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Eleições 2022

Bolsonarismo infla candidaturas de partidos de direita no ES

Das 10 siglas que mais cresceram em número de candidatos em relação a 2018 no Estado, oito são considerados de direita, da base do presidente Jair Bolsonaro (PL) ou do centrão. Confira a lista

Publicado em 24 de Agosto de 2022 às 04:00

Ednalva Andrade

Publicado em 

24 ago 2022 às 04:00
Presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), em evento no Palácio do Planalto
Presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), em evento no Palácio do Planalto Crédito: Clauber Cleber Caetano/ PR
Uma onda bolsonarista marca presença na lista de candidaturas registradas nas Eleições 2022, tanto no Espírito Santo quanto no Brasil. Dos 10 partidos que mais cresceram em número de candidatos em relação a 2018, oito são da ala conservadora, de direita, da base do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), ou fazem parte do chamado centrão.
O centrão, que reúne legendas mais dispostas a negociar apoio ao Executivo em troca de cargos na administração pública do que propriamente defender uma ideologia específica, ganhou ainda mais relevo nos últimos dois anos por estar no comando da Câmara dos Deputados. 
As listas nacional e estadual foram elaboradas com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) extraídos na última sexta-feira (19) e têm cinco legendas em comum, em especial a primeira de ambas: PL. Impulsionado pela filiação do atual presidente da República e candidato à reeleição, o PL aumentou em mais de 120% o total de candidatos registrados em território nacional; no Espírito Santo, o crescimento foi ainda maior, de 147,37%.
As outras quatro siglas em comum no ranking das 10 que mais cresceram no país e no Estado são: PSD, PSC, Republicanos e PDT. Apenas esta última não tem relação com o bolsonarismo. A base de dados do TSE utilizada inclui todas as candidaturas registradas até o momento da extração, sejam elas aptas, sejam inaptas, assim como as consideradas em 2018.
Segundo o cientista político e professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (Ipol/UnB) Carlos Machado, "o inchaço de candidaturas entre partidos que compõem a base do governo federal é um padrão observável desde as eleições de 1998". 

DIFERENÇAS NOS RANKINGS NACIONAL E ESTADUAL

Algumas diferenças entre as duas listas são marcantes. A primeira é que PSB e PTB, que figuram entre os que mais inflaram na lista nacional, estão entre os que tiveram redução de candidaturas no Espírito Santo. O PTB aparece como o segundo que mais cresceu no Brasil e dobrou o número de candidatos em quatro anos.
A presença de DC, PRTB, Rede e Patriota na lista estadual é a segunda discrepância mais relevante dos rankings. As quatro siglas não aparecem na lista nacional, sendo que estes dois últimos tiveram redução no número de candidatos superior a 40% em relação a 2018 em todo o Brasil.
Outro ponto distinto entre o cenário nacional e o estadual se refere ao PMB (Partido da Mulher Brasileira), legenda que ensaiou trocar de nome para Brasil 35 visando atrair Bolsonaro  – até hoje a mudança não foi oficializada no TSE. Terceiro da lista nacional, com 80% de crescimento, o PMB sofreu redução de 6,45% em candidaturas no Estado, o que corresponde a dois candidatos a menos do que em 2018.
Outra diferença que merece registro entre as duas listas é a posição do PP, partido considerado símbolo do centrão e que integra a coligação de Bolsonaro à reeleição. Quarto que mais cresceu no país, com aumento de 75% do total de candidatos lançados em 2022, o PP aparece na 11ª posição do ranking estadual, com um aumento modesto de 5%.
Para o cientista político Fernando Pignaton, a expectativa de poder relacionada à candidatura à reeleição do presidente da República, somada à expectativa dos partidos do centrão de continuarem mandando no Congresso Nacional explicam o crescimento desse grande bloco de partidos que são mais conservadores, de direita ou de centro, alinhados ao bolsonarismo.
Ele acrescenta que esses partidos se organizaram nos últimos anos para lançar um maior número de candidatos em 2022, mas faz uma ressalva: "acho que não vai ser automático o fato de lançar mais candidatos e eleger mais candidatos".
O professor do Ipol/UnB concorda que "uma maior quantidade de candidaturas não assegura que ocorra um aumento de sucesso eleitoral. Inclusive, por não haver um mecanismo de transferência de votos entre partidos de direita". 
"A chegada da direita ao poder em 2018, com a eleição do presidente, e a aliança com o centrão, formando o que eles chamam de frente democrática conservadora, desencadeou uma expectativa de poder em vários partidos. O centrão tem uma prioridade de eleger candidatos a deputado federal e isso também puxa (o lançamento de) candidaturas a deputado estadual. O centrão tem como prioridade manter a hegemonia no Congresso Nacional"
Fernando Pignaton - Cientista político
Pignaton destaca também a participação do PSB e do PDT no ranking nacional. Quanto ao segundo, ele acredita que as candidaturas foram impulsionadas pela manutenção de um nome próprio do partido na disputa presidencial, o do ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT).
Já em relação ao primeiro, considera que foi beneficiado pela relação próxima com o ex-presidente Lula (PT) e com a expectativa criada em torno da formação de federação com o PT, da qual o PSB desistiu, mas conseguiu atrair lideranças nacionais de outros partidos de centro-esquerda e esquerda para as suas fileiras.
Sobre dois partidos que estão na lista estadual dos que mais cresceram, Rede e PSD, Pignaton ressalta que as candidaturas próprias a governador podem ter auxiliado, especialmente o primeiro, que caiu bastante em nível nacional. Já em relação ao PDT estadual, ele acredita que o impulsionamento veio do retorno do partido ao comando da Prefeitura da Serra, onde a legenda tem um histórico forte.

REDUÇÃO DE CANDIDATOS DA ESQUERDA E CENTRO-ESQUERDA

Na outra ponta da lista, dos 10 que tiveram maior redução do número de candidatos em nível nacional ante a eleição de quatro anos atrás, seis são partidos de esquerda e centro-esquerda: PCdoB, PV, Rede, Psol, PSTU e PT. 
Desses seis, apenas Rede e PSTU não aparecem no ranking capixaba dos que mais encolheram em concorrentes na disputa eleitoral de 2022 – o PSTU não teve candidatos em 2018 e neste ano lançou chapas puro-sangue para governo e Senado. Contudo, na lista estadual está incluído o PCB, que marcou presença nas urnas há quatro anos e nem chegou a lançar candidatos em 2022.
A redução de candidatos atinge principalmente os partidos que optaram por se unir pelos próximos quatro anos em federações, como PCdoB, PV e PT, que juntos formam a Federação Brasil da Esperança e Cidadania, que integra uma federação com o PSDB. 
Além disso, estão entre os que mais encolheram em candidatos aquelas legendas que tiverem incorporações ou fusões entre as duas eleições gerais.  Preenchem esse requisito na lista nacional: União Brasil, resultado da fusão entre PSL e DEM em 2022; Podemos, que incorporou o PHS em 2019; Patriota, que incorporou o PRP em 2019; e PCdoB, que incorporou o PPL em 2019. 
Para Pignaton, essa redução é natural, uma vez que os partidos que integram federações precisam dividir entre eles o total de candidaturas a serem lançadas, como se fossem um único partido. A mesma premissa vale para os partidos que se juntaram nos últimos anos.
Em relação ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que lidera o ranking nacional de redução de candidaturas, com queda de 84,63% em relação a 2018, Pignaton chama a atenção para o fato de o partido estar federado com o PT, assim como o PV, e por serem menores acabaram abrindo mão de lançar vários nomes, para lançarem apenas os que têm mais chances. Na lista estadual, o PCdoB encolheu 82,22% e também é o que mais perdeu candidatos dos que estarão presentes nas duas eleições.
Já Carlos Machado destaca o fato de todas as federações formadas serem de partidos de centro ou de esquerda. Nenhuma delas é integrada por sigla declarada de direita, o que explicaria a redução do número de candidatos em partidos mais à esquerda do espectro político-ideológico.
"Todas as federações estão entre partidos de centro (PSDB e Cidadania) ou de esquerda (Psol/Rede e PT/PC do B/PV). Isso reduz, portanto, o quantitativo de candidaturas que esses partidos poderiam apresentar. Repare, inclusive, que entre os partidos de esquerda que não fazem parte de federações (PDT e PSB) estão partidos que apresentaram crescimento", acrescenta o professor do Ipol/UnB.

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