O que diz a Secult
Candidato a prefeito de Vitória quer transformar Cais das Artes em hospital
O que diz a Associação de Moradores
Obra prevista para ser inaugurada em 2026
Linha do tempo da construção
- 2010
- Oficialmente as obras começaram em 2010, no fim do segundo mandato do governador Paulo Hartung. O investimento total seria de R$ 115 milhões.
- 2012
- A previsão de entrega do empreendimento era 2012, mas a Santa Bárbara, construtora que executava os serviços, faliu e, com isso, o contrato foi reincidido.
- 2013
- Neste ano, as obras foram retomadas após uma nova licitação que contratou o Consórcio Andrade Valladares - Topus.
- 2015
- As obras foram realizadas até maio de 2015, quando sofreram nova paralisação. Depois disso, no começo de junho, voltaram a prosseguir, mas, no mesmo mês, pararam novamente. Ainda em 2015, o governo anunciou que teria que contratar uma nova empresa, a terceira, para finalizar a construção. A entrega ficaria para 2018.
- 2016
- Em agosto foi feita uma nova licitação, mas para contratar uma consultoria de engenharia, que faria uma avaliação da obra e um balanço do que ainda precisaria ser feito. Neste ponto, o governo do Estado já previa gastar entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões a mais no orçamento.
- Neste ponto, desde 2010, o que foi construído nem chegou a ser utilizado e já precisou de reparos devido à ação do tempo e abandono do empreendimento.
- 2018
- Já em 2018, em abril, o Instituto de Obras Públicas do Estado do Espírito Santo (Iopes) licitou uma nova empresa para gerenciar a obra. A Planesp Engenharia ganhou a chamada no valor de R$ 3,8 milhões para executar o serviço.
- Em julho deste ano, Paulo Hartung e a Secretaria de Estado dos Transportes e Obras Públicas (Setop) anunciaram que as obras seriam retomadas em dezembro de 2018 e deveriam ser entregues até 2020. Até então, já havia sido gasto, ao todo, mais de R$ 129 milhões, inicialmente, com entrega prevista para 2012. Com a previsão de gastos divulgada naquela época, o valor total chegaria à casa dos R$ 229 milhões.
- Em setembro, o governo lançou edital para licitar a empresa que terminaria as obras do empreendimento. Mas, em outubro, suspendeu o edital sem data para republicá-lo.
- 2019
- Em março, o governo decidiu retirar mais de R$ 14 milhões que custeariam parte das obras de finalização do Cais das Artes para abrir um crédito suplementar à Secretaria de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb). Ainda em março, o Iopes garantiu que iniciou um processo de levantamento do equipamento cultural para ver o saldo da obra e retomar a execução do projeto com a empresa Andrade Valladares - Topus, a mesma que cuidava do canteiro de obras em 2015.
- 2020
- Em janeiro, o governo esperava retomar as obras ainda em 2020. Em entrevista para A Gazeta, o secretário de Estado da Cultura, Fabrício Noronha, disse que iria, também, intensificar um debate com a sociedade artística para falar sobre o futuro uso do local. Sobre as obras, na ocasião, o titular da pasta reiterou a necessidade de o processo na Justiça se resolver.
- 2021
- Em janeiro, o secretário de Cultura disse que o governo pretendia retomar a construção do Cais das Artes no primeiro semestre do ano. Na época, o governo estava em discussão para entrar em acordo com a empresa que processou o Estado na Justiça.
- Em maio, o DER-ES disse que estava finalizando um acordo internamente com a empresa responsável pela obra. Porém, a resposta que viria em poucos dias nunca chegou.
- Ainda sem acordo, Casagrande anunciou em dezembro que pensava em duas alternativas para ter o espaço finalizado: regulamentar um contrato de gestão, com ajuda do Tribunal de Contas, para se ter um acordo e resolver o problema jurídico; ou conceder um espaço do Cais das Artes para empresas de tecnologia fazerem um hub de startups e custeiem a finalização da obra.
O que diz o IAB-ES
Em nota, o Instituto de Arquitetos do Brasil no Espírito Santo (IAB-ES) afirmou que tem manifestado seu posicionamento ao longo dos últimos anos acerca da importância do Cais das Artes como conjunto arquitetônico de grande relevância para a valorização da identidade capixaba e da inserção do estado no cenário internacional.
“Logo, o IAB/ES manifesta-se contrário as alterações projetuais intencionadas que objetivam transformar o espaço em hospital.
O espaço projetado por Paulo Mendes da Rocha foi concebido para que seu uso fosse destinado à cultura e a arte”, declarou.
“O projeto valoriza o setor da economia criativa e da indústria limpa, entendendo que o crescimento dos setores de serviços seja da maior importância para o município de Vitória, e consciente do potencial estratégico das empresas de inovação e de tecnologia no contexto capixaba e nacional. Projetos hospitalares seguem rígidas normas para sua elaboração e, posterior, funcionamento. Esses projetos são elaborados com acompanhamento de órgãos da área da saúde por sua imensa complexidade”, prosseguiu o instituo.
“Logo, não se pode afirmar que possíveis alterações no projeto original atenderão demandas de usos distintos daqueles para os quais o edifício foi projetado. Desta forma, desvirtuasse o sentido e o propósito original do projeto”, finalizou.