A Justiça do Espírito Santo determinou que o empresário Sergio Magalhães Gaudio, 77 anos, condenado na última sexta-feira (18) a 21 anos de prisão por ter mandado matar a mulher, em outubro de 2001, cumpra a pena, temporariamente, em casa, com uso de tornozeleira eletrônica.
A decisão liminar, ou seja, provisória, foi assinada no último sábado (19) pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) Ney Batista Coutinho, após a defesa de Gaudio entrar com um pedido de habeas corpus. Na decisão, o magistrado aponta laudos e receituários médicos apresentados pelo empresário que atestam que ele tem problemas de saúde.
"Em razão do estado de saúde apresentado pelo paciente, entendo mais prudente, ao menos num primeiro momento, decretar sua prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica, nos termos do artigo 318, do CPP, o que poderá ser reavaliado quando da análise do mérito", registrou o desembargador na decisão.
Além de fazer uso da tornozeleira eletrônica, Gaudio fica proibido de sair de Vitória, além de ter que se apresentar periodicamente à Justiça.
O CRIME
Sergio Magalhães Gaudio foi condenado por homicídio duplamente qualificado pelo assassinato da companheira Vanuza de Barros. O crime aconteceu em outubro de 2001, em Jardim Camburi, Vitória.
Vanuza tinha 28 anos quando foi morta com dois tiros - um na cabeça e outro no ombro - ao sair da clínica onde trabalhava. Ela foi abordada por um homem, um pistoleiro contratado por Gaudio para cometer o crime.
O casal estava junto há dois anos e tinha um relacionamento conturbado, com muitas brigas, segundo a família. O empresário era ciumento e teria até contratado um detetive para vigiar a companheira a fim de saber o que ele fazia, o que foi destacado na sentença de condenação.
Empresário é condenado a 21 anos de prisão por mandar matar a mulher em Vitória
Após descobrir uma traição, ele teria então planejado a morte dela. Antes disso, contudo, fez um seguro de vida no nome de Vanuza, do qual ele era o único beneficiário.
" Era extremamente ciumento, a ponto de colocar aparelhos de escuta telefônica no telefone da vítima e contratar detetives para investigar seus passos, o que aterrorizava a vítima, vindo a praticar o crime com extrema frieza", registrou a juíza Lívia Regina Bissoli Lage na leitura da sentença.
Na última sexta-feira, após mais de 20 anos do crime, Sergio Gaudio foi condenado pelo Tribunal do Júri. A ele foi estipulada uma pena de 21 anos, 10 meses e 15 dias, o que inicialmente seria cumprida em regime fechado.
Empresário do ES condenado por mandar matar a mulher vai para prisão domiciliar