Em votação secreta na tarde desta segunda-feira (4), na
Assembleia Legislativa, o secretário de Estado da Casa Civil, Davi Diniz, foi escolhido para ocupar uma cadeira no
Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES). O futuro conselheiro recebeu o apoio de 26, dos 28 deputados estaduais presentes no plenário. Único candidato na disputa ao cargo, Davi Diniz acompanhou a sessão de perto, direto da Casa de Leis.
Convidado a falar, Davi Diniz subiu à tribuna da Casa e fez um breve discurso de agradecimento. “Hoje, depois de muita luta, muito trabalho, realizo um sonho. São 16 anos de trabalho no serviço público e, agora, é a concretização de um sonho maior. Gostaria de agradecer a condução de todo o processo na Assembleia. Vou honrar este voto, esta confiança, e continuar trabalhando duro, sendo justo, para cada vez mais melhorar a vida da população.”
A votação secreta é uma novidade desta eleição. Os parlamentares indicaram a sua preferência em uma cédula de papel, em sala separada no plenário Dirceu Cardoso, e a depositaram numa urna. Até então, a votação era aberta e nominal. Antes de iniciar a eleição, o presidente da Assembleia,
Marcelo Santos (Podemos), orientou os deputados a não informar o seu voto até a proclamação do resultado.
O deputado Theodorico Ferraço (PP) foi o único autorizado a estar na sessão on-line, mas, pelo fato de o voto ter que ser secreto, não pôde participar da votação. Ele, entretanto, já tinha manifestado apoio ao nome de Diniz no ato da inscrição da candidatura. Durante a eleição, Marcelo Santos lembrou que a mudança no regimento, que instituiu o voto secreto para escolha de conselheiro do TCES, foi adotada por iniciativa do próprio Theodorico, quando presidia a Casa, seguindo um rito estabelecido em outras Assembleias pelo país.
Após encerrada a votação, os deputados Delegado Danilo Bahiense (PL) e Janete de Sá (PSB) fizeram a contagem das cédulas e "cantaram" o resultado, um a um, sem identificar os parlamentares. O secretário-geral da Mesa Diretora fez a conferência, cujo resultado foi de 26 votos favoráveis — número superior aos que haviam endossado a candidatura de Diniz — um voto contra e um nulo.
Desde que surgiu a vaga na Corte de Contas, a partir da aposentadoria de Sérgio Borges,
o nome de Davi Diniz apareceu como favorito. Um movimento chegou a ser ensaiado para que um deputado estadual fosse indicado ao cargo, mas não foi adiante. Na apresentação da candidatura, até Hudson Leal, que defendia que o futuro conselheiro fosse um parlamentar, endossou a indicação do secretário da Casa Civil.
Com a eleição de Davi Diniz, o governador
Renato Casagrande (PSB), como observa a
colunista Letícia Gonçalves, emplaca mais um aliado no TCES, que é responsável por julgar processos e emitir pareceres a respeito de atos de gestão de prefeitos, presidentes de Câmaras, secretários municipais e estaduais e do próprio chefe do Executivo estadual.
Conforme
Letícia Gonçalves também antecipou, o presidente da Assembleia Legislativa e outros 24 deputados estaduais inscreveram, na tarde da última quinta-feira (29), Davi Diniz como candidato ao cargo de conselheiro.
O prazo para indicações havia começado às 18h de quarta (28) e foi concluído às 10h desta segunda (4). Deputados, bancadas partidárias e a Mesa Diretora da Assembleia podiam fazer o protocolo. Marcelo Santos chegou a se interessar pela vaga, mas, depois, descartou a intenção.
Ao todo, a Assembleia tem 30 deputados. Diniz, portanto, já tinha o apoio da maioria no ato da candidatura. Da última vez que coube aos parlamentares eleger um conselheiro, o escolhido foi Luiz Carlos Ciciliotti, que também havia ocupado a Casa Civil e estava na presidência estadual do PSB. Das sete vagas de conselheiros, quatro devem ser preenchidas por indicação do Legislativo.