A história de Eduardo, conhecido por todo o Brasil como Dudu MC, começa lá no bairro Itararé, na periferia de Vitória, dentro de um quintal compartilhado onde barracos de madeira abrigavam uma família numerosa e unida.
Dudu cresceu em um ambiente onde o futebol era uma paixão oficial, mas ele se descreve como o “estranho” da família: enquanto os outros eram aficionados pela bola, ele preferia o skate e o asfalto. Foi justamente através do skate que, por volta dos 9 anos de idade, teve seu primeiro contato com o rap.
Fiquei doido quando vi aquelas pessoas rimando e falando sobre história, deuses gregos, usando roupas largas e cabelos naturais
Aquele encontro despertou nele o desejo de colocar seu nome naquela história e reafirmar sua origem periférica. Sua primeira grande aventura aconteceu no projeto "Boca a Boca", na praça de seu bairro. “Me preparei a semana toda pra isso. No dia, cheguei da escola, vesti minha camisa do Super-Homem e, ainda com a bermuda de escola, desci para pracinha”
Ao ser questionado por uma tia sobre onde ia, ele respondeu com a pureza de uma criança: "Estou indo fazer um show, tia". O talento era tão nato que, quando sua mãe finalmente descobriu que ele estava rimando, o pequeno Eduardo já era semifinalista da competição.
A virada de chave: do improviso ao profissionalismo
A transição da infância para a adolescência trouxe a consciência de que, para um jovem negro da periferia, o talento precisava ser acompanhado de seriedade e planejamento, pois tudo seria muito mais dificil. “Eu sabia que as escolhas que eu fizesse impactariam diretamente no meu futuro e no futuro de outras pessoas, especialmente em um estado que não tinha fomento econômico para a cultura de rua”.
Embora as batalhas de rima tenham sido sua grande escola e a base de tudo o que possui, a ida para os estúdios de gravação revelou novas camadas de sua arte. Um dos maiores divisores de águas foi sua participação no Poesia Acústica #6, que o colocou ao lado de grandes nomes da cena nacional, como Filipe Ret e Xamã, e impulsionou sua carreira para um novo nível de visibilidade.
Hoje, consolidado como um dos grandes nomes do rap, Dudu reflete sobre uma trajetória marcada por álbuns que espelham diferentes fases de sua vida: do caos de Acídia à versatilidade de 2002 e à maturidade de Escolhas e Reflexos. Ele entende que foi "transformado em empresa" muito jovem, o que trouxe grandes responsabilidades e a necessidade constante de se manter relevante.
Atualmente, com números que ultrapassam 92 milhões de visualizações no YouTube e indicações a prêmios importantes como o Multishow, o artista utiliza sua voz para questionar sua posição na cena e sua importância para o Espírito Santo.
Planos para o futuro
Na última quinta-feira, 23 de abril, Dudu MC iniciou um novo capítulo com o lançamento do álbum internacional “O Cara Errado”. Com 10 faixas inéditas e uma sonoridade influenciada por sua recente vivência na Colômbia, o projeto marca um ponto de virada artística, mergulhando em temas sensíveis como erros, escolhas e as diferentes versões de si mesmo em relacionamentos.
Para o futuro, os sonhos do rapper permanecem fincados em sua terra natal: ele planeja desenvolver projetos que tornem possíveis os sonhos de outros jovens em seu território e afirma que deseja ser artista até o dia de sua morte, relacionando-se com a cultura enquanto ela permitir.