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No Centro

'Legítima defesa', diz secretário sobre mulher trans morta por guarda em Vitória

Amarilio Boni deu entrevista à Rádio CBN Vitória e afirmou que guardas agiram dentro da legalidade durante a ocorrência

Publicado em 16 de Fevereiro de 2026 às 14:33

Redação de A Gazeta

Publicado em 

16 fev 2026 às 14:33
O secretário municipal da Segurança Urbana de Vitória, Amarilio Boni, comentou sobre o caso da mulher trans que morreu após ser baleada por um guarda municipal, no Centro da Capital, depois de ter esfaqueado outra mulher. Ele afirmou que a morte ocorreu em legítima defesa. 
Boni detalhou que a Guarda Municipal foi acionada por duas pessoas, durante uma briga generalizada, porque outras duas — entre elas Natasha Lucas do Nascimento, que morreu — estavam armadas com uma faca.
"Os agentes deram ordem para que largassem a faca, momento em que a pessoa que veio a óbito desferiu mais dois golpes de faca e atingiu outra pessoa. O agente deu ordem para que ela largasse, mas ela foi tentar mais uma vez desferir outro golpe e o agente efetuou um único disparo", disse o secretário durante entrevista à Rádio CBN Vitória.
O disparo atingiu a região torácica de Natasha Lucas. "Não existe, na atividade de segurança pública, essa questão de atirar no joelho ou no pé, tendo em vista a dificuldade de você realizar um disparo de arma de fogo. Então, o agente agiu dentro da legalidade, que é poder salvar uma vítima de terceiro. Não existia outro meio, senão efetuar esse disparo, senão acabaria atingindo outras pessoas. A guarda agiu em legítima defesa para salvar a vítima de outros", acrescentou.
Questionado se o agente poderia ter usado uma arma não-letal, Boni respondeu que não. "Naquele momento, a agressão que ela poderia realizar poderia ceifar a vida da pessoa que estava sendo agredida pela faca", apontou. Quatro guardas municipais atuaram na ocorrência. 
O secretário afirmou que um procedimento será aberto para apurar a conduta dos agentes, como acontece em todos os casos semelhantes a esse. "A Guarda Municipal foi proteger as pessoas, mas infelizmente tivemos que realizar uma forma letal para cessar a agressão. O agente efetuou um único disparo, então a gente entende que o trabalho do guarda municipal foi feito de acordo com a legislação penal", finalizou. 

O caso

Conforme apuração da TV Gazeta, tudo começou durante uma briga entre Natasha, que estava com uma faca, e outra mulher. As duas já teriam um desentendimento antigo.
"Ela (Natasha) bateu na minha amiga. Eu corri para perto de uma viatura e chamei os guardas. Ela queria me furar. Comecei a me esconder atrás do agente da Guarda. Ela foi para cima de mim e me deu uma facada do lado do agente. Ele falou para ela parar, senão ele ia ter que atirar, e mesmo assim ela não parou", contou a mulher esfaqueada por Natasha, em entrevista à TV Gazeta.
Foi nesse momento, após a facada, que o agente atirou. Natasha chegou a ser socorrida para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (Heue), mas não resistiu aos ferimentos. Duas mulheres que estavam com ela foram levadas para a delegacia para prestar esclarecimentos.

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