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Prefeitura no alvo

Áudios revelam conversas entre suspeitos de desviar dinheiro em São Mateus

Irregularidades em contratos foi descoberta pela Polícia Federal por meio de troca de mensagens entre servidores da prefeitura, empresários e supostos laranjas; quebra de sigilo foi autorizada pela Justiça

Publicado em 28 de Setembro de 2021 às 20:45

Iara Diniz

Publicado em 

28 set 2021 às 20:45
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Polícia Federal descobriu as supostas fraudes em contratos após quebra de sigilo telefônico Crédito: Arte / A Gazeta
Foi a partir de mensagens obtidas pela quebra de sigilo telefônico que a Polícia Federal descobriu as supostas fraudes em contratos firmados entre a Prefeitura de São Mateus e um grupo de empresas no Norte do Estado. Áudios obtidos pelo jornalista Mário Bonella, da TV Gazeta, revelam conversas entre os suspeitos de participar desse esquema de corrupção, segundo a PF.
 Na manhã desta terça-feira (28), sete pessoas foram presas, entre elas o prefeito Daniel da Açaí (sem partido), que é apontado como líder da organização criminosa. Todos tiveram mandado de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região-TRF 2.
Segundo a Polícia Federal,  o esquema envolvia o chefe do Executivo municipal, servidores da prefeitura e empresários. A chefe de gabinete Luana Palombo, braço direito de Daniel, era responsável por selecionar as empresas que participavam dos processos licitatórios irregulares, de acordo com a investigação.
Os empresários selecionados, por sua vez, combinavam previamente entre eles os valores das propostas que seriam apresentadas, com um orçamento acima do preço de mercado. Assim, segundo a PF, eles viabilizavam a contratação a favor de uma empresa, sempre com revezamento para que todos fossem beneficiados em algum contrato. 
De acordo com a PF, dentro do conjunto de empresas ilegalmente beneficiadas pelo esquema ilícito, há empresas do próprio prefeito, que usava sócios de fachada (laranjas) para ocultar que era o proprietário. 
 Em um dos áudios interceptados pela polícia, um desses laranjas fala que "assinava muitos papéis sem saber exatamente o que era":

PAGAMENTO DE PROPINA

Ainda segundo a investigação, a empresa que "vencia" a licitação pagava uma propina aos servidores da prefeitura, que variava de 10% a 20% do valor do contrato.
Em um outro áudio, uma funcionária da prefeitura combina com o gerente de uma agência bancária um depósito, proveniente de pagamento superfaturado, segundo a Polícia Federal:
A Polícia Federal já tinha feito outras operações em São Mateus, uma delas a Operação Resgate, deflagrada em novembro do ano passado. Na ocasião, a PF investigou fraudes em contratos firmados para aluguel de ambulância entre empresários com prefeituras do Norte do Estado. 
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na prefeitura, o que deixou servidores preocupados, como mostra um áudio interceptado pela polícia. Nele, uma mulher diz que "se eles pegassem um servidor, não escaparia ninguém, porque teriam acesso a tudo". 
A Operação Resgate é citada na decisão judicial assinada pelo desembargador Marcelo Granado, responsável por expedir os mandados de prisão e busca e apreensão cumpridos nesta terça-feira.
Segundo o magistrado, a investigação da Polícia Federal aponta, por meio da quebra de sigilo de e-mails dos empresários investigados, que eles apagaram mensagens dias antes da Operação do ano passado. O intuito, de acordo com a decisão, era "destruir provas das irregularidades praticadas".
Áudios revelam conversas entre suspeitos de desviar dinheiro em São Mateus

OUTRO LADO

Por meio de nota, a defesa do prefeito de São Mateus, Daniel da Açaí, informou que foi surpreendida com um mandado de prisão temporária.
"Mesmo ainda não tendo sido dada a oportunidade de se defender, o prefeito buscará o exercício das medidas judiciais cabíveis para esclarecimento dos fatos e reestabelecimento de sua liberdade. A prisão cautelar ocorrida na presente data não se encontra compatível com as regras da Constituição da República e da legislação. O Poder Judiciário, por meio de suas diversas instâncias, haverá de esclarecer as todas as questões em seu tempo próprio", disse em nota.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Luana Palombo. Assim que houver manifestação, o texto será atualizado. 

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