Os quatro mortos na chacina ocorrida em Flexal II, em Cariacica, na tarde de sábado (23), trabalhavam na criação de animais e foram identificados como pessoas que se posicionariam abertamente contra o tráfico e teriam uma rixa com alguns bandidos, principalmente da facção carioca Terceiro Comando Puro (TCP), que domina a região.
Entre os assassinados, três eram da mesma família: Hélio da Silva Souza, de 58 anos, seu filho Gean de Castro Souza, 39 anos, e o genro de Gean, Ruan Carlos da Silva Ribeiro. Já o quarto executado era Carlos Daniel Rocha dos Santos, um amigo das vítimas.
Um quinto homem de 41 anos, irmão de Gean, levou um tiro no peito, mas conseguiu fugir pela mata na hora dos disparos, deixando um rastro de sangue. Ele foi socorrido com vida e levado a um hospital, onde passou por cirurgia. Seu nome não será revelado por motivos de segurança.
A suspeita é de que um dos alvos dos disparos teria se recusado a reverenciar membros da facção quando passaram por eles.
Todos os cinco estavam em um terreno, fazendo a limpeza e cortando madeira quando foram surpreendidos por um grupo armado. Segundo Boletim Unificado (BU) da Polícia Militar, os alvos do ataque eram moradores antigos da região. Eles não teriam qualquer ligação com atividades criminosas.
Hélio trabalhava com a criação de gado e cavalos e o filho dele, também vítima, era conhecido como Gean Leiteiro porque tinha vaca desde criança. Ele cresceu no bairro cuidando dos animais com o pai.
Já Ruan era pedreiro e estava no bairro com o amigo Carlos Daniel, também morto, para ajudar no corte das árvores. As informações são da repórter Priciele Venturim, da TV Gazeta.
Conflito antigo
Dois suspeitos de participar do ataque foram presos neste domingo (24), um autuado por homicídio e o outro por tráfico de drogas. Outros envolvidos seguem sendo procurados pelas autoridades, que estimam que cinco pessoas tenham participado do crime.
O conflito entre a família de Hélio e os membros de uma facção começou anos antes. Segundo relatos de moradores registrados pela polícia, em 2021, a vítima e seus familiares impediram traficantes do grupo de iniciarem uma "boca de fumo" na região conhecida como Morro da Boa Vista
Em represália por terem barrado o ponto de venda de drogas, a facção assassinou o filho mais novo de Hélio, no mesmo ano, na presença de outros parentes. De acordo com o BU, desde esse episódio, toda a família passou a demonstrar uma "aberta repulsa à atividade criminosa na localidade".
Uma das linhas de investigação agora é que os homicídios tiveram um motivo fútil e cruel de submissão imposta pelo tráfico. Moradores relataram à PM que a organização criminosa tem obrigado toda a comunidade a reverenciá-la, exigindo que as pessoas baixem a cabeça quando estão na presença dos traficantes locais.
Conforme populares, um dos trabalhadores assassinados no sábado não teria baixado a cabeça ao cruzar com um faccionado. Ofendido, o criminoso buscou comparsas e retornou armado para executar o grupo.
Com informações de Priciele Venturin, da TV Gazeta