Com planos de ampliar suas atividades no Espírito Santo, a petroleira norueguesa Equinor (antiga Statoil), que já tem blocos de exploração de petróleo no Estado, deu mais um passo para produzir energia limpa, a partir de ventos, na região de Itapemirim, no Litoral Sul capixaba.
Em agosto de 2020, a empresa deu entrada no pedido de licenciamento de um parque eólico offshore (no mar) no Estado e outro no Norte do Rio de Janeiro, com capacidade de 2 gigawatts (GW) cada, totalizando 4 GW, conforme noticiou A Gazeta.
Neste mês de novembro, a Equinor deu sequência ao plano, ao solicitar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o termo de referência (TR), que é o documento que estabelece as diretrizes que irão nortear o desenvolvimento do estudo de impacto ambiental do projeto.
As informações foram passadas pela analista ambiental do Ibama-ES, Renata Pires Nogueira Lima, no evento Oil, Gas And Energy Week, organizado pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), na última terça-feira (9).
"Aqui no Espírito Santo nós temos dois processos de licenciamento. Um deles é o da Equinor, que foi aberto primeiro, em agosto de 2020, teve análise de competência feita em novembro de 2021 e a solicitação de TR também em novembro", explicou Renata.
E acrescentou: "Essa fase de solicitação de TR é a que o Ibama disponibiliza o documento padrão e o empreendedor tem que apresentar suas contribuições."
Além do Ibama, a própria Equinor apresentou os modelos de energia eólica no evento. Nesta quarta participam integrantes de grandes empresas, como Petrobras, ArcelorMittal Tubarão e da ES Gás.
A solicitação feita pela gigante norueguesa é uma das etapas necessárias para obtenção da licença-prévia, a primeira de três fases para que as operações possam ser iniciadas.
Trata-se do maior projeto de energia eólica já apresentado a órgãos ambientais no país e também a primeira iniciativa dessa fonte energética da empresa no Brasil, sendo que a empresa tem operações similares na Europa desde 2017.
Os parques foram batizados de Aracatu I, que ficará na costa do Rio de Janeiro, com a energia levada por cabos para Campos do Goytacazes; e Aracatu II, que levará energia para Itapemirim.
As estruturas serão instaladas a cerca de 20 quilômetros da costa, em profundidades entre 15 e 35 metros. Serão ao todo 320 turbinas (aerogeradores), 160 por parque eólico, cada um com capacidade nominal de 12 MW.
Cada parque eólico terá uma subestação de conversão em alto-mar, de onde será feito o escoamento para a costa. Em terra, outras subestações farão a conexão com a rede interligada de transmissão de energia elétrica.
Para se ter ideia do tamanho do empreendimento, a energia gerada pelas turbinas nos dois parques seria suficiente para abastecer todas as residências do Espírito Santo e ainda sobra.
Também no Sul, uma empresa do Rio de Janeiro deu início ao processo de licenciamento para implantação de um empreendimento eólico no mar. A proposta é da companhia Votu Winds.
O projeto é composto por três parques eólicos distantes de 20 km a 45 km da costa Sul do Estado, abrangendo Itapemirim, Marataízes e Presidente Kennedy. Cada uma das unidades contará com 48 turbinas (aerogeradores), que serão conectadas por cabos de transmissão a uma subestação offshore própria.
A empresa, que deu entrada no pedido de licenciamento em dezembro de 2020, também solicitou, em julho, o termo de referência para a continuidade dos procedimentos.