Julia Mofati, de 22 anos, é uma estudante de Educação Física da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) com um astral lá em cima, que nunca deixou se abalar pela deficiência. "Fui educada a lidar com tudo o que viesse, sempre participei de tudo, sou descolada. As pessoas diziam que sou maneira do meu jeito. Mas percebia que, infelizmente, outras pessoas como eu, com visão monocular, não se sentiam representadas", contou.
Depois da iniciativa da cantora Pop internacional Rihanna em ter contratado um modelo com deficiência visual para campanha da marca própria, chamada Fenty, diversas pessoas ao redor do mundo se inspiraram em tirar fotos mostrando os olhos: e Julia foi uma delas.
Senti que mudou muita coisa. As pessoas com essa coloração diferente no olho se perceberam muito mais representadas. Várias não postavam foto do rosto há anos e se sentiram encorajadas a isso. Eu pensei que finalmente chegou a hora de sermos vistos. Foi algo incrível demais
Julia também explicou que a primeira pessoa a publicar uma foto na sequência da campanha internacional foi a "@pretajeix", no perfil do Twitter e que, a partir daí, deu-se início a um movimento. "Eu nunca tinha visto nada igual desde que me entendo por gente. Não é nem por mim, eu sempre pensei que podia me aceitar, mas muita gente ficava escondida e não pode ser assim. Sempre fui incluída em tudo, dançava na escola, por exemplo", afirmou.
Me olho e sei que sou incrível. Não só por ter essa deficiência, mas acho que todo mundo deveria se sentir assim também. Às vezes as pessoas se cobram demais e fazem uma bola de neve por muito pouca coisa.
A universitária lamenta apenas que quando era bem nova sofreu muito junto aos pais. "Tinha quem me chamasse de vesga, tinha quem olhava e questionava. Meus pais sofriam muito, sempre paravam os dois na rua para perguntar se eles não sentiam pena de mim. Minha mãe, até aceitar isso, ia embora dos lugares porque não aguentava. Mas vencemos tudo isso com muita aceitação", finalizou.