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Tragédia

Acidente com ônibus de excursão deixa mortos e feridos na BR 262, em Ibatiba

Segundo o Corpo de Bombeiros, pelo menos três pessoas morreram após o coletivo tombar na Curva da Ferradura

Publicado em 28 de Setembro de 2026 às 05:59

Redação de A Gazeta

Publicado em 

28 set 2026 às 05:59

Um grave acidente envolvendo um ônibus de excursão matou três pessoas e deixou outras 45 feridas na BR 262, em Ibatiba, Região do Caparaó, no Espírito Santo, na noite de domingo (27). O motorista do veículo está entre os mortos.


 A informação é do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que foram acionados às 21h20 para atender a ocorrência. Inicialmente havia a informação que nove pessoas teriam morrido no acidente, mas as corporações confirmaram três mortes até o momento.


O coletivo, de Contagem, em Minas Gerais, que estava voltando de Itaoca, em Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, tombou na rodovia em um trecho conhecido como "Curva da Ferradura", km 151. De acordo com a PRF, o grupo havia saído de Itaoca na noite de sexta-feira.


O repórter Matheus Passos, da TV Gazeta Sul, apurou com o Corpo de Bombeiros que, quando a corporação chegou ao local, duas pessoas já estavam mortas e uma terceira morreu durante atendimento realizado por uma equipe do Samu/192.


 "Ao chegarmos ao local, encontramos um cena difícil de descrever: muitas pessoas feridas. Entre elas crianças, e, infelizmente, vítimas que não sobreviveram", relatou em seu Instagram o PM Gabriel Leocádio, que participou do atendimento às vítimas.


Apesar da possibilidade inicial de que existiam vítimas presas às ferragens, o Corpo de Bombeiros não encontrou nenhum passageiro que precisasse de desencarceramento (procedimento para resgatar alguém preso dentro de veículo acidentado).


Morreram no acidente o motorista, Douglas Rodrigues de Souza Oliveira, de 38 anos, que era de Contagem, e as passageiras Vera Lúcia de Andrade, de 44, e Maria Aparecida Martins Barbosa, de 54, de Belo Horizonte (MG). Os corpos foram encaminhados Seção Regional de Medicina Legal (SML) de Venda Nova do Imigrante e todos foram liberados aos familiares, segundo a Polícia Científica.


Dos 45 feridos, dois foram levados para a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim: um homem de 39 anos com fratura na mandíbula e uma mulher de 34 anos com traumatismo craniano. Na Santa Casa de Misericórdia de Iúna, foram atendidas 25 vítimas no pronto socorro, em situação de urgência e emergência. Segundo o hospital, três delas foram tranferidos para unidades de referência na Grande Vitória, para onde tambem foram levados os demais feridos.


A Santa Casa de Iúna informou que alguns feridos atendidos no local já foram liberados pelos médicos, mas ficarão na unidade aguardando transporte enviado pela empresa responsável pelo ônibus ou por familiares. 

 

No Pronto Atendimento de Ibatiba, das 20 vítimas encaminhadas a unidade após o acidente, 10 foram transferidas para outras unidades de saúde. Cinco pessoas, entre elas, duas crianças seguem internadas. As demais foram liberadas. 

Falha mecânica

Ainda de acordo com a apuração do repórter Matheus Passos, um dos passageiros relatou aos bombeiros que o coletivo tinha apresentado problemas mecânicos durante o trajeto. Mais tarde, aconteceu o tombamento do ônibus. A informação também foi repassada pela PRF.


A BR 262 ficou interditada durante o socorro às vítimas. Participaram do atendimento o Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal, Samu e ambulâncias do município de Ibatiba. A PRF informou que os feridos foram encaminhados para o PA do município


As causas do acidente ainda serão investigadas. Segundo a Polícia Científica, o ônibus passará por um exame especializado do Departamento de Engenharia Forense (DENF), complementar à perícia realizada no local do acidente. As equipes estão organizando o deslocamento para que o exame seja feito o mais breve possível, mas ainda não há data definida.

Viagem era irregular, afirma ANTT

Procurada pela reportagem, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que ônibus envolvido no acidente trafegava de forma irregular no momento da tragédia.


Segundo a ANTT, o veículo (placa KJJ-3E79), de propriedade da empresa GOJ Transporte e Turismo Ltda., possuía Licença de Viagem aberta apenas para o trecho entre Santa Bárbara (MG) e São Paulo (SP). Ao passar pelo Espírito Santo, o coletivo descumpria o itinerário aprovado pela fiscalização federal.


Apesar da irregularidade no trajeto, a ANTT pontuou que o coletivo cumpria as exigências técnicas e legais de circulação: o Certificado de Segurança Veicular (CSV), a aferição do cronotacógrafo e o seguro contra acidentes estavam dentro da validade.


A constatação de rota não autorizada deve integrar o inquérito policial que apura as responsabilidades do acidente na rodovia federal, de acordo com a ANTT.

Empresa diz que havia vendido o ônibus

Geraldo de Oliveira, responsável pela GOJ Transporte e Turismo Ltda., afirmou que o ônibus havia sido vendido pela empresa cerca de 35 a 40 dias antes do acidente, mas que a transferência ainda não havia sido formalizada. Segundo ele, o atual proprietário utilizou o coletivo para substituir outro ônibus que apresentou problema mecânico antes da viagem.


Geraldo disse que orientou o comprador a informar à ANTT sobre a substituição do veículo. “A gente tem a opção de informar troca de veículo, troca de motorista. Aconteceu um problema, pode ser substituído”, afirmou.


Ele afirmou que, no sábado, ao perguntar se o procedimento havia sido realizado, ouviu do comprador: “Eu não consegui informar a troca do veículo porque trabalho com cooperativa, não tenho sistema próprio da ANTT, sou cooperado”.


Geraldo acrescentou que, quando a empresa possui acesso direto ao sistema, a alteração pode ser feita em cerca de 20 minutos. Ele afirmou ainda que o ônibus estava com a documentação e o seguro regulares.


A reportagem aguarda contato do atual proprietário para ouvi-lo sobre o caso.

Inquérito apura homicídio culposo

A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente. Segundo o delegado de Ibatiba, Bruno Alves Rodrigues, as mortes das duas passageiras são investigadas, preliminarmente, como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas o resultado ocorre por imprudência, negligência ou imperícia.


Também são apuradas possíveis lesões corporais culposas relacionadas às demais vítimas. O motorista do ônibus, que também morreu no acidente, seria inicialmente investigado como pessoa física. Com a morte dele, houve extinção da punibilidade, conforme previsto no Código Penal. A investigação, no entanto, continuará para apurar eventual responsabilidade da empresa.

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