Há um mês, o Espírito Santo registrou dois crimes que chocaram a população: a morte do empresário Wallace Borges Lovato, na Praia da Costa, em Vila Velha, e o assassinato do manobrista do Transcol Clovis Brás Júnior, em São Francisco, Cariacica. Um, saía do trabalho; o outro, chegava para o serviço. Ambos tiveram as vidas interrompidas e, até o momento, as motivações são desconhecidas.
Questionada sobre como andam as investigações dos casos, a Polícia Civil respondeu que seguem sendo apuradas pelas Divisões Especializadas de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha e Cariacica.
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, revelou, em entrevista à reportagem de A Gazeta na terça-feira (8), que em breve a corporação vai dar uma resposta sobre os dois casos. "Os crimes foram muito complexos, não pode ser uma investigação de forma muito rasa, tem que se aprofundar para que você possa identificar de fato o verdadeiro autor, coautor, aquele que manda... Temos que encontrar a cadeia do crime."
Três pessoas já foram presas pela morte do empresário, enquanto no caso do manobrista ainda não há suspeitos detidos. Sobre isso, o delegado declarou que as circunstâncias dos crimes foram diferentes: "Com relação ao empresário, conseguimos porque foi no Centro, num local habitado onde você tinha mais recursos, então a coisa fluiu mais fácil. Já o do manobrista foi mais retirado, câmeras com dificuldade, as imagens de péssima qualidade, e então passamos a fazer uma investigação com relação à própria vítima, para saber com quem ela se relacionava, se sofria algum tipo de ameaça. Nós vamos dar uma resposta no tempo certo".
Veja, abaixo, a cronologia de cada um dos crimes:
Empresário: o caso ponto a ponto
- 09/06 (segunda-feira), 14h40 – Suspeitos chegam em um Fiat Pulse e aguardam Wallace por cerca de 2 horas em frente à empresa dele, a Globalsys, na Praia da Costa, em Vila Velha.
- 09/06, 16h45 – Wallace é baleado ao sair da empresa e se dirigir à sua BMW. O atirador disparou do banco traseiro do veículo. Amigos socorreram Wallace para o hospital, com apoio da PM, mas ele não resistiu.
- 10/06 (terça-feira) – Fiat Pulse usado no crime é localizado perto da Terceira Ponte. Polícia confirma que o veículo estava com placa clonada.
- 11/06 (quarta-feira) – Polícia Civil confirma que o crime foi premeditado e analisa imagens para identificar autores e motivação.
- 13/06 (sexta-feira) – Secretário Estado da Segurança Pública confirma que o crime teve uma mandante e que o veículo usado veio de outro Estado.
- 15/06 (domingo) – Missa de sétimo dia de Wallace é realizada na Praia da Costa.
- 17/06 (terça-feira) – Suspeito Arthur Laudevino Candeas Luppi é preso em Minas Gerais.
- 19/06 (quinta-feira) – Arthur Neves de Barros, 35 anos, suspeito de ser o atirador, é preso em Sumé, na Paraíba.
- 23/06 (segunda-feira) – Eferson Ferreira Alves, apontado como intermediário, se entrega à Polícia Civil com advogado.
- 25/06 (quarta-feira) – Arthur Luppi presta novo depoimento na DHPP de Vila Velha.
- 25/06 – Secretário Leonardo Damasceno, em entrevista à CBN Vitória, destaca a organização do crime e reforça combate ao crime de mando no ES.
- 25/06 – Arma do crime ainda não foi encontrada; buscas foram feitas na Rodovia do Contorno, em Cariacica.
- 25/06 – Justiça decreta sigilo absoluto no inquérito, por decisão da juíza Paula Cheim.
Manobrista: o caso ponto a ponto
- 09/06 (segunda-feira) – Clovis chega para trabalhar no bairro São Francisco, durante a noite, e é surpreendido pelo criminoso. Ele tenta correr, mas é atingido. Um tiro também perfurou a porta do carona do carro dele.
- 10/06 (terça-feira), 3h – Motoristas de ônibus da Grande Vitória cruzam os braços e paralisam os serviços em protesto pela morte.
- 10/06 – A reivindicação era por mais segurança dentro dos ônibus e ao redor das garagens.
- 10/06 – O governo do Estado revelou discordar da manifestação. "Temos que dizer que não tem nada a ver com o Transcol o que aconteceu (o crime). A população não tem nada a ver com isso", declarou o secretário de Mobilidade e Infraestrutura do Espírito Santo (Semobi-ES), Fábio Damasceno.
- 10/06, 7h30 – Rodoviários encerram a paralisação e retomam os serviços.
- 10/06 – Polícia Civil disse acreditar que o assassinato de Clovis é tratado como execução: como não foi levado nada dele, a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte) foi descartada.