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Operação Minucius

São Mateus: chefe de gabinete administrava negócios particulares de prefeito, diz PF

Segundo investigação, Luana Palombo atuava em empresas que seriam de Daniel da Açaí. Dentro da Prefeitura de São Mateus, ela é suspeita de selecionar as empresas que participariam das fraudes contratuais

Publicado em 29 de Setembro de 2021 às 16:12

Iara Diniz

Publicado em 

29 set 2021 às 16:12
Foto nova! O prédio mudou e é esse. Foto tirada em 2021
Prédio da Prefeitura de São Mateus, no Norte do Espírito Santo Crédito: Eduardo Dias
A chefe de gabinete da prefeitura de São Mateus, Luana Zordan Palombo, presa na manhã desta terça-feira (28) durante a Operação Minucius, é apontada pelo Ministério Público Federal (MPF) como “longa manus” do prefeito Daniel Santana (sem partido), mais conhecido como Daniel da Açaí.
A expressão em latim é usada para descrever quem atua como executor das ordens de outro, uma espécie de "braço direito". Segundo a Polícia Federal, responsável pela operação, Luana era quem selecionava as empresas que participariam das fraudes em contratos com a prefeitura.
Ainda de acordo com a investigação, a chefe de gabinete administrava negócios particulares do prefeito, que estariam no nome de laranjas.
Luana e outras seis pessoas, entre elas empresários e o prefeito Daniel da Açaí, foram presos por meio de mandados de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Eles são suspeitos de participar de uma organização criminosa que atuava no Norte do Espírito Santo e tinha o prefeito de São Mateus como líder, segundo a Polícia Federal.
A Gazeta teve acesso a decisão assinada pelo desembargador federal Marcello Granado. O magistrado cita que Luana Zordan foi nomeada formalmente como assessora do prefeito, mas exerce funções que vão "muito além da simples gestão de gabinete", conforme apontado pelo MPF.
"Na verdade, trata-se de longa manus do chefe do executivo com a missão de selecionar as empresas que contratarão com a prefeitura, gerir as empresas que Daniel mantém por meio de interpostas pessoas, além de atuar na movimentação de recursos angariados com o esquema criminoso”, registra o desembargador, reproduzindo um trecho do inquérito policial.
O magistrado destaca que o cargo exercido por Luana Zordan na Controladoria Municipal decorre “de sua atuação nos negócios particulares do prefeito”.
Segundo as investigações, Luana já foi funcionária de uma das empresas do chefe do Executivo de São Mateus, a Empresa de Mineração Litorânea LTDA, e é quem administra outros negócios de Daniel que estariam em nomes de laranjas, “o que reforça sua relação de confiança e de longa data com o prefeito de São Mateus/ES”, frisa a decisão. 
Trocas de mensagens interceptadas e reproduzidas no inquérito mostraram, de acordo com o desembargador, que a chefe de gabinete realizava atos da gestão da empresa durante o mandato do prefeito.
Chefe de gabinete administrava negócios particulares de prefeito, diz PF

CHEFE DE GABINETE "MANDAVA" NAS SECRETARIAS

Em um dos depoimentos colhidos durante a investigação, uma servidora do município contou que Luana “mandava nas secretarias”. Era ela quem decidia se seria realizada cotação de preços para compras. Em processos de maior valor, os nomes das empresas para realizar o orçamento já eram preestabelecidos por Luana, segundo depoimento da servidora.
Além disso, as investigações apontam que a chefe de gabinete de São Mateus estaria se beneficiando dos recursos desviados da prefeitura.
Em conversas interceptadas de outros investigados, Luana é apontada como "ostentadora de patrimônio escuso", além de ter sido verificado "que vem adquirindo patrimônio que registra em nome de sua mãe, o que pode ser uma tentativa de ocultar patrimônio”, diz um trecho do inquérito policial reproduzido pelo magistrado. 

O OUTRO LADO

Em nota, a defesa do prefeito de São Mateus disse que ele foi "surpreendido" com a operação desta terça-feira. "Mesmo ainda não tendo sido dada a oportunidade de se defender, o prefeito buscará o exercício das medidas judiciais cabíveis para esclarecimento dos fatos e restabelecimento de sua liberdade. A prisão cautelar ocorrida na presente data não se encontra compatível com as regras da Constituição da República e da legislação. O Poder Judiciário, por meio de suas diversas instâncias, haverá de esclarecer as todas as questões em seu tempo próprio", diz a nota.
A Gazeta tenta contato com a defesa de Luana Zordan. O texto será atualizado assim que houver retorno. 

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