O empresário Geraldo Luzia de Oliveira Júnior, o Juninho, recebeu alta do hospital em São Paulo, onde passou por uma cirurgia, nesta quarta-feira. A GAZETA revelou com exclusividade que ele estava com tumor no crânio.
"Esses dias no hospital foram de adaptação, porque é muita tontura, mas a dor foi diminuindo muito rápido. A fisioterapia para os demais membros, tirando o rosto, estava tranquila, a não ser essa questão de náusea e tontura. Me adaptei bem ao final e isso ajudou muito", disse.
A cirurgia do ex-prefeito de Cariacica durou mais tempo do que estava previsto. "O médico confidenciou que teve uma surpresa ao abrir a cabeça, porque o tumor estava numa posição rara, então a cirurgia ficou mais complexa. E teve que sacrificar o nervo da audição direita que eu já não ouvia praticamente nada, optando por preservar o nervo da fala".
O empresário fica mais 10 dias em São Paulo onde já começa o tratamento com a fisioterapeuta facial. "Vou precisar de um cuidado especial na face, sobretudo o olho, porque é o que mais funcionalmente preocupa. Esteticamente a boca e o rosto vão voltar ao normal. Essa fisioterapia vai ser voltada especificamente para essa recuperação".
Entenda o tumor
O tumor, conhecido como schwannoma vestibular, é uma formação benigna que se origina na bainha do nervo responsável pela audição e pelo equilíbrio. Apesar de não ser maligno, pode causar diversos sintomas que impactam a qualidade de vida do paciente.
O sinal mais comum é a perda auditiva, mas também podem ocorrer zumbido, tontura e cefaleia. Em casos mais avançados, quando o tumor atinge maior volume, podem surgir manifestações como paralisia facial, alterações de sensibilidade na face e até incoordenação motora.
O neurocirurgião Rodrigo Azeredo Costa conta que na maioria das situações, o schwannoma vestibular surge de forma esporádica, sem relação hereditária. “No entanto, há casos associados a síndromes genéticas, como a neurofibromatose tipo II, que aumentam a predisposição ao desenvolvimento do tumor”.
A decisão pelo tratamento cirúrgico depende de fatores como o tamanho do tumor, a idade do paciente e os sintomas apresentados. “Quando há indicação de intervenção, a abordagem mais comum é a microcirurgia, que envolve a abertura do crânio para remoção da lesão. Em algumas situações específicas, a radiocirurgia - técnica que utiliza radiação localizada sem necessidade de cortes - pode ser considerada”, explica o especialista.
A cirurgia pode ser necessária em diferentes cenários, como para aliviar compressões de estruturas neurológicas, tentar preservar a audição em tumores menores, tratar casos em que houve crescimento tumoral durante acompanhamento ou esclarecer dúvidas diagnósticas por meio de análise histopatológica.
“Embora complicações como paralisia facial e dificuldade para se alimentar possam ocorrer, especialmente em tumores maiores devido à proximidade com nervos importantes, esses quadros não são comuns. Quando presentes, podem ser reversíveis ou demandar procedimentos de reabilitação”, pontua Rodrigo Azeredo Costa.