A hipoglicemia acontece quando os níveis de açúcar (glicose) no sangue ficam baixos. A glicose é a principal fonte de energia do nosso corpo e, principalmente, do nosso cérebro. Quando ela falta, o organismo começa a "reclamar" rapidamente.
Em termos médicos, geralmente considera-se hipoglicemia quando o nível de açúcar no sangue cai abaixo de 70 mg/dL, embora esse limite possa variar de pessoa para pessoa. O interesse sobre a doença aumentou após a morte do influenciador Gabriel Ganley.
Segundo alguns veículos, como a coluna Músculo da Folha de S. Paulo, e o portal Leo Dias, uma das suspeitas mais fortes seria a hipoglicemia provocada pelo uso inadequado de insulina para ganho de massa muscular. Mas não há informações oficiais ou laudo divulgado que confirmem a causa mortis.
A endocrinologista Gisele Dazzi, da Rede Meridional, explica que a hipoglicemia severa é um quadro caracterizado pela queda brusca dos níveis de glicose no sangue. O excesso de insulina pode fazer com que a glicose diminua rapidamente, especialmente em pessoas que não têm diabetes.
“A hipoglicemia severa acontece quando os níveis de açúcar no sangue caem muito rápido e atingem valores muito baixos. A pessoa pode passar mal, sofrer quedas, bater a cabeça, apresentar crises convulsivas e, em casos extremos, ir a óbito se não houver atendimento emergencial”, alerta Gisele.
Os sintomas costumam surgir de forma rápida e servem como um sinal de alerta do corpo. O paciente pode ter tremores e calafrios, suor frio e excessivo, fome intensa, batimentos cardíacos acelerados, tontura ou dor de cabeça, além de nervosismo, ansiedade ou irritabilidade.
A condição pode deixar sequelas importantes no cérebro, no coração e em outros órgãos. O cérebro é o órgão que mais sofre, porque depende da glicose para funcionar. "Episódios graves podem causar confusão mental, convulsões, coma e, em alguns casos, danos cerebrais permanentes. Quando as crises acontecem repetidamente, também podem prejudicar memória, atenção e raciocínio, além de aumentar o risco de demência ao longo da vida", diz o endocrinologista Ramon Marcelino.
O coração também pode ser afetado. A hipoglicemia intensa aumenta o risco de arritmias, infarto, AVC e até morte súbita. "Outro problema é que algumas pessoas passam a 'não perceber' mais os sinais da hipoglicemia. Ou seja, deixam de sentir sintomas de alerta, como tremores e suor frio, aumentando muito o risco de desmaios e episódios graves inesperados".
Além disso, episódios frequentes de hipoglicemia estão associados a piora da qualidade de vida, maior risco de depressão e complicações em outros órgãos ao longo do tempo. "Por isso, hipoglicemia grave não é algo 'simples' ou 'bobo'. É uma condição potencialmente fatal e que pode deixar consequências duradouras", ressalta o médico.