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Crimes contra policiais

ES soma quatro PMs assassinados em 2022; em 17 anos, são 37 casos

Mortos no último dia 16, os soldados Celini e Ferrani estão na lista dos cinco policiais que foram assassinados em serviço, desde 2005

Publicado em 26 de Outubro de 2022 às 08:17

Jaciele Simoura

Publicado em 

26 out 2022 às 08:17
Sargento Romania e os soldados Comper, Ferrari e Celini morreram neste ano. Os dois primeiros durante folga
Sargento Romania e os soldados Comper, Ferrari e Celini morreram neste ano. Os dois primeiros foram assassinados em dia de folga. Os dois últimos morreram em serviço Crédito: Montagem/Acervo pessoal
Com a morte de Paulo Eduardo Oliveira Celini, de 29 anos, e Bruno Mayer Ferrani, de 30 anos, no último dia 16, chegou a quatro o número de policiais militares assassinados no Espírito Santo neste ano. Além da dupla de PMs morta durante o serviço, em Cariacica, outros dois agentes de segurança foram alvo de criminosos durante o momento de folga.
O número de homicídios de profissionais dessa categoria em 2022 é o maior desde 2017, quando quatro foram assassinados, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), todos esses estavam de folga. Em serviço, não ocorria homicídios de PMs desde 2015, quando foi registrado um caso.
Ao todo, desde 2005, ocorreram 37 assassinatos de policiais militares. Cinco deles estavam em serviço e 31, de folga. O outro era policial da reserva. 
Em 2021, apenas um policial militar de folga foi assassinado no Espírito Santo. Nenhum foi morto em serviço, de acordo com dados. No país, foram 77,4 casos de folga e 22,6 em serviço, conforme mostram  informações do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Além disso, nesse mesmo período, 10 policiais civis foram mortos no Estado, sendo que seis estavam de folga e quatro em trabalho. Os dados são da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp).
Na madrugada do dia 16 de outubro, os soldados Paulo Eduardo Oliveira Celini e Bruno Mayer Ferrani realizavam uma ronda e avistaram uma tentativa de assalto em Cariacica. Os criminosos fugiram, mas foram perseguidos pelos policiais que acabaram assassinados em uma emboscada.
Além desse crime recente, o mês de fevereiro deste ano também ficou marcado pelo assassinato de dois policiais militares. Ambos estavam em folga.
No dia 7 de fevereiro, Fernando da Cruz Comper, de 33 anos, foi baleado em frente a um supermercado em Nova Carapina II, na Serra. Ele chegou a ficar internado em estado grave por nove dias, mas não resistiu e morreu
As investigações, conduzidas pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Serra, concluíram que o crime foi motivado por vingança. Em 2021, Everton dos Santos Silva, de 28 anos, foi assassinado durante uma abordagem da Polícia Militar em Central de Carapina, no mesmo município. O primo do homem morto resolveu matar o soldado Comper, que não estava de serviço no dia que ocorreu a abordagem, em vingança, apenas por ele ser policial.
A polícia conseguiu prender os quatros suspeitos de participarem do crime.
Nove dias depois, um sargento da PM morreu após ser baleado em um bar em Joana D’arc, Vitória. Marco Romania estava no local assistindo a um jogo de futebol na TV, com amigos, quando indivíduos armados tentaram assaltar o estabelecimento e dispararam contra o policial.
No ano passado, foi registrado um assassinato de PM e um homicídio de um policial civil. Ambos estavam de folga. O soldado Richard Pereira Rocha, de 35 anos, que atuava na Força Tática, estava de folga com dois colegas. Eles foram em um bar no bairro Shell, em Linhares, cumprimentar um amigo que fazia aniversário. Nesse momento, um homem apareceu armado e atirou na direção das pessoas que estavam no estabelecimento.
Os policiais teriam revidado os disparos, atingindo o suspeito, que morreu no local. No entanto, o soldado Rocha foi baleado na cabeça. Ele foi socorrido e levado para o Hospital Geral de Linhares, onde chegou em estado gravíssimo e não resistiu ao ferimento.
Em 2020, um policial militar da reserva foi morto. Trata-se de Mario André do Carmo Morandi, que atuava como técnico júnior no gabinete do deputado Capitão Assumção. Cinco suspeitos foram presas por envolvimento no crime. De acordo com a polícia, eles teriam sido contratados para matar a vítima.
“A ousadia dos criminosos é demonstrada de forma mais acentuada quando ocorrem ataques em desfavor de policiais, uma vez que estes representam o braço armado do Estado. Isso nos leva a um questionamento: se os criminosos se sentem confortáveis para atacar e emboscar policiais, o que estão dispostos a fazer contra a população em geral?”, questiona o delegado da Polícia Civil do Paraná e mestre em Segurança Pública Thiago Andrade.

CRIMINOSOS FICARAM MAIS OUSADOS

Para o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Espírito Santo (ACS), cabo Jackson Eugênio Silote, o que está acontecendo no Estado é o reflexo do aumento da criminalidade, ligado à ousadia dos bandidos que já não temem mais as leis.
“Falta legislação penal que realmente venha a punir crimes como esse. Falta atenção do Poder Público aos nossos policiais. Além das famílias desses policiais, quem perde é a sociedade”, comentou.
Enterro Celini
Enterro do soldado Celini, morto em uma emboscada Crédito: Fernando Madeira
Jackson alerta para as recentes informações de que criminosos do Estado fecharam parceria com traficantes do Rio de Janeiro para o fornecimento de drogas e armas, além de fugitivos do Espírito Santo terem refúgio em comunidades cariocas. Recentemente, A Gazeta divulgou um relatório de mais de 500 páginas que mostra uma rede de colaboração e troca de informações entre traficantes capixabas e bandidos cariocas.
“Existe uma glamourização da criminalidade e está cada vez mais difícil ser policial. Não podemos esquecer, jamais, as mortes desses policiais, pois a próxima vítima pode ser um cidadão de bem. Quando morre um policial, morre um protetor da sociedade”, destacou o cabo Jackson Eugênio.
O mestre em segurança pública Thiago Andrade lembra que matar policiais, quando há relação com o exercício da função militar, configura crime hediondo.
“Contra todo ataque em desfavor de policiais, a resposta estatal deve ser dura e célere. A prisão e condenação dos criminosos é medida salutar para inibir novas afrontas. A condenação com a pena máxima prevista ao crime e a inclusão em regime disciplinar diferenciado são medidas necessárias”, disse o delegado.

MÉDIA DE IDADE DOS ÓBITOS DE POLICIAIS É DE 58 ANOS

O resultado parcial de um estudo realizado por pesquisadores do Departamento de Ciências Farmacêuticas e do Departamento de Estatística da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), indicou que a média de idade de óbitos de policiais militares e bombeiros militares é de 58,66 anos. O documento foi apresentado ao comando-geral da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) no último mês.
Para chegar nessa média, a equipe analisou 2.145 atestados de óbitos que deram entrada na Caixa Beneficente dos Militares Estaduais do Espírito Santo (CBMEES) para fins de recebimento de pecúlio — benefício pago aos herdeiros legais do contribuinte.
A pesquisa, que está em andamento, estudou os falecimentos ocorridos entre os anos de 1988 a 2018 e descobriu que a maioria das mortes está relacionada a doenças do coração, favorecidas pelo estresse profissional.
Entre as principais causas de mortes, estão as cardiovasculares (30,35%); as externas, a exemplo de mortes violentas (26,81%); e  neoplasias/câncer (15,15%).
Foi verificado ainda que, do total dos óbitos investigados, 97,76% eram policiais militares; 99,35% eram militares do sexo masculino; e 43,22% eram soldados ou cabos.

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