 m². Ele compreende uma empresa de fabricação de gelo, responsável pelo abastecimento dos pesqueiros e vendas na redondeza; um tanque de diesel subsidiado para o abastecimento das embarcações; uma esteira, por onde os peixes são descarregados dos barcos; píer e peixarias.
Atualmente, o terminal precisa passar por reformas e receber novos equipamentos para a execução das operações. Mas, segundo o Mapa, somente após a conclusão dos estudos pelo ministério, será possível verificar a situação real do ativo. 
"Além disso, [os estudos] vão indicar também a estimativa de investimentos necessários para melhoria da estrutura do terminal, dentre eles a reestruturação do píer ou cais de atracação do TPP"
MInistério da Agricultura, Pesca e Abastecimento - em nota
A modelagem de concessão ainda não foi definida. Isso só deve acontecer após a consulta pública, que tem previsão de ser aberta até o terceiro trimestre deste ano, quando o governo federal pretende também lançar o edital.
Caso siga o modelo previsto pela Secretaria Especial do PPI do Ministério da Economia para o TPP de Cabedelo (PB), a concessão do TPP de Vitória será de 20 anos, podendo ser prorrogada por mais 5 anos. O Terminal Pesqueiro de Cabedelo foi escolhido pela para ser o projeto-piloto de privatização dos Terminais Pesqueiros Públicos do governo federal.
De acordo com o edital aberto em dezembro do ano passado, a empresa ou consórcio vencedor da concorrência – que segue modalidade de maior preço – deverá fazer investimentos para a revitalização e modernização global do terminal.

GESTÃO DO TERMINAL DE VITÓRIA

O Ministério ainda explicou, em nota, que, inicialmente, o TPP era gerido diretamente pela União. Porém, a adoção desse modelo requeria que o poder público arcasse com todos os custos operacionais do empreendimento, como o gerenciamento dos contratos de mão de obra especializada, manutenção predial e de equipamentos, vigilância patrimonial, entre outros.
"Esse modelo foi, de certa forma, compatível com as condições desta pasta em período anterior, compreendido entre os anos de 2003 e 2015, haja vista a capacidade orçamentária condizente e o adequado quantitativo de colaboradores", complementou"
MInistério da Agricultura, Pesca e Abastecimento - em nota
Ainda de acordo com o Ministério, entretanto, foi observado ao longo desse período a deficiência na gestão dos terminais caracterizada pela falta de expertise do poder público na administração dessa categoria de empreendimento. Além disso, a estrutura física demandava muita manutenção, o que gerava um custo elevado.
"Considerando o cenário de forte restrição orçamentária imposta à administração pública federal, foi proposto a adoção do modelo de administração indireta para esses empreendimentos, como sendo o novo padrão a ser adotado, em especial na forma de concessão de uso do bem público", disse a pasta. 
"Desta forma, esta Secretaria está realizando todos os esforços para regularizar a operação do TPP de Vitória, fato que pode ser comprovado por qualificação deste projeto como prioridade nacional, por meio de sua inclusão no PPI"
MInistério da Agricultura, Pesca e Abastecimento - em nota

TPP JÁ FOI ADMINISTRADO POR EMPRESA PRIVADA

Vale ressaltar que, em 2006, uma empresa privada chegou a administrar o TPP de Vitória com um contrato com data de vencimento prevista para 2012. Porém, de acordo com o Mapa, já que a concessionária não havia cumprido os termos contratuais realizando os investimentos necessários, foi iniciada, em 2011, uma briga judicial para a retomada do local.
Apenas em 2015, a União conseguiu de volta o terminal e, com isso, a sede do Ministério da Pesca no Espírito Santo foi transferida para lá.
Terminal Pesqueiro de Vitória
Terminal Pesqueiro de Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva

FUTURO DA COLÔNIA DE PESCADORES

De acordo com o Mapa, a colônia de pescadores Z-5, bem como toda comunidade pesqueira e aquícola da região será atendida pelo futuro concessionário do Terminal Pesqueiro de Vitória.
Segundo o presidente da Colônia de Pescadores de Vitória, Álvaro Martins da Silva, a infraestrutura atual do terminal não comporta mais o número de pescadores que atuam no local. Além disso, ele aponta que o local demanda reforma.
Segundo Alvaro, existe também o receio de que a empresa que vai assumir a operação do local proíba que eles trabalhem no terminal. "Vamos brigar para não aceitar essa privatização. Se fosse o governo ajudando para fazer um terminal bonito para os pescadores, seria ótimo. Agora, vir aqui privatizar, para a empresa que ganhar o leilão poder fazer o que quiser, não dá", afirmou.

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