Alvo da operação da Polícia Federal denominada 'Tempus Veritatis', que mira o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, o major Angelo Martins Denicoli, morador de Colatina e da reserva do Exército Brasileiro, é suspeito de integrar grupos que promoviam ataques virtuais a opositores, ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao sistema eletrônico de votação e ao processo eleitoral brasileiro.
Além disso, segundo a PF, Denicoli está supostamente ligado à tentativa de Golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito — configurados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. Ele também era reconhecido por promover ataques e informações falsas contra a Covid-19 e as medidas sanitárias da pandemia.
O major está proibido de manter contato com os demais investigados, até por meio de seus advogados, e também não pode deixar o Brasil, tendo que entregar seu passaporte às autoridades até a manhã desta sexta-feira (9).
De acordo com as investigações, Angelo estaria ligado ao grupo que fazia uso da estrutura do Estado para obtenção de vantagens, como usos de cartões corporativos para pagamentos de depesas pessoais.
1
Núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral
Forma de atuação: produção, divulgação e amplificação
de notícias falsas quanto a lisura das eleições presidenciais de
2022 com a finalidade de estimular seguidores a permanecerem
na frente de quartéis e instalações das Forças Armadas. A intenção era criar o ambiente propício para o golpe de Estado, segundo a PF.
2
Núcleo responsável por Incitar militares a aderirem ao golpe de Estado
Forma de atuação: eleição de alvos para amplificação de
ataques pessoais contra militares em posição de comando que
resistiam às investidas golpistas. Os ataques eram realizados
a partir da difusão em múltiplos canais e por meio de
influenciadores em posição de autoridade perante à "audiência"
militar.
3
Núcleo jurídico
Forma de atuação: assessoramento e elaboração de
minutas de decretos com fundamentação jurídica e doutrinária
que atendessem aos interesses golpistas do grupo investigado.
4
Núcleo operacional de apoio às ações golpistas
Forma de atuação: a partir da coordenação e interlocução de Mauro Cid, então ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, atuavam em reuniões de
planejamento e execução de medidas no sentido de manter as
manifestações em frente aos quartéis militares, incluindo a
mobilização, logística e financiamento de militares das forças
especiais em Brasília.
5
Núcleo de inteligência paralela
Forma de atuação: coleta de dados e informações que pudessem auxiliar a tomada de decisões do ex-presidente da
República Jair Bolsonaro na consumação do golpe de
Estado. O grupo monitorava, por exemplo, o ministro do STF Alexandre de Moraes.
6
Núcleo de oficiais de alta patente com influência e apoio a outros núcleos
Forma de atuação: utilizando-se da alta patente militar
que detinham, os membros agiram para influenciar e incitar apoio aos
demais núcleos de atuação para consumação do Golpe de
Estado.
"O núcleo de desinformação e ataques ao Sistema Eleitoral, composto por Mauro César Barbosa Cid, Anderson Torres, Angelo Martins Denicoli, Fernando Cerimedo, Éder Lidsay Magalhães Balbino, Hélio Ferreira Lima, Guilherme Marques Almeida, Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros e Tércio Amaud Tomaz, teria atuado, prioritariamente, na produção, divulgação e amplificação de notícias falsas e de "estudos" quanto à falta de lisura das eleições presidenciais de 2022, bem como sobre supostos registros de votos após o horário oficial, inconsistências no código-fonte, com a finalidade de estimular seguidores a permanecerem na frente de quartéis e de instalações das Forças Armadas, no intuito de criar o ambiente propício para a execução de um golpe de Estado", disse a Polícia Federal, segundo decisão ordenando as buscas e apreensões dos envolvidos.
O documento divulgado pela PF, com detalhes sobre a investigação, ainda sinaliza a existência de relação de Angelo Denicoli com o argentino Fernando Cerimedo, apontado como responsável por disseminar 'fake news' sobre o sistema eleitoral brasileiro.
A operação
Além do Espírito Santo, a PF tem alvos no Distrito Federal e nos Estados do Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Paraná e Goiás.
Estão sendo cumpridos 33 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva e 48 medidas cautelares diversas da prisão, que incluem a proibição de manter contato com os demais investigados, proibição de se ausentarem do país, com entrega dos passaportes no prazo de 24 horas e suspensão do exercício de funções públicas. Jair Bolsonaro está entre os citados que precisam entregar o passaporte e está proibido de sair do Brasil.
Ao todo, a PF cumpre quatro mandados de prisão preventiva. Entre os presos está o ex-assessor de Bolsonaro, Marcelo Câmara. O militar já era investigado no caso da fraude ao cartão de vacinação do ex-presidente. Outro detido é Filipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais de Bolsonaro. Também é alvo de mandado de prisão Rafael Martins.
O quarto alvo de detenção é Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel do Exército, que está nos Estados Unidos. O mandado de prisão será enviado ao Exército para que notifique o militar. Tércio Arnaud, assessor de Bolsonaro, é alvo de busca e teve o passaporte apreendido.
As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito do inquérito das milícias digitais. Além das prisões e buscas, a PF também cumpre medidas diversas como a proibição de manter contato com os demais investigados, proibição de se ausentarem do país, entrega dos passaportes no prazo de 24 horas e suspensão do exercício de funções públicas."
Arquivos & Anexos
Decisão do ministro Alexandre de Moraes na Operação Tempus Veritatis
Documento traz pedidos de prisão, busca e apreensão e outras medidas cautelares contra 29 pessoas
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Arquivos & Anexos
Segunda decisão do ministro Alexandre de Moraes na Operação Tempus Veritatis
Decisão amplia medidas para outros supostos envolvidos
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Major investigado no ES é suspeito de atacar urnas e integrar milícia digital