Abraham Lincoln, ex-presidente dos EUA, certa vez declarou que “o objetivo de um governo é elevar a condição dos homens para permitir um começo a todos e uma chance justa na corrida da vida”. Uma educação básica de qualidade para todos é a condição para uma chance justa! Um governo que adota boa política gasta energias trabalhando para impulsionar desenvolvimento social de todos, começando pela educação.
Quando refletimos sobre a construção de política de qualidade, logo vem ao pensamento a importância de bons quadros, pessoas experimentadas e íntegras. Também logo vêm ao pensamento os prejuízos que causam os políticos carreiristas, aqueles que enxergam a política como um negócio de perpetuação no poder. Política não é negócio, é missão.
Um governo não deve gastar suas energias trabalhando para as próximas eleições. A energia deve ser gasta em busca da qualidade dos serviços prestados à população. Um governo que executa boa política governa para diminuir a desigualdade social. Não devemos conviver com essa distância entre o brasileiro que tem acesso à instrução de qualidade e o brasileiro que nasce numa família pobre, em que a possibilidade de ascender à outra posição socioeconômica é quase nula.
No Brasil, o principal indicador usado para avaliar a qualidade do ensino básico é o Ideb, Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico. Em Vitória, a dedicação dos profissionais da educação está sendo arruinada pela má gestão. No Ideb do ensino fundamental 1 (1º ao 5º ano) a cidade ficou em 58ª posição entre os 78 municípios do Estado.
No ensino fundamental 2 (6º ao 9º ano) não passou da 56ª no Estado. Mais da metade dos estudantes da rede municipal concluem o ensino fundamental sem aprendizagem adequada em língua portuguesa e 08 em cada 10 estudantes chegam ao final do ensino fundamental sem as competências esperadas em matemática.
Essas crianças se tornarão adultas. Quais qualificações desenvolverão na busca por um emprego? As nossas periferias, com jovens que não estudam nem trabalham, que optam pelo crime, revelam a tragédia da ineficiência na gestão da educação. A pobreza tem muitas causas, mas a principal é a falta de acesso das novas gerações à educação básica de qualidade, que garanta aprendizados essenciais, como português e matemática.
Não cuidar das novas gerações é um desastre. Por isso, a ganância por perpetuação no poder não deve interferir na gestão, comprometendo toda uma geração para agradar interesses políticos.
O principal ativo para o futuro de nossa capital são as crianças e adolescentes. A cidade que tem a maior arrecadação do estado não pode se contentar com menos do que o melhor ensino capixaba!
*O autor é ex-comandante Geral da PM do ES e ex-secretário de Segurança Pública do ES