Três suspeitos de matar o vereador Marcos Augusto Costalonga (PL) a tiros no Sul do Espírito Santo em 2021 foram soltos pela Justiça na quinta-feira (30). A decisão do juiz Douglas Demoner Figueiredo foi motivada pelo excesso de prazo, já que os acusados Douglas da Silva Nunes, Elan Martins e Everaldo de Almeida Neto estavam presos há cerca de dois anos com o processo parado, "sem culpa da defesa". O homem apontado como mandante, Gilbert Wagner Antunes Lopes, conhecido como "Wanguinho Batman", continua com ordem de prisão válida por estar foragido.
O Ministério Público do Estado do Espírito Santo explicou que a instrução do processo foi concluída em fevereiro de 2025 e que a demora ocorreu por um conflito de competência ainda em análise em outro processo. O órgão informou que vai analisar a decisão com mais detalhes após receber oficialmente os autos.
Filho se pronuncia
Pela primeira vez, a família do parlamentar decidiu se pronunciar sobre o caso. O filho dele e também vereador da cidade, Marcos Antônio Moreira Costalonga (PSD), descreveu a decisão como "revoltante" e criticou a atuação da Justiça.
"No mês em que vai fazer cinco anos da morte do meu pai, eles [os acusados] são soltos. [...] O Judiciário do Espírito Santo foi omisso, e isso causa revolta não só em mim, mas em outras pessoas que passam pelo mesmo que passei. Minha família perdeu o ente mais importante dela. Meu pai tinha um futuro brilhante, poderia ser prefeito da cidade. A vida da pessoa mais importante da minha casa foi tirada", disse em entrevista para A Gazeta.
Relembre o caso
O parlamentar Marcos Augusto Costalonga (PL), conhecido como Marquinhos da Cooperativa, foi assassinado em 27 de maio de 2021 no interior de Presidente Kennedy. Costalonga voltava de um jogo de futebol acompanhado da esposa e de um amigo, quando uma pessoa de dentro de um yundai HB20 atirou diversas vezes em direção ao veículo Toyota SW4 Hilux dirigido pela vítima.
À época, o amigo da vítima relatou à Polícia Militar que viu um dos quatro suspeitos anunciar um assalto, o que fez o vereador acelerar para tentar fugir. Como o carro que ele dirigia saiu da pista, a esposa e o colega sofreram fraturas. Inicialmente, o crime foi investigado como latrocínio — roubo seguido de morte.
Apenas quatro dias depois (31), um veículo do mesmo modelo usado pelos suspeitos foi encontrado queimado e abandonado no município. Na data, o delegado Thiago Viana explicou que três dos suspeitos também eram investigados por outros crimes na região sul, incluindo um roubo com refém em uma empresa de mármore.
Em 10 de junho de 2024, cinco suspeitos foram presos em Marataízes, Itapemirim e Presidente Kennedy durante a Operação Gatepost, realizada entre a Polícia Civil e a Polícia Militar. Em seguida, as investigações apontaram que a morte de Costalonga foi encomendada pelo miliciano Gilbert Wagner Antunes Lopes, conhecido como "Waguinho Batman".