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Música

Dudu MC: a jornada do prodígio capixaba que hoje é referência no rap nacional

Capixaba de Itararé, em Vitória, Dudu MC abriu o coração e contou sobre seu início no rap, os desafios da carreira e sonhos para o futuro
Aline Almeida

Publicado em 26 de Abril de 2026 às 08:53

A história de Eduardo, conhecido por todo o Brasil como Dudu MC, começa lá no bairro Itararé, na periferia de Vitória, dentro de um quintal compartilhado onde barracos de madeira abrigavam uma família numerosa e unida. 


Dudu cresceu em um ambiente onde o futebol era uma paixão oficial, mas ele se descreve como o “estranho” da família: enquanto os outros eram aficionados pela bola, ele preferia o skate e o asfalto. Foi justamente através do skate que, por volta dos 9 anos de idade, teve seu primeiro contato com o rap.

Fiquei doido quando vi aquelas pessoas rimando e falando sobre história, deuses gregos, usando roupas largas e cabelos naturais

Aquele encontro despertou nele o desejo de colocar seu nome naquela história e reafirmar sua origem periférica. Sua primeira grande aventura aconteceu no projeto "Boca a Boca", na praça de seu bairro. “Me preparei a semana toda pra isso. No dia, cheguei da escola, vesti minha  camisa do Super-Homem e, ainda com a bermuda de escola, desci para pracinha”

Dudu MC: a jornada do prodígio capixaba que hoje é referência no rap nacional
Dudu MC: a jornada do prodígio capixaba que hoje é referência no rap nacional Vitor Jubini

Ao ser questionado por uma tia sobre onde ia, ele respondeu com a pureza de uma criança: "Estou indo fazer um show, tia". O talento era tão nato que, quando sua mãe finalmente descobriu que ele estava rimando, o pequeno Eduardo já era semifinalista da competição.

A virada de chave: do improviso ao profissionalismo

A transição da infância para a adolescência trouxe a consciência de que, para um jovem negro da periferia, o talento precisava ser acompanhado de seriedade e planejamento, pois tudo seria muito mais dificil. “Eu sabia que as escolhas que eu fizesse impactariam diretamente no meu futuro e no futuro de outras pessoas, especialmente em um estado que não tinha fomento econômico para a cultura de rua”.


Embora as batalhas de rima tenham sido sua grande escola e a base de tudo o que possui, a ida para os estúdios de gravação revelou novas camadas de sua arte. Um dos maiores divisores de águas foi sua participação no Poesia Acústica #6, que o colocou ao lado de grandes nomes da cena nacional, como Filipe Ret e Xamã, e impulsionou sua carreira para um novo nível de visibilidade.


Cantor Dudu Mc
Cantor Dudu Mc Wilmore Oliveira / Divulgação

Hoje, consolidado como um dos grandes nomes do rap, Dudu reflete sobre uma trajetória marcada por álbuns que espelham diferentes fases de sua vida: do caos de Acídia à versatilidade de 2002 e à maturidade de Escolhas e Reflexos. Ele entende que foi "transformado em empresa" muito jovem, o que trouxe grandes responsabilidades e a necessidade constante de se manter relevante. 


Atualmente, com números que ultrapassam 92 milhões de visualizações no YouTube e indicações a prêmios importantes como o Multishow, o artista utiliza sua voz para questionar sua posição na cena e sua importância para o Espírito Santo.


Planos para o futuro

Na última quinta-feira, 23 de abril, Dudu MC iniciou um novo capítulo com o lançamento do álbum internacional “O Cara Errado”. Com 10 faixas inéditas e uma sonoridade influenciada por sua recente vivência na Colômbia, o projeto marca um ponto de virada artística, mergulhando em temas sensíveis como erros, escolhas e as diferentes versões de si mesmo em relacionamentos. 


Para o futuro, os sonhos do rapper permanecem fincados em sua terra natal: ele planeja desenvolver projetos que tornem possíveis os sonhos de outros jovens em seu território e afirma que deseja ser artista até o dia de sua morte, relacionando-se com a cultura enquanto ela permitir.


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