A empresa do ex-jogador Roni, suspeito de fraudar boletins financeiros de partidas de futebol, movimentou cerca de R$ 14,1 milhões trazendo jogos para o Estádio Kléber Andrade, desde 2015. O montante corresponde apenas ao valor bruto arrecadado com venda de ingressos.
Com a colaboração de pessoas ligadas ao futebol capixaba, a reportagem identificou 21 jogos trazidos ao Espírito Santo pela Roni7 Consultoria Esportiva. As partidas foram pelo Campeonato Carioca, Copa do Brasil, Primeira Liga e séries A e B do Brasileirão.
A renda dos jogos está discriminada nos boletins financeiros das partidas, popularmente conhecidos como borderôs. Os documentos ficam disponíveis nos sites das respectivas entidades organizadoras das competições.
À exceção de alguns poucos jogos, a ampla maioria das partidas de times nacionais em terras capixabas foi organizada pela empresa de Roni. O ex-atleta foi preso no sábado (25), durante partida entre Botafogo e Palmeiras, pelo Brasileirão, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e solto no domingo (26).
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, ele informava uma arrecadação menor do que a verdadeira para ter que arcar com menos taxas e impostos. Até agora, para as autoridades, clubes e federações são vítimas.
Em entrevista ao Gazeta Online,
- conhecido como borderô - para reduzir o total de pagantes. Com isso, deixaria de repassar R$ 100 mil ao clube capixaba.
As outras foram realizadas em Brasília e Paraná. Não há qualquer informação oficial de suspeitas sobre os demais jogos trazidos pela empresa ao Espírito Santo.
Além de Roni, outras seis pessoas relacionadas ao suposto esquema foram presas. O advogado do ex-jogador, Bruno Aguiar, foi procurado pelo Gazeta Online. Sobre as declarações do presidente do Serra, disse apenas não saber do que se trata e que não comentaria. O Vasco, adversário do Serra na partida, foi procurado e não deu retorno.
Secretário lamenta a situação
O secretário estadual de Esportes, Júnior Abreu, declarou que o governo do Estado não tem relação com o boletim financeiro das partidas realizadas no Kléber Andrade. A pasta apenas cede o estádio mediante pagamento de aluguel. Quando as equipes capixabas são mandantes, o custo é de R$ 1 mil, simbólico.
"A gente não tem nada a ver com o processo. A única coisa que temos aí é que o estádio está sob nossa gestão", disse. Às equipes nacionais, o aluguel é R$ 18 mil.
Como os valores são fixos, o secretário diz que eventual alteração nos boletins financeiros não interfere a arrecadação do Estado.
"Vejo com tristeza essa situação. Temos que repudiar ações desse tipo, se realmente aconteceram. Que sejam investigados e culpados. A única preocupação que tenho é que o futebol seja punido. O futebol que temos aqui não é forte", frisou o secretário.