A secretária estadual dos Direitos Humanos, Nara Borgo, criticou em suas redes sociais a posição da Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesge) por não permitir que mulheres transexuais participem do concurso para a escolha da Rainha do Carnaval de Vitória 2020, conforme publicou hoje (8) a coluna.
Saber que a Liesge, que quer fazer com que o Espírito Santo ocupe um lugar de destaque no carnaval nacional, apresenta um pensamento misógino, machista, lgbtqfóbico e carregado de tanto preconceito e falta de conhecimento, nos desanima profundamente”, escreveu Nara, que se diz apaixonada pelo samba e pelo carnaval.
A secretária, que também é advogada e ativista dos direitos humanos, mandou um recado direto para Edvaldo Teixeira, presidente da Liga: “Mulher trans é mulher, senhor presidente! E vai ter mulher trans ocupando todos os espaços, porque nós podemos ocupar todos os espaços. Somos muitas, somos várias: hétero, cis, trans, lésbicas, bi, casadas, solteiras... somos todas mulheres”.
Em seguida, Nara Borgo lamentou a atitude da Liga e considerou que a proibição é um retrocesso para o carnaval capixaba: “Inaceitável essa declaração, que afasta o carnaval de tudo que ele significa e o leva ao atraso, mas não ao passado, porque o samba sempre foi vanguarda”.
Quem também criticou a posição da Liesge foi o Fórum Estadual LGBT do Espírito Santo. Em nota oficial, a entidade repudiou a proibição de mulheres trans como Rainha do Carnaval de Vitória: "É nítido que tal posicionamento apresenta não só desconhecimento por parte das questões identitárias, mas também sobre a própria história do Carnaval capixaba", diz a nota.