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Dia Mundial do Cérebro: 7 hábitos que ajudam a preservar a memória e fortalecer a saúde cerebral

Especialistas explicam como estímulos cognitivos, rotina equilibrada e prevenção podem contribuir para um envelhecimento mais saudável

Publicado em 22 de Julho de 2026 às 12:15

Portal Edicase

Publicado em 

22 jul 2026 às 12:15
Os cuidados com a saúde cerebral começam muito antes do envelhecimento (Imagem: SebastianGonzalo | Shutterstock)
Os cuidados com a saúde cerebral começam muito antes do envelhecimento Crédito: Imagem: SebastianGonzalo | Shutterstock
Celebrado em 22 de julho, o Dia Mundial do Cérebro chama atenção para um dos órgãos mais complexos e importantes do corpo humano. Responsável por controlar movimentos, emoções, pensamentos, memória e aprendizado, ele também precisa de cuidados constantes para manter seu funcionamento ao longo dos anos.
Durante muito tempo, a saúde cerebral foi associada apenas ao tratamento de doenças neurológicas. No entanto, a ciência mostra que hábitos incorporados à rotina podem influenciar diretamente a capacidade cognitiva, a autonomia e a qualidade de vida, inclusive durante o envelhecimento.
Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), publicado na revista científica International Psychogeriatrics, acompanhou idosos durante 18 meses em um programa de estimulação cognitiva. Os resultados indicaram melhora em funções executivas, memória e aspectos emocionais dos participantes, reforçando o conceito de neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de criar e reorganizar conexões ao longo da vida.
Preservar o cérebro depende de uma combinação de fatores que envolvem desde a prática de atividades físicas até desafios intelectuais, controle de doenças crônicas e manutenção de uma vida social ativa. Abaixo, confira hábitos que ajudam a preservar a memória e fortalecer a saúde cerebral.

1. Estimulação cognitiva mantém o cérebro ativo e favorece novas conexões

A ideia de que o envelhecimento está necessariamente ligado à perda da capacidade de aprender vem sendo desconstruída pela neurociência. Atualmente, estudos mostram que o cérebro permanece adaptável quando recebe estímulos adequados , independentemente da idade.
A gerontóloga Dra. Thais Bento, doutora em Neurologia pela USP e especialista do Supera Estimulação Cognitiva, conhecido também como Supera Ginástica para o Cérebro, explica que a estimulação cognitiva tem papel fundamental na preservação das funções mentais e na autonomia.
“Os resultados das pesquisas demonstram que a estimulação cognitiva promove ganhos importantes na memória, nas funções executivas e no desempenho cognitivo global. Isso reforça que o cérebro permanece capaz de aprender, adaptar-se e desenvolver novas conexões durante toda a vida. Quanto mais ele é estimulado, maiores são as possibilidades de preservar autonomia e qualidade de vida”, afirma.
A especialista destaca ainda que o cuidado com o cérebro não deve começar apenas quando surgem dificuldades de memória. A prevenção, segundo ela, é uma estratégia essencial para manter a independência ao longo dos anos.
“A estimulação cognitiva possui um importante papel preventivo. Não devemos esperar que a memória apresente falhas importantes para começar esse cuidado. Quanto mais cedo esses estímulos fizerem parte da rotina, maiores são as chances de preservar as funções cognitivas e a independência durante o envelhecimento”, completa a Dra. Thais Bento.

2. Exercício físico, sono e alimentação também protegem o sistema nervoso

A saúde cerebral está diretamente ligada ao funcionamento de todo o organismo. Assim como a prática de atividade física fortalece músculos e coração, ela também beneficia a circulação cerebral, reduz inflamações e contribui para a prevenção de alterações neurológicas.
Para o neurocirurgião Dr. Wilson Faglioni Jr., formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre e doutor em Ciências da Saúde, com especialização em cirurgia endoscópica da coluna pela USP Ribeirão Preto, cuidar do cérebro exige uma visão ampla sobre o estilo de vida.
“O cérebro não funciona de maneira isolada. Ele depende da qualidade do sono, da alimentação, da atividade física e do controle dos fatores de risco ao longo da vida. Pequenas escolhas diárias podem influenciar diretamente a preservação da memória, da capacidade de raciocínio e da saúde do sistema nervoso”, explica.
Além da atividade física, o médico ressalta que hábitos simples, como manter uma alimentação equilibrada e acompanhar regularmente condições como hipertensão, diabetes e colesterol elevado, são medidas importantes para reduzir riscos neurológicos.
“A prevenção de doenças como acidente vascular cerebral (AVC), demências e neuropatias passa pelo controle dos fatores modificáveis. O acompanhamento médico e a adoção de hábitos saudáveis ajudam a reduzir impactos no sistema nervoso e aumentam as chances de um envelhecimento com mais autonomia”, afirma.

3. Sair do piloto automático estimula a capacidade de adaptação do cérebro

A rotina repetitiva pode fazer com que o cérebro utilize cada vez menos recursos para realizar determinadas tarefas. Por isso, inserir novidades no dia a dia é uma maneira de estimular diferentes áreas cognitivas.
A terapeuta Glaucia Santana, do Espaço HI, explica que a novidade funciona como um estímulo natural para a mente. “Quando repetimos exatamente os mesmos comportamentos todos os dias, o cérebro passa a economizar energia. Alterar pequenos hábitos, como mudar um caminho, aprender uma atividade diferente ou utilizar a mão não dominante em tarefas simples, obriga o cérebro a reorganizar circuitos e fortalece sua capacidade de adaptação”, afirma.
Segundo a especialista, a curiosidade também tem um papel importante nesse processo. “O cérebro gosta de novidade. Sempre que aprendemos uma habilidade que foge da rotina, ativamos regiões relacionadas à memória, criatividade, coordenação motora e resolução de problemas. Esse aprendizado contínuo ajuda a manter a mente ativa e flexível em qualquer fase da vida”, destaca.

4. Aprender e ensinar fortalecem memória e raciocínio

Estudar um novo idioma, tocar um instrumento, fazer cursos ou desenvolver novos hobbies são atividades que exigem concentração, planejamento e armazenamento de informações. O aprendizado constante funciona como um treinamento para diferentes áreas cerebrais.
Além de aprender, ensinar também pode ser uma ferramenta poderosa para fortalecer a memória. Explicar um conteúdo ou compartilhar um conhecimento exige organização mental e recuperação de informações armazenadas.
O professor de redação Júlio Amorim, sócio do curso Foco Medicina, explica que essa prática pode beneficiar estudantes e adultos em diferentes momentos da vida. “Quando conseguimos explicar um conteúdo utilizando nossas próprias palavras, mostramos ao cérebro que aquele conhecimento foi realmente compreendido. Esse exercício fortalece a memória de longo prazo, amplia a capacidade de organização do pensamento e melhora o raciocínio”, afirma.
Os exercícios de atenção plena ajudam a reduzir a sobrecarga cognitiva (Imagem: 220 Selfmade studio | Shutterstock)
Os exercícios de atenção plena ajudam a reduzir a sobrecarga cognitiva Crédito: Imagem: 220 Selfmade studio | Shutterstock

5. Pausas ajudam a reduzir a sobrecarga mental

Com o aumento do uso de telas, notificações constantes e excesso de informações, o cérebro passou a lidar diariamente com uma grande quantidade de estímulos. Por isso, momentos de pausa também fazem parte dos cuidados com a saúde cerebral.
A psiquiatra Juliane de Paula explica que desacelerar não significa improdutividade, mas uma forma de permitir que o cérebro reorganize informações e recupere a capacidade de concentração. “Muitas pessoas acreditam que descansar significa apenas interromper o trabalho, mas o cérebro precisa de pausas conscientes para reorganizar o processamento das informações. Exercícios de atenção plena ajudam a reduzir a sobrecarga cognitiva, diminuem a reatividade emocional e favorecem o foco”, diz.

6. Saúde da coluna e dos nervos também merece atenção

Quando se fala em saúde cerebral, muitas pessoas pensam apenas em memória e doenças cognitivas. No entanto, o sistema nervoso envolve também a comunicação entre cérebro, medula, coluna e nervos periféricos.
Segundo o Dr. Wilson Faglioni Jr., problemas relacionados à coluna e aos nervos periféricos também precisam fazer parte da prevenção neurológica . “Alterações na coluna e compressões de nervos periféricos podem gerar dor, perda de força e limitações funcionais importantes. Por isso, a avaliação adequada e o tratamento precoce são fundamentais para evitar que esses problemas comprometam a autonomia do paciente”, explica.

7. Relações sociais também exercitam o cérebro

A convivência social também é considerada um fator de proteção cerebral. Para Glaucia Santana, as relações humanas funcionam como um estímulo cognitivo natural. “O cérebro é profundamente social. Toda conversa significativa exige interpretação, memória, atenção e inteligência emocional. Quando convivemos com pessoas que nos desafiam a aprender, refletir e enxergar novas perspectivas, estamos estimulando diferentes áreas cerebrais de maneira espontânea”, afirma.

Mantendo a saúde do cérebro

A ciência reforça que cuidar do cérebro não depende de uma única ação, mas de um conjunto de escolhas feitas diariamente. Manter uma rotina ativa, buscar novos aprendizados, cuidar da saúde física e emocional e realizar acompanhamento médico quando necessário são atitudes que contribuem para preservar a memória e a qualidade de vida.
No Dia Mundial do Cérebro, a principal mensagem dos especialistas é que o envelhecimento saudável começa muito antes da velhice. O cérebro permanece em transformação durante toda a vida e responde positivamente aos estímulos que recebe.
Por Sarah Carvalho

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