Você já parou para pensar no que acontece com a água ao ser descartada na sua casa? Ou em quanto esgoto é tratado por dia na sua região?
Apenas na Serra, município que é destaque no ranking do saneamento básico entre as 100 maiores cidades do Brasil, mais de 1 bilhão de litros passam por um processo de descontaminação por mês, graças ao trabalho da Parceria Público Privada (PPP) firmada entre a Concessionária de Saneamento Ambiental Serra e a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan).
“O objetivo é remover os poluentes da água previamente usada pela população, de forma a devolvê-la aos corpos hídricos em boas condições e de acordo com os parâmetros exigidos pelos órgãos ambientais”, destaca a gerente de Operações da Ambiental Serra, Isabelly Gonçalves.
Para isso, foram criadas as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), onde o esgoto passa por diversos processos (químicos, físicos e biológicos) que garantem a retirada dos poluentes de forma eficaz. Na Serra, são 21 ETEs. O caminho do tratamento do esgoto é longo e cheio de processos importantes.
536 MIL
PESSOAS SÃO BENEFICIADAS COM COLETA E TRATAMENTO DE ESGOTO NO MUNICÍPIO DA SERRA
O primeiro passo começa dentro da própria residência, ao interligar o sistema de esgoto à rede coletora. Ligado à rede, o esgoto é levado para a primeira rede elevatória, que bombeia o resíduo para a estação de tratamento. Nela, passa por um tratamento preliminar para remover o lixo, areia e outros objetos lançados indevidamente no esgoto pelos usuários.
“Por isso, orientamos o cidadão a não jogar lixo - como absorventes femininos, papel, pano, preservativos e cigarros - no vaso sanitário, e, claro, restos de comida na pia. Esses materiais danificam a tubulação e dificultam os processos do tratamento”, alerta a coordenadora.
Após este processo, a parte sólida do esgoto se transforma em lodo, podendo ser usado como fertilizante ou descartado em um aterro sanitário. Já a parte líquida passa pela desinfecção e é devolvida à natureza.
“O foco do tratamento dos esgotos é contribuir com a saúde da população e preservar o meio ambiente, especialmente garantindo a qualidade das águas de lagoas, rios, mares e até de reservatórios subterrâneos. Isso é importante para garantir a sustentabilidade desse recurso, que é finito”, destaca Isabelly Gonçalves.
MODELO EFICIENTE SEM ADIÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS
O principal processo de tratamento da parte sólida do esgoto é a tecnologia de lodo ativado, uma massa de microrganismos que se desenvolveu às custas da matéria orgânica presente no esgoto e, neste caso, na presença de oxigênio dissolvido. Os lodos ativados são formados por bactérias, algas, fungos e protozoários.
O procedimento é considerado como um dos mais eficientes, modernos e difundidos pelo mundo, pois é totalmente biológico, excluindo qualquer adição de produtos químicos.
1,2 BILHÃO
DE LITROS DE ESGOTO SÃO TRATADOS NO MUNICÍPIO POR MÊS
“A vantagem desta tecnologia é aproveitar o espaço físico, pois ela não requer grandes áreas para sua construção, além de ser um processo muito eficiente e rápido, amigo da natureza”, destaca Isabelly Gonçalves.
Para seu tratamento, o esgoto afluente é direcionado a um tanque onde é aerado (por isso é considerado um tratamento aeróbio). Nesse processo, a matéria orgânica presente no afluente é consumida pelos micro-organismos aeróbios (aqueles que utilizam oxigênio para crescer) que compõem o lodo. Depois desse processo, o efluente é enviado a um decantador em que a parte sólida – lodo – é separada do esgoto tratado, podendo servir de adubo.