A artista Ione Reis está representando o Brasil, e especialmente o Espírito Santo, na residência artística internacional "Movendo Fronteiras", realizada entre os dias 19 de maio e 1º de junho de 2025, em Joanesburgo, na África do Sul. Aprovada no edital 01/2025 de circulação e intercâmbio da Secretaria da Cultura do Espírito Santo (Secult-ES), com recursos do Funcultura, Ione é a única brasileira a participar da edição.
A residência é promovida pelo Kianda Contemporary Art Project, em parceria com a Meta Foundation, e tem como proposta um mergulho no intercâmbio com a cena da arte contemporânea africana. Durante o período, os participantes visitam ateliês, galerias, feiras de arte, locais históricos e produzem novas obras em estúdio.
Com produção executiva da brasileira Karolyna Coutinho Mesquita e curadoria do angolano Marcos Jinguba, o projeto se consolida como uma importante janela de inserção internacional para artistas emergentes. Mais que uma conquista profissional, para Ione Reis, essa experiência representa uma travessia simbólica.
“É como estar finalmente frente a frente com toda minha referência ancestral, artística e cultural. O continente africano sempre foi o meu imaginário do que é arte. Estou muito feliz e emocionada. Isso é muito forte para mim enquanto mulher negra. Estou conhecendo lugares e pessoas que fazem eu me sentir pertencente”, afirmou.
Sobre Ione Reis
Nascida na Bahia mas radicada no Espírito Santo, Ione Reis se graduou em Artes Plásticas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e desenvolve pesquisa que cruza pintura, identidade, memória e ancestralidade. Seu trabalho se debruça sobre a presença do corpo negro nos territórios urbanos e naturais, construindo narrativas visuais com potência política e afetiva.
Está sendo uma conexão da minha arte voltada para corpos pretos em Vitória com a arte africana contemporânea em Joanesburgo
Nos últimos anos, Ione vem ampliando sua projeção no circuito artístico. Em 2024, representou o Espírito Santo no 6º Festival Internacional de Graffiti Ruaz Crew, em Teresina (PI), e integrou a exposição coletiva Awujo, em Conceição da Barra, voltada à arte afro-brasileira.
Também realizou sua primeira mostra individual, “Beira Mangue”, na Casa Flor, no Centro de Vitória, resultado de uma residência artística na comunidade de Santa Martha, em Vitória, e já expôs em diversas cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.