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Crítica

"Pecadores": Ryan Coogler acerta e cria o filme mais inovador de sua carreira

Depois de sucessos como Creed e Pantera Negra, Coogler aposta em uma trama original com vampiros e reafirma sua sintonia criativa com Michael B. Jordan
Aline Almeida

Publicado em 08 de Maio de 2025 às 17:29

Pecadores: Ryan Coogler acerta e cria o filme mais inovador de sua carreira
Pecadores: Ryan Coogler acerta e cria o filme mais inovador de sua carreira Crédito: Reprodução/Warner Bros. Pictures
Em “Pecadores”, Ryan Coogler e Michael B. Jordan reafirmam uma parceria que já é símbolo de qualidade e comprometimento artístico. O longa, que mistura terror, drama histórico e musicalidade, é mais do que um simples filme de vampiros. É uma experiência sensorial carregada de simbolismos, ancestralidade e crítica social. E mesmo que algumas escolhas possam confundir o público em um primeiro momento, especialmente com a presença duplicada de Jordan no papel dos irmãos gêmeos Smoke e Stack, o resultado é impactante e memorável.
Ver Michael B. Jordan em dose dupla não é apenas um deleite para os olhos, é também uma prova do seu talento como ator. Ele consegue construir dois personagens com identidades próprias, separados não só pelos figurinos, mas também por sutilezas de comportamento e expressão. Em um cenário menos inspirado, a proposta poderia soar forçada ou até caricata. Mas nas mãos de Coogler e Jordan, ela ganha força dramática e camadas emocionais que sustentam a narrativa com firmeza.
A ambientação do filme, o Sul dos Estados Unidos nos anos 1930, em plena Lei Seca, é uma aula de cinema. O cuidado com a direção de arte, os figurinos e, principalmente, a fotografia de Autumn Durald Arkapaw, cria uma atmosfera densa e estilizada que conversa diretamente com o tom da história. E aí entra um dos grandes acertos da produção: o uso do blues como elemento narrativo e espiritual. A trilha sonora não apenas embala o enredo, mas atua como força mística que conecta passado, presente e o futuro. O blues aqui não é pano de fundo, é protagonista.
Cena do filme
Cena do filme "Pecadores" Crédito: Reprodução/Warner Bros. Pictures
Embora o marketing tenha vendido “Pecadores” como um thriller sobrenatural cheio de ação, o filme caminha em outra direção. É mais introspectivo, mais simbólico. Os vampiros não estão ali para nos assustar com dentes afiados, mas para nos fazer refletir sobre estruturas de poder, opressão e apropriação. O terror está menos nos monstros e mais na história que eles ajudam a contar.
Há, sim, momentos em que o ritmo desacelera e exige paciência de quem assiste. Mas é justamente nesse respiro que o filme mostra sua ambição. Coogler está menos preocupado em agradar o público tradicional do gênero e mais interessado em provocar reflexão, mergulhando em temas como racismo, espiritualidade e memória coletiva. Ele usa o terror gótico como veículo para discutir realidades bem concretas, e isso é uma escolha tão corajosa quanto necessária.
O elenco de apoio também merece destaque. Hailee Steinfeld entrega uma performance sensível, e Miles Caton, em sua estreia, mostra carisma e presença. A personagem Anni, vivido pela atriz Wunmi Mosaku, funciona como elo entre o mundo real e o místico, reforçando a importância da sabedoria ancestral.
Cena do filme
Personagem Anni, em cena do filme "Pecadores" Crédito: Reprodução/Warner Bros. Pictures
“Pecadores” não é um filme perfeito, e talvez seu ponto mais frágil esteja na forma como trata a mitologia dos vampiros: ela está ali, mas é apenas pincelada, jamais aprofundada. Ainda assim, isso não soa como falha, mas como uma escolha estética e narrativa. O sobrenatural aqui é símbolo, não centro.
No fim das contas, o filme é uma ode à resistência negra, à música como instrumento de conexão com os ancestrais e à força de uma comunidade que, mesmo diante do terror (real e fantástico), insiste em sonhar. “Pecadores” é cinema com alma, coragem e identidade.

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