Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Caso Thiago Nossa

Grupo teria sido contratado para matar mais empresários em Guarapari

Decisão da Justiça estadual manteve prisão preventiva de três suspeitos. Pelos depoimentos já prestados à polícia, criminosos foram contratados para "fazer limpa" de rivais do suposto mandante. Entenda

Publicado em 14 de Janeiro de 2022 às 12:47

Vilmara Fernandes

Publicado em 

14 jan 2022 às 12:47
Empresário Thiago Simões Nossa foi assassinado a tiros em Guarapari
Empresário Thiago Simões Nossa foi assassinado a tiros em Guarapari Crédito: Reprodução / Arte A Gazeta
Os executores do empresário Thiago Simões Nossa, 31 anos, assassinado em 11 de dezembro do ano passado, foram contratados para “realizar uma limpa” em Guarapari. Pelos depoimentos já prestados à polícia, pelo menos outros dois empresários da cidade também seriam mortos.
As informações constam de decisão judicial desta quarta-feira (12). O juiz da 1ª Vara Criminal de Guarapari, Eliezer Mattos Scherrer Júnior, negou o novo pedido de prisão preventiva apresentado pela Polícia Civil para o apontado como mandante do crime e dois dos intermediários. A solicitação foi aceita para dois executores e uma intermediária. Foi ainda revogada a prisão de um sétimo suspeito pelo crime.
Pela decisão,  a que A Gazeta teve acesso, são suspeitas de participação no crime as seguintes pessoas:
  • Valdecir Nunes Alves - o empresário é apontado como mandante do crime. Teria contratado os serviços de Valmir. Teve novo pedido de prisão preventiva negado.
  • Valmir  dos Santos Soares - apontado como intermediário do crime, teria contratado os dois executores. Teve novo pedido de prisão preventiva negado.
  • Alexsandra Gomes Brito - tia de Arnaldo, um dos executores, que veio da Bahia para cometer o crime. É apontado que ela ajudou a  intermediar e auxiliar os executores. Teve novo pedido de prisão preventiva negado.
  • Leislania Vitória - casada com Arnaldo. É apontado que ela ajudou a  intermediar e auxiliar os executores. Sua prisão preventiva foi aceita.
  • Arnaldo José Andrade Neto (Nafinho) - Apontado como executor do crime. Sua prisão preventiva foi aceita.
  • Thiago Garcia Amaral dos Santos - Apontado como executor do crime. Sua prisão preventiva foi aceita.
  • Brenno Bispo - É apontado que ele auxiliou no crime, tendo ficado encarregado de desaparecer com o veículo que foi utilizado no dia do assassinato. Sua prisão temporária foi revogada.
Família de empresário morto em Guarapari pede justiça em outdoors pela cidade
Família de empresário morto em Guarapari pede justiça em outdoors pela cidade Crédito: Arquivo familiar

DINÂMICA DO ASSASSINATO DE THIAGO NOSSA

No texto judicial é  relatado que, ao prestar depoimento para a polícia, Valmir informou que o “o homicídio em questão foi a mando de Valdecir, em razão de uma discussão que teve com a vítima”. Pela execução teria sido paga uma quantia de R$ 8 mil reais. Valmir teria sido o responsável por contratar os serviços de Arnaldo (Nafinho) e de Thiago Garcia para a execução da vítima.
Em outro interrogatório feito pela polícia, desta vez Arnaldo, que reside na Bahia, informa que veio a Guarapari a pedido de sua tia Alexsandra. Diz ainda que foi contratado por Valmir para “realizar uma limpa em Guarapari”.
"Inicialmente matariam duas pessoas, mas depois haveria outras; que a prioridade era matar a vítima Thiago Simões Nossa; e que o mandante do crime foi Valdecir, patrão de Valmir"
Trecho de decisão judicial - Depoimento de Arnaldo
É dito ainda na decisão judicial que Arnaldo, em seu interrogatório, relatou que ele e Valmir “fizeram o levantamento dos locais em que a vítima ficava, estando prontos para executá-la caso a encontrassem; que também levantaram a casa do segundo alvo”.
Acrescentou que o segundo executor, Thiago Garcia, que está foragido, também teria participado dos levantamentos dos locais, “assumindo o lugar de Valmir quando da execução”. Diz ainda que tanto ele (Arnaldo), quanto Thiago Garcia estavam em busca da vítima.
É descrito na decisão que Alexsandra era responsável por repassar informações de Valmir aos executores, uma função semelhante a de Leislania Vitória. Outro ponto informado é que após o homicídio, e dias antes de ser preso, quando Arnaldo já estava na Bahia, Valmir iria lhe pagar a quantia de R$ 10 dez mil (para fugir).

OUTROS EMPRESÁRIOS SERIAM ASSASSINADOS

As investigações policiais, aponta ainda a decisão, identificou Thiago Amaral como o segundo executor e apurou que o empresário Valdecir Nunes Alves pretendia utilizar o grupo para executar outros rivais.
Um deles é um empresário que teve uma briga com Valdecir em janeiro de 2020, por conta de um desentendimento em relação ao pagamento por sua participação na obra do calçadão da Praia do Morro, em Guarapari. É dito ainda que há até um boletim de ocorrência com o registro da briga.
Um segundo alvo do grupo seria outro empresário da cidade, fato identificado pela polícia em depoimento de outra pessoa, que foi confundida com a possível vítima, e relatou ter recebido ligação de uma pessoa  dizendo que também seria morta pelo grupo. Os nomes destas pessoas não estão sendo informados por se tratar de uma situação de risco de vida.
Família de empresário morto em Guarapari pede justiça em outdoors pela cidade
Família de empresário morto em Guarapari pede justiça em outdoors e faixas  pela cidade Crédito: Arquivo familiar

RISCO DE FUGA

Além dos depoimentos e interrogatórios dos suspeitos que haviam sido presos, o novo pedido de prisão preventiva informava ainda que havia risco de fuga por parte dos suspeitos.
“Valmir e Alexsandra deixaram a casa em que moravam e foram para o Bairro Bela Vista, ficando temporariamente na casa de parentes; Arnaldo e Leislania estavam aguardando o envio de dinheiro por parte de Valmir para que pudessem fugir. Em relação a Valdecir, quando foram realizadas buscas em sua residência, no momento de sua prisão, no interior de seu veículo havia uma mochila com roupas, objetos de higiene pessoal e seu passaporte, deixando evidente que estava pronto para se evadir”, informa a decisão judicial sobre as investigações da polícia.
Com base nessas informações o juiz informou: "Existem fortes indícios de que os investigados pretendiam se evadir, conforme restou demonstrado durante as investigações, na tentativa de se furtar da aplicação da lei”. E assim decretou a prisão preventiva de Arnaldo, Leilania e Thiago Garcia.
Em relação a Valdecir, Valmir e Alexsandra, informou que a polícia não conseguiu apontar novos elementos que justifiquem a decretação da prisão, e indeferiu o pedido de prisão preventiva deles.
Já Breno, a decisão informa que a participação dele se resumiu a receber de Arnaldo o veículo utilizado no crime, com a incumbência de destruí-lo. Antes que isto ocorresse o carro acabou sendo apreendido pela polícia. O juiz decidiu revogar a prisão temporária de Breno Bispo Fernandes.

CRIME NO ESCRITÓRIO E POSSÍVEL MOTIVAÇÃO

Thiago Simões Nossa foi morto na manhã do dia 11 de novembro de 2021, em seu escritório, em Guarapari, após duas pessoas invadiram o local e tentaram simular um roubo. O empresário foi atingido com tiros e facadas, foi socorrido, mas morreu na ambulância.
No dia 14 de dezembro de 2021, a Polícia Civil realizou cinco prisões, três ocorreram nos bairros Maxinda e Bela Vista, no mesmo município, e as outras duas foram efetuadas em Eunápolis, na Bahia.
Nas investigações da Polícia Civil foi investigado um vídeo que mostra dois homens na região do estabelecimento onde o empresário Thiago foi morto. Inicialmente, eles aparecem de capuz, andando normalmente. Pouco depois, ambos surgem correndo na direção contrária. Confira:

RIXA ENTRE EMPRESÁRIOS

Thiago Nossa era dono de uma empresa de terraplanagem que prestava serviço para a Prefeitura de Guarapari. Também atuava com a empresa de Valdecir, prestando serviços terceirizados,  em algumas obras públicas. De acordo com informações levantadas pela reportagem, havia discórdia entre os dois empresários em relação a valores pagos por alguns serviços prestados. Um deles diz respeito a uma obra realizada na cidade, conhecida como feira do produtor, no Parque da Areia Preta.

OUTRO LADO

A advogada Silvana Lira, responsável pelas defesas de Alexsandra e de Valmir, informou que prefere não se manifestar no momento, acrescentando que ainda não tinha tido acesso à decisão.
Os advogados de Arnaldo, Leislania, Thiago Garcia e Bruno não foram localizados para se manifestar sobre a decisão da justiça estadual.
A manifestação do advogado Israel Jório, que faz a defesa de Valdecir, foi por intermédio de nota, onde destacou, em relação a uma possível prisão do seu cliente, que “seria uma condenação antecipada”. Veja a íntegra da nota:
"O indeferimento do pedido de prisão preventiva feito em desfavor de Valdecir Nunes Alves é uma importante resposta do Poder Judiciário para a sociedade: vale a Constituição Federal e prevalecem os princípios constitucionais que, em razão da presunção de inocência, estabelecem a liberdade como regra e a prisão como exceção. É assim em um Estado Democrático de Direito. O fato de uma pessoa figurar como investigada em um inquérito não autoriza sua punição. Isso seria uma condenação antecipada. Devemos lembrar que nem mesmo há processo, que sequer foi oferecida denúncia. Estamos apenas na fase inicial da persecução criminal e as pessoas já clamam por prisão, como se já houvesse uma prova definitiva da culpa. Valdecir nem mesmo apresentou sua defesa, e já aparece condenado pela opinião pública, apenas com base no que diz a Polícia Civil. Felizmente, o Poder Judiciário, com suas recentes decisões no caso, prestigiou a sobriedade e a técnica. Valdecir estará à inteira disposição do juízo para todos os atos processuais e colaborará para a elucidação dos fatos."

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Soldado dos EUA que participou da captura de Maduro é preso após ganhar R$ 2 milhões em aposta sobre saída do líder venezuelano
Imagem de destaque
O polvo de 19 metros que dominava os mares há 100 milhōes de anos
TJES
Juiz do ES é condenado à aposentadoria pela 2ª vez por não aparecer no local de trabalho

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados