Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Mundo
  • Trump vira 1° ex-presidente dos EUA réu em caso criminal e alega inocência
Escândalo

Trump vira 1° ex-presidente dos EUA réu em caso criminal e alega inocência

Donald Trump é acusado de falsificação de registros comerciais por usar dinheiro da sua campanha eleitoral para ´´comprar o silêncio`` de mulheres, que teriam sido seus casos extraconjugais

Publicado em 05 de Abril de 2023 às 11:16

Agência FolhaPress

Publicado em 

05 abr 2023 às 11:16
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump comparece ao Tribunal   Criminal em Nova York (EUA)
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump comparece ao Tribunal Criminal em Nova York (EUA) Crédito: SETH WENIG/AP
Donald Trump adicionou mais um aspecto de ineditismo à sua carreira política nesta terça-feira (4), quando se tornou o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos réu por uma acusação criminal, feito que soma à lista de ter sido a primeira pessoa eleita à cadeira máxima do país sem experiência anterior em cargo público e o primeiro a ser alvo de um processo de impeachment na Câmara duas vezes.
No mais recente ato de sua pré-campanha para a Casa Branca no ano que vem, o republicano deixou a Trump Tower por volta das 13h no horário local, ergueu o punho, em gesto que faz desde que assumiu a Presidência, em 2017, e foi à corte no sul da ilha de Manhattan abarrotada de jornalistas e apoiadores.
No jargão americano, para ser detido após "se entregar" à Justiça, o que significa que foi fichado pela polícia e ouviu as acusações de que é alvo no caso que envolve a compra do silêncio de três pessoas durante a eleição de 2016.
Duas delas são mulheres que alegam ter tido um affair com ele, a atriz pornô Stormy Daniels e a ex-modelo da Playboy Karen McDougal, segundo a imprensa americana. Daniels recebeu US$ 130 mil (R$ 659 mil) e McDougal, US$ 150 mil (R$ 761,4 mil). A terceira pessoa, que recebeu US$ 30 mil, é um porteiro da Trump Tower que afirmava que o republicano teve um filho fora do casamento. Eles teriam recebido o dinheiro de advogados do então candidato, e os gastos foram lançados como "despesas jurídicas", o que seria uma maquiagem de gastos de campanha, segundo investigações.
"Indo para o sul de Manhattan, o tribunal. Parece tão SURREAL —UAU, vão ME PRENDER. Não posso acreditar que isso está acontecendo na América. MAGA [sigla em inglês para 'faça a América grandiosa de novo', o slogan do republicano]!", publicou Trump em sua rede social, a Truth, a caminho da corte.
Por volta das 15h30 (no horário de Brasília), Trump entrou no salão do tribunal e ouviu 34 acusações pelo crime de falsificação de registros comerciais. Cada uma delas, que envolvem o lançamento de diferentes registros de 11 cheques que Trump fez para reembolsar o advogado, têm pena máxima de 4 anos.
Ele negou todas elas. Como não envolve um caso com violência, ele não ficou preso e foi liberado na sequência. Depois, embarcou para a Flórida, onde planeja discursar para sua base de apoiadores por volta das 21h (no horário de Brasília), em Mar-a-Lago.
Os trâmites no tribunal não foram transmitidos ao vivo, mas o juiz Juan Merchan permitiu que fotógrafos fizessem algumas imagens do processo. Outra imagem poderia ter entrado para a história, mas, segundo a imprensa americana, não foi feita: sua foto de frente e de perfil como suspeito, depois de um debate sobre se seria mesmo necessário, uma vez que Trump é figura conhecida. A primeira audiência do processo deve acontecer em 4 de dezembro.
Trump já arrecadou US$ 10 milhões (R$ 50,7 milhões) em doações de apoiadores desde que o indiciamento veio a público, na última semana, segundo a equipe do republicano. O ex-presidente passou parte da segunda-feira compartilhando em sua rede social pesquisas que o apontavam como favorito à indicação de seu partido, com mais de 20 pontos percentuais à frente do governador da Flórida, Ron DeSantis.
A dúvida é se a acusação a um ano e meio da próxima eleição vai de fato ajudar Trump na campanha, como ele deseja. Pesquisa da CNN americana divulgada na segunda-feira (3) apontou que 60% dos americanos aprovam o indiciamento. Apesar disso, 76% afirmam que a decisão da Justiça teve algum componente político —sendo que, para 52%, a política ocupou um espaço central.
Para Thomas Whalen, professor da Universidade de Boston, o processo impulsiona Trump no Partido Republicano no curto prazo e pode levá-lo mais facilmente à indicação da legenda para a Presidência.
"Mas será bom o suficiente para fazê-lo ganhar a eleição geral? Provavelmente não. Não acredito que eleitores independentes vão ter um olhar gentil a esses processos que lançam dúvidas sobre Trump, e eleitores democratas obviamente também não. Então os processos podem ajudá-lo a receber a indicação do partido, mas não vejo como o ajudariam no caminho para a Presidência", diz.
Do lado de fora do tribunal, trumpistas conhecidos foram prestar apoio ao ex-presidente, como os deputados Marjorie Taylor-Greene e George Santos, filho de brasileiros investigado após mentir sobre diferentes aspectos de sua vida e sua carreira durante a campanha.
Escândalos sexuais não são novidade na política americana, muito menos no Salão Oval. O democrata Bill Clinton chegou a mentir sob juramento ao negar ter tido relações sexuais com uma estagiária da Casa Branca e, embora tenha sofrido um impeachment na Câmara —barrado no Senado—, deixou o mandato com 66% de aprovação, quase o dobro dos 34% de Trump ao fim de seu governo.
O ex-senador John Edwards, vice na chapa de John Kerry nas eleições que os democratas perderam para George W. Bush em 2004, foi alvo de um processo similar ao de Trump, quando foi acusado em 2012 de desviar US$ 725 mil de sua campanha ao esconder pagamentos para encobrir um caso extraconjugal, com detalhes que iam da existência de uma "sex tape" a uma filha fora do casamento. Na época, ele afirmou que era "um pecador, não um criminoso" e foi absolvido das acusações.
Tudo isso faz com que o escândalo sexual não seja o caso que mais preocupa a equipe de Trump, como evidenciado pelo ex-secretário de Justiça Bill Barr em entrevista à Fox News.
Depois de descrever o processo atual como perseguição política, ele afirmou acreditar que "o caso dos documentos seja o mais sério", referindo-se à investigação sobre os arquivos secretos que Trump manteve de maneira irregular em sua casa na Flórida após deixar a Presidência.
"Não acho que eles estavam atrás daqueles documentos para pegar Trump. Acho que eles queriam na verdade os documentos de volta", afirmou. O processo tem avançado, e o Departamento de Justiça e o FBI reuniram evidências de que Trump praticou obstrução da Justiça, segundo o jornal The Washington Post. Trump se irritou com as declarações de Barr e na manhã desta terça chamou-o de "um completo covarde".
O republicano também batalha contra o andamento de outro processo, na Geórgia, que pode levá-lo ao banco dos réus por tentativa de interferência na eleição que perdeu para Biden no estado em 2020.
O que pode causar mais dor de cabeça e ser usado para tirá-lo da corrida presidencial, porém, seria a investigação sobre sua participação no ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. A 14ª Emenda da Constituição americana proíbe que participantes de insurreições ou rebeliões ocupem cargos públicos.
O Comitê da Câmara recomendou que o Departamento de Justiça indicie Trump por insurreição, mas ainda não está claro se isso deve acontecer, disse à Folha na última semana o professor de direito constitucional Josh Blackman. Mesmo membros da milícia de ultradireita Proud Boys não foram acusados de insurreição, mas de conspiração sediciosa, um grau abaixo.
Para Barr, condená-lo pelo 6 de Janeiro "é um caso difícil de provar", já que envolve a liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda da Constituição. "Onde você vai traçar a linha entre atividades legítimas da Primeira Emenda, protestar contra uma eleição e realmente conspirar para desfazer uma eleição?"
Há receio de protestos nesta terça, convocados por Trump e apoiadores em rede social, mas autoridades não preveem grandes manifestações em massa em Nova York ou em Washington. Na segunda, o prefeito de Nova York, o democrata Eric Adams, desencorajou manifestantes e afirmou que quem cometer atos de violência "será preso e responsabilizado, não importa quem seja".
A Casa Branca vem tentando se distanciar do caso. A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, afirmou que Trump "não está no foco" para Biden, mas "obviamente ele está informado".

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Palantir: por que o crescimento do poder global da empresa de IA causa preocupação?
Imagem de destaque
Augusto Cury diz que, se eleito presidente, pode acabar com a fome mundial e mediar guerra de Putin e Zelensky: 'Sou especialista em pacificação'
Sede do STF
Os ministros do STF e os abusos de poder

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados