O rendimento médio dos trabalhadores do setor público é cerca de 71,7% maior do que o do setor privado, de acordo com os dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diante dos salários atrativos, benefícios e estabilidade na carreira, muitas pessoas se preparam durante anos para alcançar o cargo dos sonhos no serviço público. Porém, o caminho até lá pode ser árduo para a saúde mental do candidato, afetada por fatores como pressão, estresse e frustração, além da instabilidade econômica do país.
Nesse contexto, segundo Rafael Vieira, psicólogo da edtech Gran, os quadros de ansiedade são os mais frequentes entre os concurseiros e estão associados ao medo de fracassar, da concorrência e da banca organizadora da prova. Outros quadros incluem o estresse constante, causado pelo esgotamento em razão do excesso de horas de estudo, falta de lazer e de descanso, e a depressão, que, diante da dificuldade de aprovação, gera perda de sentido e propósito na vida.
Impactos emocionais vão além da rotina de estudos
Em muitos casos, o indivíduo também sofre com isolamento, fácil irritabilidade e crenças negativas sobre si mesmo. Por exemplo, uma possível reprovação, comum diante de toda concorrência presente nos concursos, acaba influenciando na autoestima , gerando pensamentos como “não sou inteligente”, “não sou bom o bastante”, “nunca vou conseguir passar”.
Isso acaba impactando a qualidade da preparação para os processos seletivos. “O candidato pode acabar procrastinando os estudos por medo, estresse ou depressão e ter dificuldade para aprender e memorizar o conteúdo. Sintomas físicos de dor de cabeça, problemas gastrointestinais, alergias, dermatites e distúrbios de sono também acontecem”, explica o psicólogo.
Descanso e equilíbrio também fazem parte da preparação
O estudante deve respeitar o seu tempo, suas condições e suas necessidades. Para Rafael Vieira, é necessário organizar o tempo para descanso, lazer e sono de qualidade , já que esses hábitos ajudam a melhorar a saúde mental e, consequentemente, o rendimento nos estudos.
“A mente sobrecarregada é pouco produtiva. Aquela ideia de que o concurseiro não tem final de semana e não faz nada além de estudar é mais uma pressão desnecessária que se coloca sobre o candidato. Acima de tudo, ele é humano e tem limites. Precisa descansar, comer, dormir e interagir com outras pessoas. O processo de estudos não precisa ser mais sofrido do que já é”, explica.
Rede de apoio pode aliviar ou aumentar a pressão
Somada à pressão interna, a cobrança externa, feita pela família, amigos ou companheiro, pode potencializar esses sintomas, já que a rede de apoio também tem expectativas sobre a aprovação. Nesses casos, a pessoa se sente como “refém da situação” e a vontade de passar no concurso se torna algo opressivo porque ela passa a pensar que qualquer outro resultado é inaceitável para os demais.
Para o psicólogo do Gran, o processo de preparação é tanto individual quanto coletivo. Além do esforço, dedicação e energia do candidato, a rede de apoio também influencia no resultado e, por isso, precisa respeitar suas necessidades, acolher as frustrações, reforçar o incentivo e reconhecer as vitórias ao longo da jornada de preparação.
Por Camila Parreira