Uma notícia pode nascer de uma mensagem recebida no celular, de uma informação que chega à produção ou de uma cena observada na rua. Mas, antes de chegar ao telespectador, ela passa por apuração, checagem, escolhas editoriais e pelo trabalho coordenado de uma equipe que, muitas vezes, não aparece na tela.
É nos bastidores que a chefia de reportagem organiza esse percurso: define prioridades, distribui pautas, acompanha a apuração e ajuda a transformar uma informação em notícia. Essa rotina foi apresentada por Sayonara Brandão, chefe de Redação da TV Gazeta, aos participantes do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta.
Na redação integrada, TV, g1 ES e CBN compartilham informações entre si, mantendo a autonomia em suas decisões, de acordo com o perfil e as prioridades de cada veículo. A produção reúne os conteúdos que chegam por canais como o Fala Aê – WhatsApp da TV Gazeta – e pela agenda diária. A partir desse material, produtores e editores definem as pautas e transformam propostas em reportagens buscando fontes, personagens e recursos necessários.
Diante do grande volume de sugestões que chegam, a seleção leva em conta o potencial de alcance e, principalmente, o impacto na vida do capixaba: "A gente tem de buscar audiência, mas nossa principal missão é prestar um serviço que ajude a melhorar a vida das pessoas e o lugar onde a gente vive”, reforça Sayonara.
A relevância de um assunto, no entanto, não substitui a apuração rigorosa. Uma denúncia pode chamar a atenção pelo apelo visual ou pela gravidade, mas precisa ser confirmada antes de ir ao ar. “A gente tem de apurar, tem de se certificar”, destaca.
Com a pauta definida, começa a corrida contra o relógio para transformar a apuração em conteúdo dentro do horário do telejornal. Na gestão, o desafio é adaptar formatos diante da falta de tempo, mantendo os princípios da emissora. “A linha editorial da Rede Gazeta prevê, como princípio básico, ética e responsabilidade”, ressalta.
Mesmo sob pressão por agilidade, a equipe mantém a obrigação de ouvir os envolvidos, confirmar fatos e respeitar os limites legais. Fatos extraordinários também reorganizam a rotina. Em um acontecimento de grande impacto, a equipe se mobiliza em torno de uma só cobertura — como no recente incêndio do arquivo do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). “Se for um factual que impacte a vida de todo o Estado, a gente para as máquinas e toda a equipe trabalha em prol daquele acontecimento”, relata.
*Este conteúdo foi produzido por Patrick Mizrahi, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação da editora Giuliane Calvi.