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Caso chocante

Após 1 ano, Justiça vai interrogar psicólogo réu por estupro de crianças autistas no ES

Acusado de oito casos de estupro de vulnerável em clínica de Cariacica segue preso; audiência está marcada para este mês
Jaciele Simoura

Publicado em 

20 fev 2026 às 06:38

Publicado em 20 de Fevereiro de 2026 às 09:38

Psicólogo do ES foi preso em MG suspeito de abusar sexualmente de pacientes
Psicólogo do ES foi preso em MG suspeito de abusar sexualmente de pacientes Crédito: Polícia Civil de Minas Gerais
Um ano após ser preso, o psicólogo acusado de abusar sexualmente de crianças autistas durante sessões de terapia em uma clínica de Cariacica, na Grande Vitória, no Espírito Santo, será interrogado pela Justiça. A audiência de instrução e julgamento está marcada para a segunda quinzena deste mês. O nome do réu não está sendo divulgado para preservar a identidade das vítimas, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad).
O homem foi preso em 20 de fevereiro de 2025, após investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Ele foi indiciado por ameaça, oito casos de estupro de vulnerável e dois de aliciar, assediar, instigar ou constranger criança com o fim de praticar ato libidinoso.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e aceita pela Justiça, tornando o psicólogo réu. O processo tramita sob sigilo por envolver menores de idade. Segundo o MPES, duas audiências já foram realizadas, com a oitiva das vítimas e das testemunhas. Agora, será realizado o interrogatório do réu, que permanece preso.
As investigações apontam que os abusos ocorreram entre setembro de 2023 e janeiro de 2024. Entre as vítimas estão crianças autistas não verbais, ou seja, com dificuldade ou impossibilidade de falar.
De acordo com a apuração policial, o profissional trancava a porta da sala durante os atendimentos — prática proibida pela clínica — e cobria as câmeras de monitoramento com papel. À Polícia Civil, ele afirmou que fazia isso para “descansar ou usar o celular”, versão descartada pelos investigadores. O psicólogo foi preso na zona rural de Bom Jesus do Galho, em Minas Gerais, após denúncias de pais e relatos das próprias crianças.
À época, a delegada Gabriella Zaché, adjunta da DPCA, informou que as primeiras denúncias foram registradas em 4 de janeiro do ano passado, quando a mãe de uma menina de oito anos, autista de grau 1, relatou que a filha teria sido abusada durante as sessões.
A criança conseguiu revelar o ocorrido após o psicólogo ser demitido, em 28 de janeiro. Segundo a delegada, a clínica informou que o profissional foi dispensado devido a reclamações de pais sobre sua falta de paciência ao atender meninos e por descumprimento de protocolos internos, como trancar a porta e tampar as câmeras.
Uma das mães, que preferiu não se identificar, relatou à TV Gazeta que o filho, também autista, apresentou mudanças de comportamento após o atendimento. “De cara, meu filho não ficou bem. E foi só piorando. Eu levava ele à terapia com o coração na mão. Ele chorava muito. Chegou uma época que eu não aguentava mais ver ele chorando”, contou.
O psicólogo trabalhou na clínica entre 2023 e 2025. À Polícia Civil, afirmou que cobria as câmeras para “descansar ou usar o celular”. A versão foi descartada pelos investigadores, que apontaram que, em outras gravações, ele aparece utilizando o aparelho sem tampar os equipamentos.
As investigações indicam que os abusos ocorreram de forma reiterada entre meados de setembro de 2023 e janeiro de 2024.
Segundo a delegada, mesmo após a demissão, o homem teria levado para tomar sorvete uma menina de oito anos, irmã de um paciente de dois anos. A clínica considerou o comportamento inadequado e comunicou os pais. A criança chegou a participar de algumas sessões do irmão, embora não fosse paciente.

Figura carismática

De acordo com relatos colhidos pela reportagem, o psicólogo se apresentava como uma figura carismática e preocupada com as famílias. Era descrito como educado, vestindo-se com roupas formais e cobrando valores simbólicos de pacientes com dificuldades financeiras, o que reforçava a imagem de alguém prestativo.
Procurado pela reportagem sobre a situação do registro profissional do suspeito, o Conselho Regional de Psicologia do Espírito Santo (CRP-ES) informou, em nota, que penalidades previstas no Código de Ética, como suspensão ou cassação do registro, só podem ser aplicadas e divulgadas após a conclusão de processo disciplinar ético.
O conselho reafirmou o compromisso com a apuração rigorosa de denúncias relacionadas ao exercício profissional da Psicologia.
“Situações que envolvem violação dos direitos humanos são averiguadas em caráter prioritário por esta Autarquia, mediante a adoção de ações previstas nas normativas e legislações do Sistema Conselhos de Psicologia (Conselhos Federal e Regionais)”, informou.
As informações sobre eventuais penalidades são divulgadas no site da autarquia.
Após 1 ano, Justiça vai interrogar psicólogo réu por estupro de crianças autistas no ES
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