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Repercussão

Entidades lamentam incêndio que destruiu arquivo do TJES

“Não estamos falando só de processos, estamos falando da história do Espírito Santo, da história das pessoas”, lamentou presidenta do Sindijudiciários

Publicado em 21 de Julho de 2026 às 16:54

Maurílio Mendonça

Publicado em 

21 jul 2026 às 16:54

O incêndio que destruiu o Arquivo Geral do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), na manhã desta terça-feira (21), na Serra, provocou manifestações de apoio à Corte e de preocupação com a perda do acervo documental. Entidades ligadas ao Judiciário destacaram que os danos vão além da destruição física dos processos e atingem parte da memória institucional e histórica do Estado.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Judiciários do Espírito Santo (Sindijudiciário-ES), Maria Célia da Costa Almeida, lamentou o ocorrido. Em entrevista à TV Gazeta, ela manifestou apoio aos 15 servidores que trabalham na unidade e também à atual gestão do Tribunal de Justiça.


“A nossa preocupação é com os servidores que trabalham aqui. Estão todos muito abalados, sofrendo, porque é uma tragédia que não tem precedentes. Todo o arquivo foi incinerado”, disse Almeida, que esteve no local com a equipe do SindjudES para acompanhar a situação.

Alguns (servidores) trabalham com o acervo do Tribunal de Justiça há mais de 35 anos. Um trabalho todo feito que foi destruído em questão de segundos

Maria Célia da Costa Almeida, presidente do Sindijudiciário-ES

Ela também lamentou a perda de todos os processos arquivados no galpão incendiado. “São processos de todas as comarcas que vêm para cá. Muitos vêm digitalizados, outros são digitalizados aqui, e são guardados como acervo. Não estamos falando só de processos, estamos falando da história do Espírito Santo, da história das pessoas. Isso nos deixa muito tristes”, disse a presidente do Sindijudiciários.

Todo o cervo processual da Justiça estadual estaria em rrisco, segundo o Sindijudiciários
Situação crítica do acervo da Justiça estadual foi denunciada pelo Sindijudiciário e publicada em A Gazeta em outubro de 2025  Sindijudiciário-ES

Segundo Maria Célia, o sindicato vai aguardar a conclusão da perícia sobre as causas do incêndio. Ela lembrou que a entidade já havia denunciado as condições do arquivo, como mostrou reportagem publicada por A Gazeta em outubro de 2025. 


Imagens divulgadas pelo Sindijudiciários mostraram o arquivo do Tribunal de Justiça em condições precárias, com mofo e um amontoado de processos. Até um princípio de incêndio foi registrado pelos servidores do local em julho de 2024.


A presidente do sindicato afirmou que as denúncias realizadas pelo sindicato há um ano e meio estão sendo ouvidas pela atual gestão do TJES. “O Tribunal de Justiça tem feito um trabalho de reconstrução nos locais que a gente vem denunciando. E a gente agradece porque o sindicato tem sido ouvido. Onde a gente denuncia, o tribunal vai lá, faz as ponderações e inicia as obras”, explicou a presidente do Sindijudiciários.

Segundo a presidente, desde a denúncia, a atual gestão tem se empenhado para reverter a situação. “Nós fizemos inspeções e fiscalizações em arquivos de todos os fóruns do Estado. Identificado o problema, este era encaminhado para o tribunal. A atual gestão acolheu a denúncia e começou a fazer uma transformação”, conta Almeida.

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A Ordem dos Advogados (OAB-ES), o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foram procurados para comentar sobre o incêndio.


Em nota, a OAB-ES disse apenas que “se solidariza com o TJES diante deste fato e torce para que os danos sejam mínimos possíveis para a prestação jurisdicional”.


Até a publicação desta matéria, MPES e CNJ ainda não haviam retornado à demanda. 

Mas o CNJ, em outubro de 2025, chegou a cobrar explicações do Tribunal de Justiça sobre as condições do arquivo geral, após reportagem de A Gazeta revelar que o galpão apresentava problemas graves de segurança e armazenamento, com desorganização, mofo, pragas e risco de incêndio, conforme denúncia do Sindijudiciário-ES. Na ocasião, o conselho informou, ainda, que a situação também era acompanhada pelo Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário (Proname).

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