Dois capixabas estão entre os réus no Supremo Tribunal Federal (STF) apontados como executores dos atos de violência e vandalismo cometidos no dia 8 de janeiro, com a destruição das sedes dos Três Poderes, em Brasília, e continuam presos há mais de 260 dias.
Um deles é o pedreiro e morador da Serra Charles Rodrigues dos Santos. O outro é Tiago Mendes Romualdo, empresário capixaba que vive em Nova Brasilândia d' Oeste, Rondônia, onde atua com lavoura de café clonal.
Por responderem a crimes de maior gravidade, cujas penas podem chegar a 30 anos, Charles e Tiago não podem fazer acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) como outros 20 capixabas e terão de enfrentar julgamento no plenário do STF.
Eles são acusados de ter praticado os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada, mesmos crimes pelos quais foram condenados os três primeiros réus dos atos golpistas julgados pelo Supremo.
Atos golpistas: quem são os dois capixabas presos desde janeiro na Papuda
Os dois estão presos desde 9 de janeiro no Complexo da Papuda, em Brasília, segundo informação da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap-DF). Eles já tiveram pedido de liberdade negado pelo ministro Alexandre de Moraes mais de uma vez.
As denúncias
Charles Rodrigues dos Santos foi alvo do inquérito 4922 e estava na primeira lista de denunciados apreciada pelo STF, no final de abril. A ação penal aberta contra ele já está em fase final, tendo passado inclusive pelo revisor, ministro Nunes Marques. Agora, só falta o relator colocar o caso para julgamento no plenário, o que deve ocorrer nos próximos dias.
Já a denúncia contra Tiago Romualdo foi aceita em maio e a ação penal aberta contra ele está em fase de instrução. Com isso, deve demorar um pouco mais para ser julgada. Assim como Charles, ele faz parte do núcleo de denunciados pela PGR que reúne os executores dos atos de vandalismo e violência cometidos no dia 8 de janeiro.
Conforme as denúncias da PGR contra eles, ambos foram presos dentro do Palácio do Planalto. "O denunciado foi preso em flagrante pela Polícia Militar do Distrito Federal no interior do Palácio do Planalto, no instante em que ocorriam as depredações objetivando a abolição do Estado Democrático de Direito e a deposição do governo legitimamente constituído", apontam as denúncias contra ambos.
Os advogados dos dois réus foram procurados por A Gazeta, mas não foram localizados para comentar as acusações da PGR contra eles.
Um terceiro capixaba foi incluído pela PGR na lista dos denunciados como executores dos atos de vandalismo este mês. Trata-se do morador de Pancas e empresário Cláudio Fernando Gonçalves, conforme divulgado com exclusividade por A Gazeta na terça-feira (26), identificado entre os que estavam no Palácio do Planalto após perícia da Polícia Federal.