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Beatriz Seixas

Novo fôlego para o setor naval

Confira a coluna da Beatriz Seixas deste domingo (18)

Publicado em 18 de Novembro de 2018 às 09:38

Públicado em 

18 nov 2018 às 09:38
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Estaleiro Jurong, no Norte do Estado Crédito: Fernando Madeira
Concebido há cerca de 10 anos para atender, principalmente, a demanda do setor de petróleo e gás a partir das descobertas e da exploração do pré-sal, o Estaleiro Jurong Aracruz (EJA), do grupo SembCorp Marine, de Singapura, começa a deixar para trás a frustração de ver seus negócios não efetivados após os problemas nos setores petrolífero e naval, fortemente impactados pela crise econômica brasileira, pela queda do preço do barril de óleo no mercado internacional e sobretudo pelos escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras.
Desde que “nasceu”, o EJA já contava em seu portfólio com grandes contratos. Aliás, a sua razão de existir foi pautada justamente nas encomendas feitas pela Sete Brasil, empresa criada em 2010, na gestão do ex-presidente Lula, para viabilizar a construção e a operação de sondas demandadas pela Petrobras que seriam responsáveis por explorar o pré-sal.
Na época, 28 sondas foram solicitadas a vários estaleiros, sete delas para o Jurong, um contrato da ordem de R$ 10 bilhões. Mas, com a operação Lava Jato - que descobriu esquemas de corrupção, inclusive envolvendo estaleiros -, o projeto naufragou.
As empresas contratadas deixaram de receber pagamentos pelos serviços, muitas sondas tiveram suas fabricações paralisadas, a Sete Brasil entrou em processo de recuperação judicial e estaleiros que eram promessa de reativar e fortalecer o setor naval brasileiro foram se afundando em dificuldades econômicas e demitindo milhares de profissionais.
Por contar com a gestão e o capital estrangeiro do grupo asiático, o Jurong teve fôlego maior do que muitos outros estaleiros que fecharam suas portas. Mas desde que começou a operar, em 2014, a até pouco tempo, as atividades na região de Barra do Riacho estavam muito aquém da capacidade do empreendimento, um dos mais modernos do Brasil.
Hoje, a situação já é bem diferente, embora ainda exista muito espaço para absorver novas demandas do setor. Quem passa pelo litoral, na ES 010, consegue ver, pelo menos em parte, a grande quantidade de embarcações ancoradas no cais, onde já começa a se formar uma espécie de estacionamento paralelo de navios.
Com a interrupção das demandas do pré-sal, o EJA buscou outros tipos de contrato, e passou a realizar diversos serviços como reparos em navios, integração de módulos em embarcações e o aluguel de um mega guindaste flutuante, o maior da América Latina. Hoje cerca de 3 mil trabalhadores atuam na empresa.
O horizonte para o próximo ano é ainda mais favorável, já que há poucos dias a Sete Brasil aprovou o seu plano de recuperação judicial, no qual ficou decidido que a companhia vai prosseguir com quatro sondas de perfuração, duas delas, segundo informações de bastidores, do Estaleiro Jurong Aracruz. O número é muito menor do que o previsto lá atrás, mas pelo menos traz algum fôlego para o setor e, no caso do Espírito Santo, pode representar a criação de centenas e até milhares de empregos.
As duas sondas que fazem parte dessa retomada são a Arpoador, que já tem cerca de 90% da sua estrutura pronta, e a Guarapari, com o casco ainda em Singapura. A partir do momento que o EJA tiver sinal verde para o projeto voltar a ser tocado, o casco vem para o Brasil para ser finalizado no Norte capixaba, impulsionando as atividades.
Uma fonte, que preferiu não se identificar, diz que a notícia é animadora, mas pondera que ainda faltam algumas etapas para essa retomada deslanchar. “Agora a Sete Brasil vai lançar licitação no mercado e buscar empresas que queiram investir nesses quatro contratos das sondas, as únicas mantidas pela Petrobras. Como a Sete Brasil não tem dinheiro para terminar os navios, ela precisa de investidores para bancar o término da construção e também para operar as sondas posteriormente. Certamente, a Sete Brasil tem pressa e logo isso deve andar.”
Especialistas veem os recentes capítulos dessa novela com bastante otimismo e avaliam que o EJA é peça importante para o Espírito Santo participar das oportunidades que têm para ser exploradas, mesmo que as novas concessões do pré-sal não incluam o litoral capixaba.
“O Jurong veio diversificando suas atividades para reduzir a sua ociosidade e não ficar na dependência dos projetos da Petrobras. Mas saber que agora existe essa possibilidade de retorno da construção das sondas é muito positivo para a empresa e para o Estado como um todo”, destaca Durval Freitas, coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás.
Se considerarmos que nos primeiros anúncios da construção do Estaleiro Jurong a expectativa era para que fossem criados 6 mil empregos, e hoje eles estão na casa dos 3 mil, há de fato muito o que se avançar. Nos últimos dois anos, o setor de óleo e gás tenta se reerguer, e, se ganhar musculatura, como vem indicando, o Espírito Santo certamente tende a se consolidar como um importante polo naval do país e do mundo.
Porto Central negocia com setor de óleo e gás
Perspectiva do Porto Central Crédito: Divulgação
Diante da falta de definição sobre a construção da ferrovia até o Sul do Estado, os empreendedores do Porto Central estão cada vez mais consolidando o negócio para atender a indústria de óleo e gás, que será a carga âncora. Há conversas com clientes do Brasil, Houston e Roterdã.
“Já os clientes de grãos, carvão e carga geral aguardam o anúncio da ferrovia por parte do governo para tomarem a decisão de operar no Porto Central”, diz o diretor José Salomão Fadlalah ao observar que muitas das decisões também aguardam os rumos da economia com o novo presidente eleito.
A expectativa é que as obras do terminal, em Presidente Kennedy, comecem em meados de 2019. Enquanto isso, os representantes do porto seguem em negociações com potenciais clientes, e na atuação para cumprir condicionantes ambientais e detalhar o projeto.
Estratégias para sobreviver em meio aos grandes
O movimento de compra de hospitais e planos de saúde do Espírito Santo por fundos estrangeiros continua causando burburinhos no mercado capixaba. Uma autoridade do Estado disse ver com preocupação a possibilidade de passar a ser praticada uma espécie de dumping (quando empresas vendem produtos ou serviços a preços mais baixos do que os de mercado com objetivo de eliminar concorrentes) pelos novos investidores, que estão bem capitalizados.
“Unimed, hospitais Evangélico e Santa Rita, por exemplo, vão ter que montar suas estratégias para 2019 e terem muita capacidade de ação a partir do próximo ano. Eles vão ter que reagir e se protegerem da intensa busca por clientes que os novos grupos farão”, alertou.
Abertura de conta sem ter que sair de casa
O Banestes vai lançar agora no final do ano um aplicativo de celular que vai permitir que os interessados em abrir uma conta no banco o façam sem precisar ir a uma agência física. O diretor-presidente da instituição, Michel Sarkis, disse que somente com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e sem sair de casa será possível ter acesso aos serviços do banco.
Segundo ele, a conta-corrente será no mesmo padrão de uma tradicional, e a partir do momento em que a pessoa solicitar a abertura, o banco fará a avaliação e dará uma resposta em até um dia útil. A iniciativa já é adotada por alguns bancos do país, que veem na redução da burocracia uma forma de atrair clientes.
A novidade vem em um momento em que o Banestes tem feito investimentos em tecnologia. A mudança já é vista em alguns números. Há cerca de dois anos, 10% do volume transacional da instituição acontecia por meio dos canais digitais, hoje esse percentual já alcança cerca de 60%.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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