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Crime

Tunico da Vila denuncia vendedor por injúria racial em Vitória, veja vídeo

Caso aconteceu na noite de sexta (20), na Rua da Lama, em Jardim da Penha. Em conversa com "HZ", artista afirmou que vai oficializar o caso na Polícia Civil na segunda-feira (23)
Gustavo Cheluje

Publicado em 21 de Outubro de 2023 às 11:29

Tunico da Vila denuncia vendedor por injúria racial em Vitória
Tunico da Vila denuncia vendedor por injúria racial em Vitória Crédito: Instagram@tunicodavilaoficial
O que era para ser um passeio tranquilo pela Rua da Lama, em Jardim da Penha, Vitória, infelizmente acabou em insultos de injúria racial e intolerância religiosa. Tunico da Vila, filho de Martinho da Vila, em companhia da esposa, Déborah Sathler, e de seu porco de estimação, Soba, foi atacado por um vendedor de bebidas na noite desta sexta (20). O artista fez a denúncia de injúria racial e intolerância religiosa em suas redes sociais. 
Em conversa com HZ na manhã deste sábado (21), Tunico comentou o caso sem esconder indignação. "Fiz uma cirurgia e, como estava na hora de fazer um novo curativo, desci para encontrar a Déborah no intuito de me auxiliar. Ela estava passeando com o Soba na Rua da Lama. Na hora, me repassou, assustada, que estava sofrendo agressão por parte de um vendedor de bebidas. Quando procurei o homem, que afirmou ser participante do movimento negro, começou a me insultar, chamando de macumbeiro, pois estava com minhas guias, e mandando voltar para a favela, dizendo que lá era o meu lugar", apontou o artista. Confira imagens dos insultos no vídeo abaixo.
"Ele começou a me provocar, no intuito de que o agredisse. Chamei a Polícia Militar para resolver a questão. É o que todo cidadão preto deveria fazer nesses casos. A branquitude é imposta pelo sistema e os negros sofrem com isso. Muitas pessoas não aceitam que uma pessoa negra more em Jardim da Penha. Sou do Rio, do Morro do Macaco (Vila Isabel), foi lá que conheci minha arte, minha poesia. Vou defender meu povo. Favela não é lugar somente de traficante. É lugar de pessoas honestas e trabalhadoras também". 
O artista explicou que, na presença dos militares, o vendedor tentou mudar o discurso. "A PM pegou depoimento de todos, inclusive de pessoas que assistiram às cenas lamentáveis. Ele disse que ficou incomodado com a presença do porco na Rua da Lama recém-reformada. Disse que o animal poderia 'estragar' a obra pública paga com o dinheiro dele, mesmo afirmando depois que mora em Vila Velha, sendo que a obra foi feita pela Prefeitura de Vitória. O que me chamou a atenção é que, como minha esposa é de pele clara, o vendedor a chamou de 'cidadã'. Eu, que sou negro, fui chamado de 'macumbeiro' e fui convidado a voltar para a favela", explicou.
"Ele não me chamou de preto, só pediu que voltasse para a favela. Na hora, nem lembrei que fui chamado de macumbeiro. Não houve prisão em flagrante, mas fui orientado pelos militares a prestar queixa na Polícia Civil".

CARINHO PELO ES

Tunico afirmou que não filmou os militares que o atendeu por temer pela segurança deles. "Fiz por respeito às famílias. Sei que o trabalho deles é perigoso e não quis expô-los. Fui muito bem acolhido por eles. Amo Vitória e os capixabas. Sou muito bem tratado aqui. Aqui é meu lugar, o lugar que escolhi para viver, para fazer a minha arte. Isso foi um caso isolado. Não vai mudar o carinho imenso que sinto pelo povo capixaba", complementou. 
Esposa do cantor, Deborah Sathler também mostrou indignação pelas redes sociais do marido. "O homem que já foi identificado estava descontrolado porque nunca viu um porco passeando. Ele não é morador do bairro e foi super agressivo comigo e com o Soba. Mas quando você (referindo-se a Tunico da Vila) desceu, ele partiu para ofensas racistas. Estaremos tomando as providências. Pessoas assim não estão preparadas para viver no século 21 e para conviver em harmonia. Obrigada por não ter partido para agressão. Por um mundo com uma comunicação não violenta", escreveu.
Também em conversa com HZ, Deborah deu mais detalhes sobre o momento de aflição por qual passou. "Ficamos com medo pois ele entrava e saía do carro. Estávamos receosos de ele estar armado. Ele literalmente não gostou de ver o Soba ali. Não é morador do bairro. Em Jardim da Penha as pessoas estão acostumadas com o bichinho. Quando viu Tunico, começou a proferir palavras racistas", confirmou Sathler.

POLÍCIA

Em resposta à reportagem, a Polícia Militar explicou que, na noite desta sexta-feira (20), militares foram acionados para atender uma ocorrência de injúria racial em Jardim da Penha. No local, o solicitante informou que sofreu crime de injúria racial durante uma discussão com um homem ao ser questionado o motivo de ele estar passeando com um porco de estimação pela rua da lama.
Segundo o solicitante, o indivíduo o chamou de “favelado”. O suposto autor da injúria racial confirmou ter questionado o indivíduo o motivo de estar com um porco na rua, mas negou que chamou o homem de “favelado”. Tão pouco ter feito menção a cor ou etnia dele. Disse ainda que registraria a ocorrência, em momento oportuno, junto à Polícia Civil, pois havia passado por procedimento cirúrgico recente e não teria condições de aguardar os procedimentos legais a serem adotados para esta ocorrência.

VERSÃO DO VENDEDOR

Nesta segunda-feira (23), o vendedor de bebida, que supostamente teria agredido Tunico da Vila, procurou a Rede Gazeta para dar sua versão sobre o caso ocorrido na Rua da Lama, em Jardim da Penha, na noite de sexta-feira (20). 
Em entrevista ao g1.ES, o rapaz disse que trabalha há 25 anos como ambulante em Vitória e confirmou que era ele no vídeo postado nas redes sociais do artista, mas que em momento algum teria falado para Tunico voltar para a favela.  Ele detalhou que ficou incomodado com o fato de o porco de Tunico, que estava passeando com a mulher, estar, segundo ele, destruindo a grama do local.
"Vi uma cidadã com um porco passeando pela calçada. O animal passou e parou para comer a grama que tinha acabado de ser plantada. Chamei a senhora e falei que o negócio tinha acabado de ser plantado, nem inaugurou. O porco tinha acabado de fazer xixi e cocô. Ela não respondeu nada e disse que ia chamar a polícia", relatou o ambulante.
Depois disso, o vendedor revelou que foi até alguns policiais que estavam perto do local, mas que os militares disseram que não podiam fazer nada sobre o caso. Quando voltou, encontrou Tunico na rua.
"Fui lá falar com a PM sobre dano ao patrimônio, mas a polícia disse que não podia fazer nada, que não era com eles. Retornei, lá estava o filho do Martinho da Vila, eu nem sabia que ele era filho do Martinho da Vila. E ele falou: 'é você que tá atacando minha mulher?' Todo exaltado. Aí eu falei: 'quero ver você fazer isso na favela, vai fazer isso que você tá fazendo aqui na favela, ver se você consegue sair de lá'. 'Volta pra favela eu tenho certeza que não falei isso. Não saiu outras palavras da minha boca que não fossem essas", detalhou o ambulante ao portal.
O vendedor comentou que só ficou sabendo da repercussão do caso por conhecidos que comentaram com ele sobre o vídeo que estava circulando nas redes sociais. Ele afirmou que vai procurar a delegacia ainda nesta segunda (23) para relatar sua versão.

NOTÍCIA CRIME 

Em notícia publicada pelo g1.ES, segundo o advogado de Tunico, Hédio Silva, até quarta-feira (25), ele vai protocolar uma notícia crime por racismo.
"Vamos anexar as provas requerendo a instauração de inquérito por crime de racismo. Isso vai ser feito diretamente na delegacia de polícia e no Ministério Público. Uma advogada vai fazer isso presencialmente", comentou o advogado.

Atualização

23/10/2023 - 3:11
O vendedor ambulante procurou a redação da Rede Gazeta nesta segunda (23) para dar sua versão sobre a discussão com Tunico da Vila em Jardim da Penha, na sexta (20). Além disso, o advogado do artista detalhou que o cantor vai protocolar uma notícia crime por racismo. A matéria foi atualizada de acordo com notícia publicada pelo portal g1.ES

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