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Ou vai ou racha

Prévia do PSB em Vitória pode forçar Majeski a se despedir do partido

Escolha antecipada do candidato a prefeito pelo partido pode ser maneira de os dirigentes obrigarem deputado a buscar outra legenda até abril, se sair derrotado da prévida. O próprio Casagrande já lhe deu a deixa...

Publicado em 10 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

10 fev 2020 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Majeski pode deixar PSB até abril Crédito: Assembleia Legislativa
Acredito que, após a prévia marcada pelo PSB de Vitória para a próxima segunda-feira (17), o deputado Sergio Majeski possa espirrar para fora do partido. Acredito inclusive ser possível que a prévia, na qual Majeski e o vice-prefeito Sérgio Sá disputarão a condição de pré-candidato do PSB a prefeito da Capital, tenha sido marcada pelos dirigentes socialistas, no fundo, com o objetivo de verem Majeski fora do partido, em consequência de uma possível derrota do deputado, numa saída diplomática e honrosa para todos os envolvidos.
Como político, Majeski pode ter muitas qualidades, mas ser “agregador”, definitivamente, não é uma delas. Mesmo dentro do PSB, é assim que muitos o veem: um quadro excelente, mas um político que não agrega. Ou, como gosta de dizer quem é do meio, não é um cara “de grupo”. Desde que ingressou na vida pública, o deputado não esboça preocupação em construir relacionamentos, alianças e compromissos políticos e partidários. Atua como lobo solitário. Isso pode, mais uma vez, custar-lhe um pretendido crescimento. Sua permanência no páreo pela Prefeitura de Vitória pode significar um potencial contratempo para o cacique-mor do PSB, Renato Casagrande, um inconveniente que o governador talvez prefira anular agora, nas primeiras etapas do processo.
Não por menos, Casagrande deu, na última terça-feira (4), uma declaração abundante de significados e que só pode ter sido endereçada a Majeski, ao buscar explicar o porquê da prévia, aparentemente prematura, do PSB de Vitória: “É uma responsabilidade da direção municipal do partido, mas considero acertada, até porque é um prazo para quem se inscrever como candidato, caso não seja escolhido, também poder buscar outra alternativa partidária”.
Com isso, Casagrande na certa deu a deixa para Majeski (e só para ele, não para Sérgio Sá). Educadamente, o governador está indicando a porta de saída para o deputado e, nas entrelinhas, o que está dizendo é: “Majeski, meu amigo, em caso de derrota na prévia, fique à vontade para procurar outro caminho. Ninguém aqui pedirá nem ameaçará o seu mandato na Assembleia”.
Com a porta da candidatura fechada antecipadamente para ele no PSB, Majeski de fato não terá escolha senão migrar para outra sigla que lhe assegure a legenda para concorrer a prefeito (ele tem convite forte da Rede, onde Audifax Barcelos já disse à coluna que dará total apoio à sua candidatura se ele se filiar à sigla). Isso até o dia 4 de abril. Trocando de partido até essa data, Majeski facilita o caminho para uma composição, em julho, entre o PSB e o Cidadania do prefeito Luciano Rezende: tira um peso enorme (o seu) de cima da mesa de negociações entre Casagrande e Luciano; deixa de ser aquele potencial empecilho para a renovação da aliança entre os dois partidos na cidade – opção que, ao que parece, Casagrande tem hoje por prioridade.
Dando uma de Paulo Hartung, Casagrande tem jogado com a ambiguidade, produzindo declarações dúbias em série sobre o processo eleitoral em Vitória. Ao mesmo tempo em que não desautoriza a direção do PSB na Capital a levar adiante o projeto de candidatura própria, sinaliza, a todo instante, que sua prioridade é preservar a aliança político-eleitoral estabelecida com Luciano – o que, na prática, significa levar o PSB a apoiar o candidato do prefeito, o deputado Fabrício Gandini (Cidadania).
A impressão que Casagrande dá é que pretende cozinhar esse galo até quando puder e, na hora certa – ou seja, no limite do prazo das convenções (de 20 de julho a 5 de agosto) –, entrar em cena, de maneira definitiva, para amarrar, sem deixar pontas soltas, a chapa com o Cidadania. Assim indica ele quando afirma, por exemplo, como fez na última terça-feira (4), que ele tem a “tarefa” e o “compromisso” de “fortalecer o movimento político que o Luciano lidera na Capital”; ou quando diz, na mesma entrevista, que o pré-candidato a ser escolhido pelo PSB na prévia de Vitória não será definitivo, devendo ainda se viabilizar até julho.
Mas Majeski, como ninguém, pode estragar esse provável plano de Casagrande de sacramentar, de julho para agosto, a reedição da aliança com o Cidadania e o apoio ao candidato de Luciano. Suponhamos que, às vésperas das convenções, ainda na condição de pré-candidato do PSB, Majeski apareça em pesquisas muito à frente de Gandini. Vai ser difícil, muito difícil, o PSB ignorar esse argumento na definição das alianças e da cabeça da chapa majoritária. Por outro lado, se Majeski já não estiver no PSB quando julho chegar, dirime-se completamente esse “risco”. Daí a utilidade “prática” da prévia municipal para Casagrande.
A direção estadual – que endossa a iniciativa da municipal – cria, assim, uma situação em que Majeski pode se ver obrigado a se desfiliar do PSB. Força-o a sair da sigla, agora, por iniciativa própria, sem precisar barrar sua candidatura no futuro, evitando o constrangimento que essa medida drástica representaria para todos.
Isso, é claro, se Majeski perder a prévia para Sérgio Sá no próximo dia 17. Se ele vencer, na verdade, ganhará ainda mais força para buscar viabilizar a candidatura pelo próprio PSB. E, se chegar forte às raias da eleição, pode representar um complicador imenso para a manutenção da aliança com o Cidadania que parece ser, no fundo, o plano preferencial de Casagrande.
Por outro lado – e isso é só palpite –, acredito sinceramente nas chances de Sérgio Sá vencer a prévia exatamente pelo regulamento e pela natureza do certame: quem vota são os correligionários do PSB em Vitória, incluindo os pré-candidatos a vereador, que mobilizarão suas bases e são muito mais alinhados com o vice-prefeito do que com o deputado estadual. Em duas palavras, é uma questão de “vivência partidária”. O ponto forte de Sá nesse processo interno de escolha é precisamente o ponto em que Majeski vem a ser praticamente uma nulidade.
Ao contrário de Sérgio Sá – que acumula 14 anos de partido –, Majeski não é orgânico no PSB, não tem a menor ligação com o partido e possivelmente nem sabe quem são os pré-candidatos a vereador. Serginho, ao contrário, é “da casa”, faz política há muito tempo na cidade, conhece todos os colegas pelo nome, vive o dia a dia do PSB de Vitória. Conhece as entranhas políticas da Capital, as aspirações dos líderes comunitários, e por aí vai…
Majeski pode ser, a princípio, muito mais competitivo nas urnas em outubro que seu concorrente interno. Mas, do jeito que tudo foi montado, isso de nada lhe servirá se não conseguir captar os votos dos próprios pares na urna do PSB.

REAÇÕES OPOSTAS

Sobre a declaração de Casagrande de que “quem perder a prévia pode sair”, Majeski e Sá tiveram reações diversas. Questionado pela reportagem de A Gazeta, Sá respondeu que, mesmo perdendo, nem cogita sair – “Poderia contribuir de outras formas” –, enquanto Majeski se diz disposto a avaliar essa hipótese, embora muito desconfiado dessa “liberação” para sair sem pôr em risco seu mandato na Assembleia. Alguém ainda duvida que o recado de Casagrande foi específico para Majeski?

PRÉ-CANDIDATOS PREOCUPADOS

De uma fonte do PSB: pré-candidatos a vereador de Vitória pelo partido temeriam que, com Majeski candidato majoritário, eles possam ser deixados à deriva. Por seu perfil, o candidato a prefeito não se importaria com a campanha deles, que acabariam pulando fora da chapa. Receosos do “risco Majeski” e preocupados com o próprio futuro, esses pré-candidatos viriam pressionando os dirigentes por uma definição. Então a Executiva municipal teria decidido fazer essa prévia agora para sossegar a turma e segurar a chapa.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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