Logo quando anunciou que não seria candidato à reeleição para prefeito de Colatina, em setembro de 2020, Sérgio Meneguelli (Republicanos) manifestou o desejo de ser deputado estadual. Na época, afirmou que tinha um projeto para o Legislativo e que uma vaga na Assembleia o manteria próximo da cidade do Noroeste capixaba.
De pré-candidato à Assembleia para o Senado - a mudança de planos de Meneguelli
Mas nove meses depois de confessar a pretensão de disputar o próximo pleito em busca de uma cadeira de parlamentar estadual, tudo mudou. Agora, Meneguelli é categórico em dizer que só concorre se for para o cargo de senador. A mudança de planos para 2022 aconteceu, segundo o ex-prefeito, quando ele percebeu que poderia ajudar mais Colatina e outros municípios capixabas estando no Senado.
Integrantes do Republicanos e pessoas próximas ao ex-prefeito de Colatina, no entanto, têm outras teorias: uma dobradinha na eleição majoritária com o atual presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), para render visibilidade ao jovem político, ou uma estratégia do próprio Meneguelli para permanecer em evidência.
Embora Erick já tenha declarado interesse em uma vaga na Câmara dos Deputados, o nome dele é ventilado nos bastidores, por aliados, para disputar o governo do Estado. A candidatura, contudo, esbarraria no fato de Erick não ser muito conhecido pelo eleitorado fora de seu reduto, Aracruz. E é aí que, segundo correligionários, entraria o ex-prefeito de Colatina, trazendo certa popularidade.
Contudo, há também quem aponte que a pré-candidatura de Meneguelli ao Senado faz parte de uma movimentação política pessoal para se manter em destaque, já que o ex-prefeito está na planície, sem mandato.
Considerado um político “popstar”, Meneguelli tornou-se um fenômeno nas redes sociais. Ficou conhecido como o prefeito que usava uma bicicleta para ir trabalhar, plantava flores e fazia questão de estampar na blusa “Eu amo Colatina”. Esse perfil lhe rendeu mais de 2 milhões de seguidores em algumas plataformas e o título nas redes sociais de “melhor prefeito do Brasil”.
A proximidade com a população era um dos pontos levantados pelo próprio Meneguelli para defender uma pré-candidatura à Assembleia Legislativa. Como deputado estadual, ficaria perto de Colatina e poderia destinar emendas para o município. Mas os planos mudaram quando, de acordo com ele, percebeu que poderia ser mais útil e ter mais destaque em Brasília.
“As emendas estaduais são muito pequenas, eu seria só mais um entre 30 deputados na Assembleia. No Senado, posso participar da política nacional e, ao mesmo tempo, ajudar mais o Estado, principalmente o Norte. É uma região que não tem um senador há muito tempo e os recursos que vêm de Brasília acabam sendo poucos”, afirmou Meneguelli.
Meneguelli nunca descartou ser candidato ao Senado. No ano passado, após ser convidado pelo presidente Jair Bolsonaro para visitar o Palácio do Planalto, foi questionado sobre uma possível candidatura ao Legislativo federal. Como resposta, usou uma frase à qual ele frequentemente recorre: “Se o cavalo passar arreado, por que não?”.
O Republicanos trata tanto Sérgio Meneguelli quanto o deputado federal Amaro Neto como bons nomes ao Senado. O ex-prefeito de Colatina diz acreditar que terá o aval do partido, mas não há, ainda, nenhuma decisão sobre candidaturas majoritárias. O martelo vai ser batido somente após discussão com a direção nacional do partido e a Executiva estadual.
“Eu acredito na integridade do partido e que ele me quer como candidato ao Senado, mas não vou brigar por isso. Posso ou mudar de legenda ou não disputar e aí vir candidato a vereador de Colatina em 2024, porque não tenho pretensão de ser prefeito novamente”, contou Meneguelli.
Já Amaro Neto tem deixado claro que a candidatura dele será uma construção coletiva. Em entrevista para o colunista Leonel Ximenes, o parlamentar disse que não faz parte do planejamento para 2022 disputar a indicação do partido a uma vaga no Senado, mas que se a Executiva nacional pedir, ele pode rever a decisão.
Em 2018, Amaro era apontado como pré-candidato do Republicanos para o Senado, mas a pedido da Executiva nacional recuou e disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados. Foi o deputado federal mais votado.
Há quem avalie a movimentação de Meneguelli como uma estratégia política para se manter em evidência, visto que o ex-prefeito de Colatina está sem mandato. Assim, os anúncios de pré-candidatura, de forma antecipada, alimentariam a base eleitoral e mostrariam que ele “está vivo no processo”.
Para o presidente do Republicanos em Colatina, Marcos Guerra, a candidatura de Meneguelli ao Senado é vista como algo natural devido ao capital político que ele construiu. Guerra também avalia que pode servir como combustível para outros candidatos, dada a popularidade do ex-prefeito.
“O Sérgio tinha esse projeto político de ser deputado, mas o capital político que ele construiu o permite ter a pretensão de disputar o Senado. E, automaticamente, ele sendo candidato a senador pelo Republicanos, ele joga luz em outras candidaturas do partido”, pontuou. “Mas isso é algo decidido pela estadual”, complementou o presidente municipal.
Um correligionário aponta que o presidente da Assembleia, Erick Musso, seria o principal beneficiado pela popularidade de Meneguelli, já que o deputado estadual precisa se divulgar, aparecer mais, para disputar em melhores condições as eleições de 2022.
Erick já se movimenta nesse sentido, protagonizando alguns embates ainda que indiretos, com o governo do Estado e, agora, iniciando um movimento antecipado de pré-campanha, dialogando com os municípios.
A possibilidade da candidatura de Erick ao governo do Estado foi levantada, mas assim como a vaga para o Senado, ela ainda não foi discutida. “Sérgio tem a visibilidade que o Erick precisa, é o melhor cabo eleitoral que ele poderia ter”, afirmou um integrante do partido sob condição de anonimato.
Em 2022, apenas uma vaga no Senado vai estar em disputa no Espírito Santo, o que torna o pleito acirrado.
O PARTIDO REPUBLICANOS
O Republicanos é um dos partidos que mais cresceu no Espírito Santo nas últimas eleições. Foi o segundo a eleger mais prefeitos, ficando atrás apenas do PSB, partido do governador Renato Casagrande. A relação entre as siglas atualmente não é das mais amistosas.
À exceção de Amaro Neto, que é mais próximo a Casagrande, as duas outras grandes lideranças da legenda, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, e o presidente da Assembleia têm estado cada vez mais distantes do governador. No caso de Pazolini, a relação sempre foi conturbada, desde quando ele era deputado de oposição na Assembleia.
No início deste ano, os partidos tentaram uma aproximação e Erick foi apontado como um possível vice de Casagrande. Isso tudo aconteceu após o presidente da Assembleia receber o apoio do governo para se reeleger na presidência da Casa. Na época, Erick disse que estaria pronto para "carregar o piano" com o governador.
Mas o parlamentar vem adotando uma série de posturas divergentes do governo, entre elas a defesa da abertura de escolas e do comércio, que ia contra a matriz de Risco do Estado e, mais recentemente, pleiteando a convocação do secretário de governo Álvaro Duboc para explicar uma compra de álcool em gel investigada pela Polícia Federal.